Questão Pós

O primeiro palestrante do evento A “Questão Pós” nas Ciências Humanas – Pós-estruturalismo, Pós-modernidade e Pós-colonialidade foi Michel Maffesoli. O francês, vinculado à Universidade de Paris V, é conhecido pela popularização do conceito de tribo urbana e por construir uma obra em torno da ligação social comunitária nas sociedades pós-modernas.

O palestrante Michel Maffesoli abordou que o dinâmico tende a se tornar mortifico, por isso o tema do pós busca que o pensamento possa integrar a vida

O palestrante Michel Maffesoli abordou que o dinâmico tende a se tornar mortifico, por isso o tema do pós busca que o pensamento possa integrar a vida

Maffesoli iniciou sua exposição falando que o tema proposto para a conferência é muito interessante, já que um problema geral da natureza humana é entender as questões do pós. “É interessante observar que o que inicialmente é revolucionário, aos poucos vai se tornando esclerosado”, declarou. Para o sociólogo, o que é dinâmico tende a se tornar mortifico, por isso o tema do pós busca que o pensamento possa integrar a vida. “Há momentos em que o pensamento tende a enrijecer-se, pensar no pós é estar perto da vida, fugir da clausura”, alertou.

Segundo o palestrante, a vida é um processo de metamorfose, transformação de dinâmica e movimento. “Só podemos aprender uma estrutura se apreendemos um movimento, uma cultura, nada é estático”, afirmou. Durante sua fala, Maffesoli criticou a linearidade de pensamento e destacou o mito do progresso. “O século XIX é o século da modernidade, na minha opinião”, frisou.

O sociólogo francês foi o primeiro do ciclo de conferências. O evento receberá até outubro importantes pesquisadores nacionais e internacionais

O sociólogo francês foi o primeiro do ciclo de conferências. O evento receberá até outubro importantes pesquisadores nacionais e internacionais

Para o sociólogo, o fim de um mundo não é o fim do mundo. “Esse é o meu trabalho, há trinta anos eu tento mostrar o processo de sucessão das eras. Podemos dizer que existem épocas, que podem abrir e fechar, e isso é importante para entender as questões do pós. Um ciclo dura um tempo, chega ao seu apogeu e dá lugar a outro”, explicou.

Maffesoli abordou o conceito de saturação e afirmou que a pós-modernidade é uma maneira provisória de traduzir a decadência e também o surgimento de algo novo. Lembrou que a questão do progressismo é entendida como uma flecha por alguns e como um ciclo circular por outros. O pesquisador propõe entender o progresso como um modelo espiral, que reconhece que nada é eterno, mas que há uma continuidade no cerne, que é a vida.

Maffesoli foi acompanhado pelo coordenador do evento Carlos Gadea

Maffesoli foi acompanhado pelo coordenador do evento Carlos Gadea

O conferencista ainda falou da teoria, em que o conhecimento é puro e do epistemológico onde o conhecimento é colocado em prática. “Não podemos entender a vida se não entendemos como se aplica sua representação”, concluiu

http://www.juonline.com.br/index.php/universidade/09.04.2014/questao-de-pos/30a5

 

Que valores deverão liderar a formação do perfil do consumidor maduro e preparado para o futuro, no mundo e no Brasil

Luxo Brasil perguntou para Sabina Deweik do Future Concept Lab:

Que valores deverão liderar a formação do perfil do consumidor maduro e preparado para o futuro, no mundo e no Brasil?

Este novo consumidor apresentado não identifica-se mais nas marcas ou nos produtos mas os considera companheiros de vida. Há um novo espírito crítico no qual não existe um único estilo a ser seguido. Passa-se do chamado lifestyle ou estilo de vida a para o Life Occasion ou ocasião de vida: de uma homogeneidade compacta nos deparamos com ocasiões que fragmentam a vida do consumidor.
A poesia que prevalece sobre a prosa do consumo, rompe com uma narrativa mais esquemática, como a do consumo aspiracional ancorado no sistema da moda. O desejo e a necessidade de deixar um sinal no ritmo cotidiano pessoal, influencia também aqueles contextos nos quais a experiência de consumo resulta inseparável do local de compra e da sua fruição.
Existe hoje uma nova relação entre preço e valor. Há vinte anos atrás aquilo que tinha um preço alto tinha um valor elevado. Hoje o consumidor percebe valor muitas vezes naquilo que é uma experiência não necessariamente cara mas que tenha um significado denso. Isto entre em relação com o conceito de sustentabilidade – com um novo equilíbrio de vida que leva em consideração o respeito pela natureza, meio ambiente, direitos civis e compromisso social. O vínculo da sustentabilidade se transforma, assim, em uma nova sensibilidade que é ponto de encontro virtuoso entre ética e estética. Em uma dimensão interessante de consumo entre vida pessoal e bem comum, em que conta a capacidade de coexistir com o meio ambiente. Nessa dimensão há uma experimentação avançada para criar não apenas produtos, serviços e novas linguagens de sustentabilidade para oferecer ao mercado, mas também processos produtivos e, sobretudo, dinâmicas de compra e utilização de bens, capazes de motivar as pessoas a adotarem com mais facilidade e entusiasmo novas lógicas de consumo e comportamentos de vida sustentável.

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