Como os jovens das classes C e D gastam os seus salários

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http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/como-os-jovens-das-classes-c-e-d-gastam-os-seus-salarios

Um estudo feito para entender o comportamento dos jovens brasileiros das classes C e D no mercado de trabalho revela dados interessantes sobre os hábitos e sonhos de consumo dessa geração.

56% desses jovens gastam os seus salários com lazer e bens de consumo – sendo que 80% deles estão em cargos subordinados e apenas 7% pensa em um plano de carreira.

A pesquisa foi feita com 812 jovens entre 16 e 22 anos: em São Paulo, Rio, interior paulista, Recife e Porto Alegre. Os empregos desses jovens eram na área de verejo, telemarketing, redes de fast-food, companhias aéreas, bancos e pequenos negócios.

Ela foi elaborada por Jean Soldatelli, Guilherme Françolin e Daniel Santa Cruz, sócios da consultoria Santo Caos.

Gastos

Entre os paulistanos, 65% prefere gastar seu salário com compras (smartphone, eletrônicos, vestuário) e lazer.

Essa preferência é bem menor em outras regiões: 57% entre os cariocas, 53% entre os gaúchos, 47% entre os jovens do interior paulista e 44% entre os recifenses.

As entrevistas, feitas in loco, foram reveladoras:

“Fomos a lugares onde moravam sete pessoas em dois dormitórios. A casa encontrava-se em um estado ruim de conservação, mas mesmo assim era equipada com videogame de última geração, televisão de 42 polegadas e outros utensílios sofisticados”, conta Jean Soldatelli.

“Isso comprova que os familiares de boa parte desses jovens de classes C e D conseguem fornecer a eles o básico, independente da qualidade, ou seja, moradia, alimentação, transporte e até convênios médicos por mais simples que sejam”, completa.

Preferências

Veja a seguir as preferências de consumo e o modo como esses jovens gastam os seus salários.

Os jovens de todas as regiões gastam mais com compras, mas logo depois vem a preocupação em ajudar com a renda de casa.

Interessante observar também que o lazer consome mais que o investimento em cursos.

X Compras Ajuda em casa Lazer Cursos Guardam Filhos Carro
Geral 41% 24% 15% 8% 6% 4% 2%
São Paulo 45% 20% 20% 6% 4% 1% 1%
Interior de SP 38% 24% 11% 11% 9% 4% 2%
Rio de Janeiro 44% 25% 13% 8% 4% 4% 1%
Recife 28% 28% 16% 9% 9% 6% 3%
Porto Alegre 38% 24% 16% 9% 7% 4% 2%

“Hiperconsumo está condenado à morte”, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky

23º Congresso de Marketing da ADVB/RS, realizado ontem (dia 24 de setembro) no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, foi um verdadeiro networking para cerca de 1,2 mil participantes, que aprenderam com pensadores e especialistas de grandes empresas os novos movimentos que ditarão as relações de consumo, práticas que vão mexer com o comportamento das pessoas e o mundo dos negócios

Estamos diante de uma nova sociedade, em que o consumo de massa deixou de existir dando espaço para o hiperconsumo. O neoconsumidor do século 21 fez uma ruptura absoluta com o modelo de compras dos anos 40 e 50, onde reinava o sentimento do semicoletivo: uma televisão, um telefone, um carro e outros equipamentos eram suficientes para uma família. Esta ideia do uno ficou no passado, predomina, agora, o pensamento de pluralidade, ou seja, muitas coisas para cada indivíduo, um fenômeno impulsionado pela tecnologia, mas também pela descoberta do colecionar experiências (valor do prazer, satisfação e felicidade). Porém esta explosão do consumo generalizado deve novamente ter um revés. “Mesmo que não desapareça imediatamente, o modelo do hiperconsumo e do hiperindividualismo está condenado à morte. Vamos assistir ao nascimento de um consumidor frugal, um consumidor responsável e colaborativo, mais atento ao ecológico e que sabe dividir, compartilhar”, disse o filósofo francês Gilles Lipovetsky no 23º Congresso de Marketing, promovido pela ADVB/RS no dia 24, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.

Com o tema Novas Conexões para Novos Negócios, o evento das 8h às 18h30 reuniu importantes nomes do cenário do marketing: o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, o CMO do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, o CEO da FLAG, Roberto Martini, e o co-fundador da Global Shapers Community Porto Alegre, Tomás de Lara. Ao destacar que o congresso é uma iniciativa para capacitar o mercado gaúcho, tornando-o mais forte e competitivo, o que contribui para o desenvolvimento do Estado, o presidente da ADVB/RS, Carlos Bierdermann, disse que os conceitos difundidos e a troca de experiências com os especialistas convidados resultam em um aprendizado único. “Todos os segmentos possuem relação com o marketing e precisam dele para compreender se destacar no mercado. O desafio de cada participante é levar todo esse conhecimento para as organizações e transformar tudo isso em desenvolvimento, excelência e novos negócios”, frisou para os mais de 1,2 mil participantes, que assistiram a sequência de palestras.

Rebuscando a sociedade de consumo desde o pós-guerra a uma projeção do futuro, Gilles, que é autor de livros como Os tempos Hipermodernos, A Felicidade Paradoxal: Ensaio sobre a , A Era do Vazio, disse que o hiperconsumo apresenta diversas características, mas principalmente a individualização do comportamento, originada na emancipação do indivíduo. “O neoconsumidor é um nômade, é volátil, é imprevisível e infiel. Ele vive em uma bulimia crescente de busca de gratuidade, ao mesmo tempo sonha com produtos caros, de luxo. Há uma bipolarização das compras, em que prevalece um modelo cultural do consumidor que aspira coisas para ele e que não quer mais se privar de produtos que tragam satisfação. Isso não significa um direcionamento à zona do low cost (baixo custo)”, explicou o francês no painel O Papel do Marketing nas Novas Relações de Consumo.

PROPÓSITOS
– O propósito das organizações de conseguirem ofertar satisfação e felicidade ao consumidor também foi replicado pelos demais palestrantes. Com o tema O Papel do Branding na Conexão com o Consumidor, o executivo Fernando Chacon mostrou como o Itaú Unibanco foi além do seu core business e vem alcançando sua razão de existir: o propósito de transformar para melhor o mundo das pessoas, razão pela qual decidiu abrir um guarda-chuva de causas, desde educação à mobilidade urbana. Já Tomás de Lara, da Global Shapers Community Porto Alegre, disse que o mundo está entrando em uma era mais subjetiva, muito mais de criação do que produção. “Tudo está conectado, há um despertar da consciência e a biomética será parte fundamental dos novos conceitos, sendo levada para dentro das empresas”, comentou no painel A Evolução da Conexão com o Consumidor. Segundo ele, uma nova economia, chamada de circular, está se desenhando, ganhando contornos mais humanos, corroborativos, social e sustentável. A ordem, sentenciou, será o compartilhamento.

Nesta linha de mudanças de comportamento, o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, ratificou os novos hábitos adquiridos pelo consumidor. Ao falar sobre O novo perfil do Shopper e impactos nas relações de consumo, ressaltou que são três as tendências de consumo que vão mudar os canais de venda: conveniências, racionalização e experiência. “Os shoppers compram para as próximas quatro horas ou até a manhã do dia seguinte. Com isso, as cestas pequenas estão crescendo em detrimento das grandes e o ticket de compra é menor, porém diário. Também há um deslocamento de público para o ‘atacarejo’, que só em 2013 registrou a abertura de 2 milhões de novas lojas”, relatou, ao dar três dicas para capturar essas novas oportunidades de vendas: diversificar a oferta, facilitar as compras, tornando-as mais intuitiva, e otimizar o sortimento. Já Roberto Martini, da FLAG, mostrou uma perspectiva futura mais dura. “A robotização substituirá o pensamento. Se antes um processo dependia de 40 pessoas, hoje são necessárias duas”, frisou, argumentando que a nova economia, a comunicação em rede, os novos negócios virão das tecnologias daqui para frente.

DESAFIO – Para o curador do 23º Congresso de Marketing, Ricardo Vontobel, que liderou o painel Transformando Tendências em Realidade nos Negócios – reuniu palestrantes em um debate – a sociedade vive um momento de mudanças intensas, rápidas e profundas. “Hoje, a produção somente na forma física não garante vantagem competitiva. Cada vez mais, os aspectos intangíveis de produtos e serviços passarão a fazer parte dos aspectos tangíveis, gerando um ambiente diferenciado de relacionamento com o consumidor”, afirmou. Acrescentou ainda que, com a globalização, se instalou um processo de comoditização, com preços semelhantes. “Precisamos encontrar diferentes maneiras de encantar e mobilizar o consumidor. O desafio é incorporar habilidades de resoluções criativas.” O 23º Congresso de Marketing teve como patrocinadores a Unisinos, Seprorgs, RBS TV e Leão Fuze. Apoiaram o evento Fecomércio-RS, Gerdau, Zero Hora, Morya e Teatro do Bourbon Country

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/propaganda/43647-hiperconsumo-esta-condenado-a-morte-diz-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky

Famecos recebe o filósofo francês Gilles Lipovetsky

Os alunos do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS/PUCRS) participaram nessa quinta-feira (25/9) de uma palestra com  o filósofo francês Gilles Lipovetsky. Prestes a lançar seu novo livro, o autor de obras como Império do Efêmero: a Moda e seu Destino nas Sociedades Modernas tratou de assuntos como consumo exacerbado e a busca pela leveza. Para uma atenta plateia, Lipovetsky explicou que a chamada civilização da leveza vem se constituindo desde a metade do século XX. A partir de 1950, surgiu uma nova economia baseada no consumo, por meio de produtos e serviços como televisão, turismo e computadores. “Hoje todos temos smartphones, e se estes não estiverem em nossos bolsos, ficamos estressados”, criticou.

Conforme o filósofo, vivemos a cultura do entretenimento, da distração. A partir do desenvolvimento de novos materiais, principalmente com a nanotecnologia, os homens passaram a dominar aquilo que é infinitamente leve. Entretanto, o tema leveza pode ser visto por outras óticas. Para o autor, atualmente as pessoas têm verdadeira obsessão pela magreza, por tudo aquilo que é light.  O teórico ainda ressaltou que o leve sempre esteve no coração dos homens. “A civilização grega, por exemplo, falava em sabedoria. Se adotarmos um pensamento antropológico, a sabedoria é uma forma de leveza”, analisou. Para ele, o problema é que o mundo da leveza criou uma espécie de novo peso.

“O centro das buscas do ser humano hoje é a felicidade, e toda a indústria publicitária se baseia nisso”, avaliou. Conforme o filósofo, o problema é que entre aquilo que é anunciado e a realidade, há uma grande diferença. “A aspiração hoje é se sentir leve. Tudo é muito pesado, a vida nos esmaga”, disse. O lado negativo dos avanços tecnológicos é que, segundo ele, as pessoas terão mais poder sobre as coisas do que sobre elas mesmas, o que mostra a finitude humana. “Aquilo que nos torna felizes ou infelizes é a relação que mantemos com os outros seres humanos. Felicidade é se sentir leve”.

25/09/2014

http://portal.eusoufamecos.net/famecos-recebe-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky/

“Hiperconsumo está condenado à morte”, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky

Estamos diante de uma nova sociedade, em que o consumo de massa deixou de existir dando espaço para o hiperconsumo. O neoconsumidor do século 21 fez uma ruptura absoluta com o modelo de compras dos anos 40 e 50, onde reinava o sentimento do semicoletivo: uma televisão, um telefone, um carro e outros equipamentos eram suficientes para uma família. Esta ideia do uno ficou no passado, predomina, agora, o pensamento de pluralidade, ou seja, muitas coisas para cada indivíduo, um fenômeno impulsionado pela tecnologia, mas também pela descoberta do colecionar experiências (valor do prazer, satisfação e felicidade). Porém esta explosão do consumo generalizado deve novamente ter um revés. “Mesmo que não desapareça imediatamente, o modelo do hiperconsumo e do hiperindividualismo está condenado à morte. Vamos assistir ao nascimento de um consumidor frugal, um consumidor responsável e colaborativo, mais atento ao ecológico e que sabe dividir, compartilhar”, disse o filósofo francês Gilles Lipovetsky no 23º Congresso de Marketing, promovido pela ADVB/RS no dia 24, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.

Com o tema Novas Conexões para Novos Negócios, o evento das 8h às 18h30 reuniu importantes nomes do cenário do marketing: o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, o CMO do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, o CEO da FLAG, Roberto Martini, e o co-fundador da Global Shapers Community Porto Alegre, Tomás de Lara. Ao destacar que o congresso é uma iniciativa para capacitar o mercado gaúcho, tornando-o mais forte e competitivo, o que contribui para o desenvolvimento do Estado, o presidente da ADVB/RS, Carlos Bierdermann, disse que os conceitos difundidos e a troca de experiências com os especialistas convidados resultam em um aprendizado único. “Todos os segmentos possuem relação com o marketing e precisam dele para compreender se destacar no mercado. O desafio de cada participante é levar todo esse conhecimento para as organizações e transformar tudo isso em desenvolvimento, excelência e novos negócios”, frisou para os mais de 1,2 mil participantes, que assistiram a sequência de palestras.

Rebuscando a sociedade de consumo desde o pós-guerra a uma projeção do futuro, Gilles, que é autor de livros como Os tempos Hipermodernos, A Felicidade Paradoxal: Ensaio sobre a Sociedade de Hiperconsumo, A Era do Vazio, disse que o hiperconsumo apresenta diversas características, mas principalmente a individualização do comportamento, originada na emancipação do indivíduo. “O neoconsumidor é um nômade, é volátil, é imprevisível e infiel. Ele vive em uma bulimia crescente de busca de gratuidade, ao mesmo tempo sonha com produtos caros, de luxo. Há uma bipolarização das compras, em que prevalece um modelo cultural do consumidor que aspira coisas para ele e que não quer mais se privar de produtos que tragam satisfação. Isso não significa um direcionamento à zona do low cost (baixo custo)”, explicou o francês no painel O Papel do Marketing nas Novas Relações de Consumo.

PROPÓSITOS – O propósito das organizações de conseguirem ofertar satisfação e felicidade ao consumidor também foi replicado pelos demais palestrantes. Com o tema O Papel do Branding na Conexão com o Consumidor, o executivo Fernando Chacon mostrou como o Itaú Unibanco foi além do seu core business e vem alcançando sua razão de existir: o propósito de transformar para melhor o mundo das pessoas, razão pela qual decidiu abrir um guarda-chuva de causas, desde educação à mobilidade urbana. Já Tomás de Lara, da Global Shapers Community Porto Alegre, disse que o mundo está entrando em uma era mais subjetiva, muito mais de criação do que produção. “Tudo está conectado, há um despertar da consciência e a biomética será parte fundamental dos novos conceitos, sendo levada para dentro das empresas”, comentou no painel A Evolução da Conexão com o Consumidor. Segundo ele, uma nova economia, chamada de circular, está se desenhando, ganhando contornos mais humanos, corroborativos, social e sustentável. A ordem, sentenciou, será o compartilhamento.

Nesta linha de mudanças de comportamento, o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, ratificou os novos hábitos adquiridos pelo consumidor. Ao falar sobre O novo perfil do Shopper e impactos nas relações de consumo, ressaltou que são três as tendências de consumo que vão mudar os canais de venda: conveniências, racionalização e experiência. “Os shoppers compram para as próximas quatro horas ou até a manhã do dia seguinte. Com isso, as cestas pequenas estão crescendo em detrimento das grandes e o ticket de compra é menor, porém diário. Também há um deslocamento de público para o ‘atacarejo’, que só em 2013 registrou a abertura de 2 milhões de novas lojas”, relatou, ao dar três dicas para capturar essas novas oportunidades de vendas: diversificar a oferta, facilitar as compras, tornando-as mais intuitiva, e otimizar o sortimento. Já Roberto Martini, da FLAG, mostrou uma perspectiva futura mais dura. “A robotização substituirá o pensamento. Se antes um processo dependia de 40 pessoas, hoje são necessárias duas”, frisou, argumentando que a nova economia, a comunicação em rede, os novos negócios virão das tecnologias daqui para frente.

DESAFIO – Para o curador do 23º Congresso de Marketing, Ricardo Vontobel, que liderou o painel Transformando Tendências em Realidade nos Negócios – reuniu palestrantes em um debate – a sociedade vive um momento de mudanças intensas, rápidas e profundas. “Hoje, a produção somente na forma física não garante vantagem competitiva. Cada vez mais, os aspectos intangíveis de produtos e serviços passarão a fazer parte dos aspectos tangíveis, gerando um ambiente diferenciado de relacionamento com o consumidor”, afirmou. Acrescentou ainda que, com a globalização, se instalou um processo de comoditização, com preços semelhantes. “Precisamos encontrar diferentes maneiras de encantar e mobilizar o consumidor. O desafio é incorporar habilidades de resoluções criativas.” O 23º Congresso de Marketing teve como patrocinadores a Unisinos, Seprorgs, RBS TV e Leão Fuze. Apoiaram o evento Fecomércio-RS, Gerdau, Zero Hora, Morya e Teatro do Bourbon Country

25/09/2014

http://www.advb.com.br/site/noticia/hiperconsumo-esta-condenado-a-morte-diz-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky/

Aumenta interesse do consumidor brasileiro por café gourmet

Novos hábitos de consumo, informações mais acessíveis, modismos cada vez mais breves e tecnologias sendo criadas a todo momento mostram as transformações pelas quais a sociedade passa. A produção de café no Brasil também sofreu mais uma reviravolta, chamada de terceira onda, com o crescimento da procura por grãos especiais. Cada vez mais gourmet, a bebida ganha toques sofisticados e agrada a uma parcela da população que busca diferenciação em um dos produtos nacionais mais tradicionais.

O brasileiro é um dos maiores consumidores da iguaria em todo o mundo, bebendo cerca de 80 litros per capita por ano, atrás apenas dos norte-americanos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). A descoberta dos tipos com maior qualidade trouxe à tona um perfil de comprador mais refinado e voltado à diferenciação. O sabor único faz com que o preço seja elevado – média de R$ 60,00 o quilo – e chegue apenas à parcela mais abastada da população.

Os tipos especiais correspondem a cerca de 5% do volume, mas crescem significativamente na produção e no consumo. A Abic tem feito um acompanhamento desses grãos desde o ano 2000. “Há 14 anos, era difícil encontrar um café gourmet porque não havia fabricação industrial dele no Brasil. A matéria-prima era toda exportada. Atualmente, existem mais de 200 marcas e, dessas, 145 são certificadas por nós. As avaliações têm que ser feitas constantemente porque lidamos com um fruto nobre”, conta Nathan Herszkowicz, Diretor Executivo da Abic, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Perfil do consumidor
A estimativa é de que não apenas as classes A e B tenham acesso à bebida de alta qualidade, como também a C, que se destaca por investir em produtos com algum status associado. O aumento na procura por cafés capsulados é um dos reflexos da mudança de comportamento do consumidor de café tradicional. As diversas opções de sabor, design de cafeteira e sensação de poder que esse estilo transmite fez com que a novidade fosse facilmente inserida nos lares brasileiros e adotada pela indústria de café.

A chegada de redes como Starbucks também contribuiu para levar o item a um status mais requintado e para aproximar o público jovem desse setor. Os varejistas, em paralelo, ganharam profissionais especializados e capacitados no ramo. “Os baristas hoje também são sommeliers, uma vez que entendem da degustação do café especial, como ocorreria com um bom vinho. As bebidas, inclusive, são comparadas, porque há um conhecimento de paladar similar nas duas: ambas tem aromas, sabor, tipos e status valorizados”, conta Nathan Herszkowicz.

Assim como foi nos tempos do Império no Brasil, existe uma relação de poder em torno do fruto, embora atualmente ela apareça de forma diferente dos tempos históricos. “Vejo a presença de muitos executivos em nossas unidades. Acabamos nos tornando um lugar para ver e ser visto no mundo dos negócios. Muitos artistas e headhunters vão para observar quem frequenta. Já vi propostas serem feitas ali mesmo”, conta Edgar Bressani, Diretor Executivo do Octávio Café, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Produção interna
Os grãos especiais vendidos no Octávio Café, em São Paulo, são os mesmos que os exportados para outros países, como Estados Unidos, Japão, Emirados Árabes, França e Noruega. A safra, antes direcionada exclusivamente ao exterior, já encontra no Brasil uma parcela de consumo considerável, que cresce representativamente ano a ano. “Existe uma demanda por café de qualidade, mas ainda temos muito que avançar. São poucos os empresários que são voltados ao grão de qualidade, já que muitos dos produtores são de origem familiar. Essa produção diferenciada soma praticamente 1% do café cultivado no mundo. Então, nem há comparação com o café do dia a dia que encontramos nos supermercados e que é o foco da grande indústria”, conta Edgar Bressani.

Os pacotes comprados nas gôndolas pelos brasileiros são do tipo Conilon, que são menos intensos e saborosos do que o grão verde. Este, por sua vez, por não ser fabricado em larga escala, restringe-se a pontos de venda específicos, como delicatessens e cafeterias. De acordo com os indicadores da Abic de 2013, o consumo da bebida mais sofisticada fora do lar segue crescendo, representando 36% do consumo total. A preferência por esses locais é por causa das variações da iguaria disponíveis, diferente da que o cliente costuma ter em sua própria casa.

Observando a maior procura e a difícil entrada nas grandes varejistas, o clube de assinaturas Grão Gourmet passou a entregar na casa dos consumidores os tipos especiais em embalagens, cujo peso pode ser escolhido pelo cliente. “O setor cafeeiro ainda tem muito espaço para crescer e criamos algo inovador. O café gourmet tornou-se mais acessível e pode ser feito em casa. Hoje, 60% do nosso cadastro é composto por homens, possivelmente os que já estão habituados a consumir fora de casa e querem estender o uso para o seu lar”, conta Boris Gancev, Sócio-Fundador do e-commerce Grão Gourmet, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Inovações
As oportunidades de negócios em torno da bebida estão surgindo de forma promissora e levando o grão a outras sensações mais palatáveis. A SPA lançou produtos à base de café que podem ser utilizados para recheio e coberturas de sobremesas. Eles oferecem ingredientes em receitas que, até então, levavam chocolate, doce de leite ou outro tipo de creme ou pasta. A empresa quer incorporar o hábito de comer o fruto entre os brasileiros e ampliar as experiências gustativas.

Assim como o creme de avelã se tornou famoso nos quatro cantos do Brasil, a proposta é criar uma atmosfera mais envolvente e refinada ao líquido. “Fomos muito bem recebidos entre os nossos consumidores, que são chefs, distribuidores de cafeterias e supermercados. O café chegará a outros produtos diferentes do que as pessoas estão acostumadas, como floco de sorvete feito da planta, por exemplo. Por serem especiais e bem avaliados, essas novidades têm um sabor muito melhor do que os itens à base de café que já existem por aí. Essa diferenciação é uma forma de o comprador se presentear, uma vez que o sabor encontrado é único”, conta Luciano França, diretor da SPA.

Para dar conta da demanda que surge, os donos de fazenda têm investido em tecnologia de ponta para manter os padrões de excelência. Fatores como clima, altura da árvore e controle de pragas têm que ser observados de perto. “Os fazendeiros já entenderam a importância de trabalhar com um grão 100% Arábica, porque é um mercado exigente, que é avaliado constantemente para certificação de grão nobre. Além disso, somos reconhecidos em todo o mundo com um dos melhores cafés”, conta Eduardo Heron, gerente de projetos do CeCafé, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Por Priscilla Oliveira, do Mundo do Marketing | 23/09/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/mercado/31759/aumenta-interesse-do-consumidor-brasileiro-por-cafe-gourmet.html

“Estamos cansados de tantas novidades”, afirma o filósofo Gilles Lipovetsky

O  filósofo Gilles Lipovetsky volta a Porto Alegre para falar da sociedade de hiperconsumo em uma palestra no dia 24 de setembro, no 23º Congresso de Marketing da ADVB. Autor de livros como Os Tempos Hipermodernos e O Império do Efêmero: a Moda e seu Destino nas Sociedades Modernas, o francês conversou com ZH por telefone sobre a leveza – assunto do livro que acaba de concluir –, e temas de obras anteriores, como a aceleração do ritmo de vida, o risco da hiperindividualização e a volatilidade eleitoral. Confira, a seguir, trechos da entrevista:

Sobre o que o senhor falará em Porto Alegre?

Vou tratar da sociedade do hiperconsumo. Há, hoje, uma individualização crescente em relação ao consumo, ligada às novas tecnologias – mídias, televisão, telefones, internet – que permite aos indivíduos consumos à la carte. Antes, na sociedade de consumo em massa, tudo era sincronizado. Agora, não somos obrigados a ver os mesmos programas no mesmo momento. Cada um gere seu tempo e seu espaço em função de seu desejo. Igualmente, os grupos sociais exercem menos limites de comportamento, o papel das marcas se destaca nas compras e cresce o fascínio dos jovens pelas marcas. Além disso, o consumo passou a ser mais emocional. Antes, as pessoas compravam para serem valorizadas em seu ambiente, era um consumo de status. Isso existe ainda, e provavelmente sempre existirá, mas, ao mesmo tempo, temos um consumo cada vez mais voltado ao prazer. Quem escuta música pelo iPod, por exemplo, faz um consumo hedonístico, para sentir as coisas. É a dimensão das experiências que ganha importância.


Estamos no caminho de viver em uma bolha, isto é, há um risco de as pessoas terem menos variedade no consumo de cultura e informação?

Sim. É um risco dessa hiperindividualização. As pessoas podem escutar sempre as mesmas músicas, procurar as mesmas informações. Pode ser um encerramento dos indivíduos em seu próprio mundo. Se, de um lado, o hiperconsumismo abre (as possibilidades), também fecha algumas aberturas. As duas dimensões coexistem.
Assim como há o mercado de luxo, há pessoas que buscam experiências diferentes, como o Couchsurfing (viajar hospedando-se na casa de outros), grupos para doar ou compartilhar bens. Como o senhor enxerga este outro fenômeno?

Com as opções múltiplas e também a crise econômica, há novas formas de consumo que aparecem – como compartilhamento, aluguel de bens, comércio de itens de segunda mão. Tudo isso leva alguns a elaborar a hipótese de que o fascínio do consumo estaria recuando. Não penso assim. Acho que, muitas vezes, esses comportamentos são uma expressão do le, porque as pessoas fazem economias em uma área para poder continuar consumindo. Querem, por exemplo, dividir o carro ao viajar para viabilizar essa viagem. Utilizando novas maneiras de consumir, nós continuamos sendo consumidores. A recusa do consumo ocorre, sim, mas em grupos bem menores, militantes, ideólogicos, que creio ser algo relativamente pequeno.
O senhor concluiu há pouco um novo livro? Qual é a sua temática?

Sim. Deve ser lançado em janeiro na França. É sobre a leveza, que se tornou um fenômeno central na sociedade contemporânea. O tema compreende corpo, produtos lights, novas tecnologias, como a nanotecnologia, que busca reduzir e tornar tudo mais leve, o smartphone, o design, a decoração. É um setor econômico extremamente desenvolvido, e isso está apenas começando.
A sensação de que o tempo passa mais rápido e nos atropela não é nova. O romantismo já exprimia esse desejo de escapar deste ritmo intenso. Hoje, há pessoas que buscam meios para desacelerar, como ioga e viagens. A leveza, tema de seu próximo livro, é uma reação a essa tendência de acelerar?

Exatamente. Há, cada vez mais, demanda por novidade. Fazemos mil coisas ao mesmo tempo, mas há também gente que sofre com isso porque tudo vai muito rápido. Temos o sentimento de estarmos cansados de tantas novidades e observamos o cultivo de práticas em busca de uma paz interior, de uma leveza da vida, de ioga, de formas de religiosidade, de massagem, de spa, de relaxamento. Vale observar que esses comportamentos são opostos ao consumismo, mas não completamente. A meditação é muito praticada em Nova York e em Londres por pessoas que têm ritmos de vida terríveis, e a meditação é uma maneira de repor as forças para poder continuar nesse sistema. Não é um modelo alternativo. Está a serviço da performance.
A aceleração vai continuar?

Acho que sim. Vemos isso com as novas tecnologias e a informática. Agora que temos o 4G, quem tem 3G reclama que não pode baixar filmes. Vivemos cada vez mais rápido. Há cada vez mais ofertas e tecnologias que permitem ir rapidamente a qualquer lugar. Não sei como isso pode diminuir. A aceleração ganha cada vez mais setores de nossa existência. Isso gera problemas, pois nem tudo pode ir mais rápido. Na educação, por exemplo, não podemos ir mais rápido. Aquisição de conhecimento demanda paciência. No futuro, acho que, além da aceleração, teremos todo um conjunto de técnicas que nos permitam aceitá-la.
Em A Era do Vazio (1983), o senhor escreveu que Narciso era o símbolo da revolução individualista. Àquela época, poderia imaginar que haveria hoje quem publica fotos de si mesmo?

O selfie é um exemplo desse individualismo. É um prolongamento desse narcisismo. Contudo, é um individualismo paradoxal, pois ele está em uma busca incessante da aprovação dos outros. Faço uma foto, coloco no Facebook, mas aguardo a reação dos outros. É um Narciso incompleto. Posso me amar, mas me amo mais ainda se os outros me amam, se dizem que sou bonito, que a foto é interessante. As pessoas tiram selfies para ter uma recompensa simbólica, da parte dos outros. Com o Facebook, cada um é um publicitário de si mesmo. Cada um faz seu próprio marketing. É um marketing narcisístico.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/estamos-cansados-de-tantas-novidades-afirma-o-filosofo-gilles-lipovetsky-4603364.html

Nova Coca-Cola Life começa a ser vendida nos Estados Unidos

Os Estados Unidos, o mercado por excelência da Coca-Cola, se tornou o quarto país do mundo a comercializar a Coca-Cola Life, a “versão verde” do refrigerante.

Argentina, Chile e Grã-Bretanha já contavam com a bebida em suas prateleiras.

O produto tem menos calorias que a versão original (89 contra 138 em uma lata de 330mL) e seu açúcar é uma mistura de açúcar de cana com stevia, uma folha que serve como adoçante natural.

Assim, ele promete ser mais “saúdável e natural” que a versão original, mas não é light ou diet.

Por enquanto, ele será vendido na Georgia, Carolina do Norte, Carolina do Sul e parte da Flórida. Em outubro, chega para todo o país.

A versão Life tenta conquistar consumidores que criticam a quantidade de calorias e açúcar da bebida.

O extrato da stevia (Stevia rebaudiana), nativa da América do Sul, também apela para os clientes que buscam produtos saudáveis: a planta tem propriedades nutritivas e ajuda na eliminação de toxinas.

Nos EUA, a empresa planejou mais de quatro mil eventos para divulgar a bebida.

No Brasil

Em junho, o produto foi barrado no Brasil, por conta de um decreto do Ministério da Agricultura.

O decreto 6871/2009 proíbe, em bebidas não alcoolicas, a associação de diferentes açúcares e edulcorantes.

O extrato de stevia aliado ao açucar de cana esbarra nessa regra, daí a proibição

Fonte: Guilherme Dearo – Bebidas | 01/09/2014 13:11 

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