O que torna a Dinamarca o país mais feliz do mundo

Confiança nas pessoas e nas instituições do país pode explicar elevado índice de satisfação e felicidade, de acordo com especialista dinamarquês

São Paulo – O que faz a Dinamarca feliz? De acordo com o ranking de felicidade da Organização das Nações Unidas (ONU), os dinamarqueses são a população mais feliz do mundo.

Para chegar ao ranking, a ONU fez perguntas diretas ao povo a respeito de sua felicidade e otimismo no momento, além de perspectivas de vida. Depois, a pesquisa levou em conta o PIB per capita da população, expectativa de vida saudável, percepção de corrupção no país e liberdade, por exemplo.

Com elevados índices de educação, saúde e renda, a Dinamarca saiu na frente. Mas o que, realmente torno os dinarmaqueses felizes é “o extremo grau de confiança que as pessoas têm umas nas outras”, segundo o professor de Economia Christian Bjornskov, que tem um PhD no tema “felicidade e economia” pela Aarhus Business School.

“Nós perguntamos para as pessoas se elas acham que desconhecidos são dignos de confiança. Cerca de 70%, na Dinamarca, diz que sim. No Brasil, esse índice é de apenas 7%”, compara o professor. Mas por que isso torna as pessoas mais felizes? Segundo ele, melhora as relações sociais e “as pessoas ficam felizes em saber que não precisam ter pequenas preocupações”, diz. Perder a carteira ou tentar encontrar um endereço na rua deixam de ser pequenas preocupações cotidianas, então, segundo ele.

A confiança que os dinamarqueses têm nas instituições do seu país – especialmente políticos e polícia, também os torna um povo mais feliz. “As pessoas se acostumam com bens materiais, não é isso que as faz felizes, mas se você realmente combater corrução, elas confiam no país e isso ajuda na felicidade”, afirma Bjornskov.

Para um brasileiro, confiar em políticos pode parecer estranho, mas a Dinamarca conta com um sistema judiciário que aparentemente não deixa corrupção impune. Até 1840, explica Bjornskov, quem fosse pego em esquema de corrupção passaria o resto da vida na cadeia.

O professor acredita que essas políticas rigorosas tenham tido como resultado a honestidade atual na política: “Você vai rir, mas o último grande escândalo político que tivemos por aqui foi quando um ex-primeiro ministro não conseguia justificar todas suas despesas”. Quanto dinheiro foi gasto sem explicação? “Cerca de 145 dólares. Aquilo foi um escândalo”. O professor se refere a Lars Lokke Rasmussen, que foi primeiro-ministro entre  2009 e 2011

Um outro motivo da felicidade dos dinamarqueses é uma característica deles compartilhada com os latino-americanos, de acordo com o especialista:  a crença de que o próprio indivíduo pode melhorar a sua vida. “Quando perguntamos na Dinamarca se as pessoas acreditam que podem mudar de vida, 94% dizem que sim”, diz. “Este número é muito menor na França e elevado na América Latina, por exemplo”. Os franceses estão na 25ª posição do ranking e os brasileiros na 24ª.
Nota (quase) dez
Não é só no ranking de felicidade que a Dinamarca aparece entre as primeiras posições.O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), um dos principais medidores de qualidade de vida, do país é de 0.901. O IDH usa critérios de educação, economia e saúde para dar notas de 0 a 1 aos países. Quanto mais perto do 1, melhor.
Na Dinamarca, a expectativa de vida também está entre as mais elevadas do mundo. Em média, um dinarmaquês vive até os 79 anos, cinco a menos que o Japão, primeiro colocado no ranking de expectativa de vida, onde espera-se que as pessoas vivam 83,6 anos.

No país, gasta-se mais de 5.600 dólares anualmente com saúde por pessoa, o que dá um total de 11,2% do PIB. O resultado do investimento aparece nos números: mais de 90% das crianças receberam as principais vacinas necessárias no primeiro ano de vida e 98,5% dos partos são assistidos por profissionais capacitados.
O país também tem notas altas quando o quesito é educação. Segundo o Index de Educação, publicado pela ONU, a Dinamarca tem 0.993 quando se trata de sistema educacional, empatado em primeiro lugar com Austrália, Finlândia e Nova Zelândia. Por lá, cerca de 99% dos homens e mulheres são alfabetizados.

A renda anual dos dinamarqueses é de 33.518 dólares anuais. Para se ter ideia, um brasileiro ganha em média 10.152 dólares por ano. Em alguns países, como nos Estados Unidos, a renda pode ser bem maior (os norte-americanos capitalizam mais de 43 mil dólares anuais), mas na Dinamarca os gastos com serviços privados (seguro de saúde, por exemplo), são menores.
Mesmo em outros rankings que levam em consideração critérios gerais, a Dinamarca se sai bem. Segundo a Instituição Legatum, o país foi o segundo mais próspero no ano passado. Nos critérios para compor o ranking, os dinarmaqueses ficaram em primeiro lugar em empreendedorismo e oportunidades.

 

Qualidade de vida |             19/09/2013 16:54

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http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/o-que-torna-a-dinamarca-o-pais-mais-feliz-do-mundo?page=2

Os 50 países onde as pessoas são mais felizes, segundo a ONU

Há uma relação forte entre bons indicadores sociais e o quão feliz é um povo em relação à sua vida em geral. É isso que o relatório de felicidade global, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), indica. Os países mais felizes estão também nos rankings de países com maior IDH e maior renda per capita, como a Dinamarca, que lidera o ranking.

O Brasil aparece entre os primeiros colocados da lista de 156 países: ficamos na 24² colocação.

Para tentar medir a felicidade de um povo, foram utilizados alguns critérios: medida de emoções positivas (o entrevistador perguntava, por exemplo, se o entrevistado sentiu felicidade no dia anterior), medida de emoções negativas (“você sentiu raiva ontem?”) e percepção de felicidade na vida como um todo (algo como “você está feliz com a sua vida em geral?”). Essas perguntas serviram para distinguir a felicidade momentânea, que pode existir todos os dias, da satisfação que se tem com a vida. Não é raro, segundo o relatório, que as pessoas sejam felizes no dia a dia, mas extremamente insatisfeitas com suas perspectivas e seu presente.

Outros critérios utilizados foram PIB per capita, expectativa de vida saudável, apoio social (descrito como “ter alguém com quem se pode contar em tempos difíceis”), percepção de corrupção, prevalência de generosidade e liberdade para tomar suas próprias decisões na vida.

9 - Copenhague

1º lugar: Dinamarca

Vista noturna de Oslo, na Noruega

2º lugar: Noruega

5) Suíça - 1,272

3º lugar: Suíça

8. Holanda

4º lugar: Holanda

6. Suécia

5º lugar: Suécia

VEJA AS DEMAIS EM: http://exame.abril.com.br/mundo/album-de-fotos/os-50-paises-onde-as-pessoas-sao-mais-felizes-segundo-a-onu

 

Martha Medeiros: Feliz por nada

Geralmente, quando uma pessoa exclama Estou tão feliz!, é porque engatou um novo amor, conseguiu uma promoção, ganhou uma bolsa de estudos, perdeu os quilos que precisava ou algo do tipo. Há sempre um porquê. Eu costumo torcer para que essa felicidade dure um bom tempo, mas sei que as novidades envelhecem e que não é seguro se sentir feliz apenas por atingimento de metas. Muito melhor é ser feliz por nada.

Digamos: feliz porque maio recém começou e temos longos oito meses para fazer de 2010 um ano memorável. Feliz por estar com as dívidas pagas. Feliz porque alguém o elogiou. Feliz porque existe uma perspectiva de viagem daqui a alguns meses. Feliz porque você não magoou ninguém hoje. Feliz porque daqui a pouco será hora de dormir e não há lugar no mundo mais acolhedor do que sua cama.

Esquece. Mesmo sendo motivos prosaicos, isso ainda é ser feliz por muito.

Feliz por nada, nada mesmo?

Talvez passe pela total despreocupação com essa busca. Essa tal de felicidade inferniza. “Faça isso, faça aquilo”. A troco? Quem garante que todos chegam lá pelo mesmo caminho?

Particularmente, gosto de quem tem compromisso com a alegria, que procura relativizar as chatices diárias e se concentrar no que importa pra valer, e assim alivia o seu cotidiano e não atormenta o dos outros. Mas não estando alegre, é possível ser feliz também. Não estando “realizado”, também. Estando triste, felicíssimo igual. Porque felicidade é calma. Consciência. É ter talento para aturar o inevitável, é tirar algum proveito do imprevisto, é ficar debochadamente assombrado consigo próprio: como é que eu me meti nessa, como é que foi acontecer comigo? Pois é, são os efeitos colaterais de se estar vivo.

Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.

Se é para ser mestre em alguma coisa, então que sejamos mestres em nos libertar da patrulha do pensamento. De querer se adequar à sociedade e ao mesmo tempo ser livre. Adequação e liberdade simultaneamente? É uma senhora ambição. Demanda a energia de uma usina. Para que se consumir tanto?

A vida não é um questionário de Proust. Você não precisa ter que responder ao mundo quais são suas qualidades, sua cor preferida, seu prato favorito, que bicho seria. Que mania de se autoconhecer. Chega de se autoconhecer. Você é o que é, um imperfeito bem-intencionado e que muda de opinião sem a menor culpa.

Ser feliz por nada talvez seja isso.
(Martha Medeiros)

http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/donna/noticia/2010/05/martha-medeiros-feliz-por-nada-2889474.html