Bem-vindos de volta ao caos

Filósofo, antropólogo, semiólogo, mas sobretudo amante da provocação. Desde esse lugar, este especialista em cultura e meios de comunicação analisa como as novas tecnologias impactam na sociedade atual. “A digitalização é a máquina que está reconfigurando os seres humanos”, diz. E explica porque esse caminho leva de novo ao caos.

É reconhecido como um dos maiores intelectuais da comunicação e da cultura na América Latina. Todos os estudantes de comunicação dos países da região e de boa parte do mundo leram e debateram seus textos, em particular Dos meios às mediações. Comunicação, cultura e hegemonia (Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997), que transformou profundamente o pensamento sobre a comunicação, tentando colocar as pessoas, a cultura e não os meios, no centro do processo comunicacional. Jesús Martín Barbero (77 anos), espanhol de nascimento e colombiano por decisão, esteve em Buenos Aires e conversou com o Página/12.

A entrevista é de Washington Uranga e publicada no jornal Página/12, 24-11-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Desde a sua chegada a Buenos Aires o ouvimos falar insistentemente sobre a necessidade de “voltar ao caos”. Você chegou a dizer “bem-vindos ao caos”. É possível pensar no caos?

Evidentemente. A Bíblia nos acostumou a pensar que vivíamos no caos, porque quando Deus criou o mundo, criou a ordem. Sim? Mas anterior à ordem e à criação é o caos. A crença popular moderna já tem a ver com um mundo bastante ordenado. Na Idade Média – para falar de uma época que nos diz respeito – também houve uma sensação de caos, porque acabou tudo o que era relativo àquilo que dominou grande parte do mundo conhecido na época: o Império Romano. Então, apareceram alguns senhores diferentes, a quem os historiadores chamaram de “bárbaros”, porque vinham do caos. Ou seja, que o império era a ordem e o que ficava fora do império era o caos. Para os cristãos, a palavra caos ficou marcada por algumas figuras do Antigo Testamento, mas na realidade eu teria que ter dito simplesmente “bem-vindos de volta ao caos”. Porque ao longo da nossa história houve várias épocas de caos. E eu penso que atualmente este mundo está tão fora de órbita que só uma volta ao caos vai nos permitir reinventar a sociedade. Reinventar a sociedade com capacidade de acolher toda a diversidade que hoje existe neste planeta, toda a diversidade de sensibilidades, de invenção, de tipos de esperança, toda a diversidade narrativa que há hoje, a explosão narrativa dos jovens. Então, novamente, bem-vindos ao caos.

Mas a modernidade nos acostumou a assimilar conhecimento com ordem e com disciplina. Por esse motivo pode ser muito difícil compreender o que você está dizendo agora?

Há um livro de Alessandro Baricco – o autor de Seda – que aconselho cada vez mais. Intitula-se Os bárbaros. São textos em fascículos para uma revista da Itália. Ou seja, são textos para ler, para o público em geral. O mais chocante do livro é que quando começa a entrar realmente no tema – antes de falar de como mudou o futebol, como se faz o futebol, como mudou o vinho, como se faz o vinho, e assim por diante – aparece um senhor que está diante de uma cidade destruída pelos bárbaros e a pergunta é a seguinte: os bárbaros constroem uma cidade? A resposta é “sim… mas muito tempo depois. Primeiro a destroem”. Ainda há muito por destruir; estamos na época de destruir. Essa é a parte difícil, pensar que realmente há algo para destruir. Porque na nossa cultura destruir equivale a perder memória. Não se pensa que destruir é criar espaço para construir, uma vez que já está tudo construído como neste mundo. Em um mundo superconstruído como o nosso, em qualquer aspecto, a única maneira de ter um espaço livre, um espaço verde, é destruir.

Pergunto-me e lhe pergunto: a digitalização é algo como uma máquina de demolição em relação ao que está construído?

Me perguntas?

Pergunto.

Exatamente. Essa é a máquina que já está produzindo… perdão pelo verbo… está reconfigurando os seres humanos em relação a muitas dimensões vitais. Penso na sociedade. Hoje existe um grande número de associações de pais de família que estão preocupadíssimos com a quantidade de horas que seus adolescentes, crianças inclusive, passam diante da tela do computador. E dizem: mas estão sozinhos! A solidão de que falam estes pais não tem 200 anos. Antes, as pessoas solitárias eram aquelas que iam da cidade para o campo e subiam num pinheiro. A modernidade inaugurou um tipo de solidão: quem está mais solitário é quem caminha por uma grande avenida de qualquer grande cidade, no meio de uma grande multidão. Ou seja, o indivíduo solitário não é quem saía, é quem estava dentro. Essa era a solidão moderna.

A solidão do nosso tempo é outra, porque esses adolescentes estão profundamente acompanhados por outros, desenhando, insultando-se, trocando músicas. Há outros modos de estar juntos e isso – que para alguns pode ser completamente superficial – para outros pode ser vital. E não apenas por idades. Os pais se queixam de que os filhos são solitários quando, na verdade, a adolescência é a época em que se você não assume a solidão, não cresce. A adolescência é o primeiro tempo no qual o sujeito humano tem que assumir que está sozinho no mundo. Que sua vida não é a do seu pai, nem a da sua mãe, nem a do seu amigo. Não. É a sua sozinha. E vai estar com ele, sozinho, para toda a vida. Viver com a solidão não é uma doença, é uma valiosíssima dimensão da vida humana.

E como tudo isso se relaciona com o mundo digital?

Vamos lá. O mundo digital supõe, sobretudo, a demolição da hegemonia letrada. Digamo-lo bem forte: a demolição do que Julio Ramos chamou de “a cidade letrada”. Essa cidade que continua ignorando que milhões de pessoas, em nossas cidades da América Latina, são indígenas da cultura oral, inclusive na Argentina, embora tenham passado por uma escola que lhes ensinou a ler e a escrever. A cultura cotidiana é oral. E o mundo digital move o chão. O caos move o chão das seguranças que tínhamos. Aquela segurança que sustentava que para ser inteligente era preciso ser letrado.

Se a ideia é que recuperemos o caos e retomemos a oralidade, o que fazemos com a noção de progresso e com o conceito de desenvolvimento?

É uma pergunta muito interessante. A verdade? O progresso se foi pr’o diabo… há muito tempo. Pouca gente leu e divulgou Walter Benjamin, um senhor que não foi nem filósofo, nem teólogo, nem literato… mas todas essas coisas juntas. Ou seja, foi um caos. Esse era o problema que Benjamin tinha com os amigos que lhe publicavam os seus artigos para que pudesse viver. O que é isso? Literatura?, diziam a ele. Isto não é literatura, é crítica literária… Também não. É filosofia? Mas, de que filosofia? Bom… o caos começou lá, num senhor que disse que houve uma mentira: pensar a história em termos de progresso. É o que fariam as crianças, os bebês. Mas não um ser com um pouquinho de razão, com um pouquinho mais de idade. A ideia do progresso é a de um tempo homogêneo e vazio. Acreditávamos que o tempo nos conduzia a algum lugar e nos preparava para chegar a esse lugar. O progresso era isso.

Mas em função desta perspectiva organizamos também o nosso modo de pensar…

Claro. Organizamos tudo. Melhor dito: nos deixamos organizar por essa ideia. Porque a ideia do progresso, a ideia secular, da providência, vai nos dando, em cada idade e em cada tempo, o que necessitamos para ter poder. Por quê? Porque se não você não quer chamar progresso ao material, tem todo o direito. Em 1900, a média de vida nos países mais desenvolvidos da Europa era de 50 anos. No final desse século é de 80 anos. Se isso é progresso, está muito bem. Você tem o direito de pensá-lo, desfrutá-lo. Mas há muitíssimos outros índices que não são considerados. Estamos para chegar a não sei quantos bilhões de habitantes neste planeta… que simplesmente respirando vão tornar o planeta irrespirável em menos de 50 anos. E nem pensemos em termos de alimentos. Se você pensa em algo que dura menos de mil anos pode pensar em termos de progresso. Caso contrário, não. Quantos séculos, ou milhares de séculos, ou de tempo real, demorou este “animalzinho” para chegar onde está? Se você o coloca em perspectiva de tempo real do planeta, de que estamos falando? E se, por outro lado, falamos realmente da maioria da humanidade, o que chamamos de progresso começa a aviltar-se enormemente. A menos que o identifiquemos com algumas variáveis do tipo: “tem menos ebola”, “tem menos tal… que nós”. Não é que a palavra progresso não nomeie algo que acontece. Mas não é certo que isso permita pensar a história, porque é indefinido para frente. É isso que aconteceu conosco. É indefinido para frente e foi um atraso em uma série de aspectos.

A palavra desenvolvimento, a palavra desenvolver, sofreu uma perversão: desenvolver-nos para sermos como outros. E somente alguns poucos na América Latina conseguiram torcer o pescoço a isso para propor que aquilo nos “subdesenvolvia”, que um desenvolvimento autônomo é outra coisa. E tivemos muitos problemas para poder retomar a palavra desenvolvimento. Porque essa palavra foi inventada na Europa.

Arturo Escobar, um fabuloso antropólogo colombiano – mais conhecido fora que dentro – em um texto intitulado O selvagem, mostra a poderosa armadilha do desenvolvimento. Porque desenvolver não era apenas crescer, era a palavra que substituía progresso para os países pobres. Até as Nações Unidas identificaram durante muitos anos desenvolvimento com crescimento econômico. A ideia de crescimento é uma ideia muito pequena para pensar na história da humanidade. É muito torpe. E, no fundo, desenvolvimento é crescimento. Sabemos o que é crescimento e sabemos o quanto vive um ser humano. O que é crescimento? Caminhar para a velhice, lascada como já sabemos que é.

E diante deste raciocínio, qual é a ideia de emancipação, qual é o sentido da emancipação?

Para pensar a emancipação é preciso sair da categoria de progresso, é preciso sair de todas as categorias que nos falam de crescimento, de desenvolvimento, e é preciso começar a pensar a história, ou seja, o tempo. É preciso voltar à palavra tempo para pensar nos destempos, nos contratempos. Porque a história é feita disso: de tempos, destempos e contratempos. E, finalmente, de intervalos.

Eu proponho pensar a emancipação em termos de intervalos. Há intervalos no tempo nos quais se pode fazer coisas que não se pode fazer no tempo normal. Emancipação é outra coisa, é libertar-nos. Tem a ver com liberdade, com aumento da liberdade com conhecimento das contradições que toda liberdade tem, dos conflitos que a liberdade gera.

No fundo, é mais fácil ser feliz sendo escravo. Hegel contou-nos isso da seguinte maneira: um escravo passa mal, mas quando pensa em mudar se assusta porque a única coisa que pensa é em matar o senhor para ser ele mesmo o senhor. Então, não saímos nunca da situação de escravidão.

A emancipação é outra coisa, não é matar o senhor. Emancipação é aquele tipo de liberdade que nos torna mais iguais, isto é, que vai destruindo todas as desigualdades que se “colincharan” (nota: na Colômbia colinchar: integrar, unir), que se penduraram numa noção completamente perversa, não emancipada, de liberdade. É o ricaço que pensa que com o seu dinheiro, como é seu, pode fazer o bem quiser. Um momento. Neste planeta vivemos todos e então se tem que começar a pensar na maioria e quando começa a pensar na maioria se dá conta do quão difícil é ajudar a emancipação pessoalmente. E sabemos a quantidade de coisas das quais nos teríamos que emancipar.

Temos consciência clara daquilo que nos escraviza?

Costume é uma palavra muito mais linda que escravidão. É meu costume, são os costumes do meu povo, algo que eu digo à minha esposa e aos meus filhos 25 vezes por dia: “Veja, é que eu venho de um povoado bem pequeno da Espanha… então eu tenho outros costumes”. Outros costumes são outros gostos, são outros modos de ver o mundo, de falar. Aqui não há receitas, mas há contradições e, portanto, há intervalos, há ‘destempos’. Essa foi a imagem que eu recebi do Brasil. São as brechas. Brecha é uma palavra brasileira. Não há muro que não tenha brecha, mas é preciso passar a mão muitas vezes, bem devagarinho, para detectá-la. E se você pode detectar a brecha, perfura, derruba…

Devemos trabalhar sobre as brechas. Este é um pouco o tema. E se o tempo não está a nosso favor, esqueçam-se. Por isso as revoluções são esses momentos que permitiram a humanidade avançar. Com uma série de mortos, sim, mas eles tentaram. Outra coisa é que as revoluções produzem seus monstros, e alguns muito rapidamente, como ocorreu com o comunismo. Os franceses acreditaram que a emancipação iria durar mais. Um historiador francês da cultura me contou que poucos dias depois da revolução chegou uma comissão da Grã-Bretanha porque estavam convencidos de que, se os cidadãos eram todos e eram iguais, não tinham por que vir a Paris para pedir licença para falar bem seu idioma ou fazer coisas que tinham a ver com seus costumes. E sabem o que fez Robespierre? Mandou cortar-lhes a cabeça. Se há um país centralista no mundo, a contradição das contradições, é a França.

Eu ouço e reflito. Podemos concordar ou não, mas o sujeito do progresso e do desenvolvimento é um sujeito que soma saber e poder. Por um lado, um saber técnico científico e, por outro lado, um poder baseado na propriedade privada que tem seu reflexo simbólico no dinheiro. Esse, para mim, é o sujeito da modernidade que constrói um modo de entender o progresso. Qual é o sujeito da emancipação?

O sujeito da emancipação tem, sem dúvida, junto com a precariedade dos intervalos, algo de saber e algo de poder.

Mas o que é saber e o que é poder a partir da concepção da emancipação?

É um tipo de saber menos pensado a partir do sujeito individual e mais a partir de um sujeito comunitário, ou seja, libertário. Um saber que está em função de que mais gente saiba. A emancipação, para mim, passa por um saber desligado do saber e do poder hegemônico. Porque há outros vocabulários, outros saberes, outras formas de poder. Porque para outros tipos de saberes é mais difícil fazer o gol de que o único poder é o econômico.

Pensando outra vez nos sujeitos da emancipação, penso-os como sujeitos situados em um âmbito concreto. O sujeito da emancipação é um sujeito genérico ou é um sujeito inserido em um lugar que o constitui de alguma maneira? Custa-me pensar em sujeitos genéricos.

A palavra sujeito é sua. Eu não a coloquei.

De acordo. Atores?

Bom. Mas faço a advertência, porque é o enredo no qual alguém se mete quando coloca a palavra sujeito. É uma palavra com uma ambiguidade terrível. Foucault tentou acabar com ela e Derrida fez também todo o possível.

Primeiro, porque na linguagem comum “sujeito” é quem está sujeito a outro. Ou seja, todo o contrário do que significa nobremente falando. Sujeito é sujeitado. Mas acontece que tem uma história filosófica que tem a ver com Descartes. Não é uma palavra que não existia antes, mas o sentido que nós damos a ela é o da modernidade: o sujeito moderno é um sujeito autônomo. É uma contradição nos próprios termos. Mas, bem… sujeito autônomo moderno. É isso. É o emancipado. Sujeito autônomo emancipado… aquele capaz de pensar com sua cabeça. Aquele capaz de tomar decisões que não sejam induzidas nem pelo costume, nem pelo poder.

É isso o sujeito moderno? Esse é o cidadão que acreditamos que existiu e que é o ideal para ter uma sociedade democrática, uma sociedade que respeita a diversidade, o que é difícil, que é contra a desigualdade, o que é muito mais difícil ainda. De maneira que a emancipação está aí: lutar contra a desigualdade, a favor da diversidade

Quinta, 27 de novembro de 2014

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537910-bem-vindos-de-volta-ao-caos-entrevista-com-jesus-martin-barbeiro

O professor de Harvard que ensina a ser feliz

Os cursos mais populares da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, não ensinam medicina nem direito, mas felicidade. No ano passado, mais de 1 000 alunos se inscreveram para assistir às aulas do professor Tal Ben-Shahar, que usa um ramo da psicologia para ajudar os estudantes de graduação na busca da realização pessoal.

Na primeira vez que ministrou o curso, há dez anos, oito pessoas se inscreveram. A fama cresceu e, embora os alunos façam trabalhos, não recebem notas, mas algo mais pessoal. “Eles falam que a aula muda a vida deles”, diz Tal. Nesta entrevista, ele mostra como encontrar satisfação profissional e pessoal.

VOCÊ S/A – Aulas que têm como enfoque otimismo e felicidade não são algo comum em uma universidade tradicional como Harvard. Por que criou o curso?

Tal Ben-Shahar – Comecei a estudar psicologia positiva e a ciência da felicidade porque me sentia infeliz. No meu segundo ano de estudante em Harvard, quando cursava ciência da computação, eu era bem-sucedido, pois tinha boas notas e tempo para atividades que me davam prazer, como jogar squash. Mesmo assim era infeliz.

Para entender por que, mudei de área e fui cursar filosofia e psicologia. Meu objetivo era responder a duas perguntas: por que estou triste e como posso ficar feliz? Estudar isso me ajudou, e decidi compartilhar o que aprendi.

VOCÊ S/A – Uma pesquisa de doutorado feita no Brasil revela visões diferentes do que é ser bem-sucedido, que vão além de dinheiro e poder. As pessoas buscam algo mais profundo?

Tal Ben-Shahar – Sucesso não traz, necessariamente, felicidade. Ter dinheiro ou ser famoso só nos faz ter faíscas de alegria. A definição de sucesso para as gerações mais novas mudou. Não é que as pessoas não busquem dinheiro e poder, mas há outros incentivos.

No passado, sucesso era definido de maneira restrita, e as pessoas ficavam numa empresa até a aposentadoria. Agora, há uma ânsia por ascender no trabalho, ter equilíbrio na vida pessoal e encontrar um propósito.

VOCÊ S/A – Qual a principal lição sobre a felicidade o senhor aprendeu? 

O que realmente interfere na felicidade é o tempo que passamos com pessoas que são importantes para nós, como amigos e familiares — mas só se você estiver por inteiro: não adianta ficar no celular quando se encontrar com quem você ama. Hoje, muita gente prioriza o trabalho em vez dos relacionamentos, e isso aumenta a infelicidade.

VOCÊ S/A – Descobrir para onde queremos ir seria a grande questão?

Muita gente não sabe o que pretende da vida simplesmente porque nunca pensou sobre o assunto. As pessoas vivem no piloto automático. Ouvem de alguém que deveriam ser advogado ou médico, e acreditam em vez de se perguntar do que gostam. Essa é a questão fundamental.

VOCÊ S/A – Como aplicar as diretrizes da psicologia positiva no dia a dia do trabalho?

Uma maneira é pensar nos progressos diários que um profissional alcança no fim de cada dia. Segundo uma pesquisa de Teresa Amabile, professora de administração da Harvard Business School, quem faz isso tem índices mais altos de satisfação e é mais produtivo.

Deve-se também valorizar os próprios pontos fortes e, no caso dos chefes, os pontos fortes das pessoas da equipe, o que aumenta a eficiência dos times. Isso não significa deixar de lado as fraquezas, que devem ser gerenciadas. Apenas que a maior parte da energia precisa ser gasta fortalecendo os pontos fortes ao máximo.

VOCÊ S/A – Dá para fazer isso mesmo em momentos de crise ou de baixo desempenho?

Sim, desde que os profissionais sejam realistas. Em 2000, quando Jack Welch­ (ex-presidente da GE e referência em gestão) foi nomeado o gerente do século pela revista Fortune, perguntaram que conselho ele daria a outros gerentes. A resposta foi: aprendam a encarar a realidade.

O mesmo se aplica nesse caso. A psicologia positiva não defende que os erros e os pontos fracos sejam ignorados. Apenas propõe uma mudança de foco: parar de enxergar só o que vai mal e ver o que dá certo — mesmo nas crises. A proposta é observar o quadro completo da realidade.

VOCÊ S/A – Qual sua opinião sobre o discurso de que basta fazer o que ama para encontrar satisfação profissional?

Isso pode ser a solução para alguns. Na maioria dos lugares e trabalhos, é possível identificar aspectos significativos para cada pessoa. Uma pesquisa feita com profissionais que trabalham em hospitais mostrou que tanto no caso de médicos quanto de enfermeiros e auxiliares havia profissionais que enxergavam o trabalho como um chamado e outros que o viam apenas como um emprego.

Em outras palavras, o foco que damos ao trabalho acaba sendo mais importante do que a natureza dele. Alguém que é funcionário de um banco pode pensar que trabalha com planilhas o dia todo ou que está ajudando as pessoas a gerenciar sua vida.

VOCÊ S/A – O jornalista britânico Oliver Burkeman defende que não se deve buscar felicidade, mas o equilíbrio, pois ninguém pode ser feliz sempre. O que acha disso?

Concordo. A primeira lição que dou na minha aula é que nós precisamos nos conceder a permissão de sermos seres humanos. Isso significa vivenciar emoções dolorosas, como raiva, tristeza e decepção. Temos dificuldade de aceitar que todo mundo sente essas emoções às vezes. Não aceitar isso leva à frustração e à infelicidade.

VOCÊ S/A – O senhor é feliz? 

Eu me considero mais feliz hoje do que há 20 anos e creio que serei ainda mais feliz daqui a cinco anos. A felicidade não é estática. É um processo que termina apenas com a morte. Encontrei significado em meu trabalho e faço o que me dá prazer, mesmo tendo, como todo mundo, momentos de estresse e sofrimento — esse é o equilíbrio que todo profissional deve almejar.

Mas também procuro desfrutar de coisas fora do mundo do trabalho: passar tempo com minha família, com meus amigos e encontrar um espaço na agenda para a ioga. Tudo com moderação.

24/11/2014 – http://www.gsmd.com.br/pt/noticias/gestao-de-pessoas/o-professor-de-harvard-que-ensina-a-ser-feliz

Zygmunt Bauman: Estamos isolados em rede?

“As relações humanas não são mais espaços de certeza, tranquilidade e conforto espiritual. Em vez disso, transformaram-se numa fonte prolífica de ansiedade. Em lugar de oferecerem o ambicionado repouso, prometem uma ansiedade perpétua e uma vida em estado de alerta. Os sinais de aflição nunca vão parar de piscar, os toques de alarme nunca vão parar de soar.” – Zygmunt Bauman

Em tempos líquidos, a crise de confiança traz consequências para os vínculos que são construídos. Estamos em rede, mas isolados dentro de uma estrutura que nos protege e, ao mesmo tempo, nos expõe. É isso mesmo? O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em seu livro Medo líquido, diz que estamos fragilizando nossas relações e, diante disso, nos contatamos inúmeras vezes, seja qual for a ferramenta digital que usamos, acreditando que a quantidade vai superar a qualidade que gostaríamos de ter.

Bauman diz que, nesses tempos líquidos-modernos, os homens precisam e desejam que seus vínculos sejam mais sólidos e reais. Por que isso acontece? Seriam as novas redes de relacionamento que são formadas em espaços digitais que trazem a noção de aproximação? Talvez sim, afinal a conexão com a rede, muitas vezes, se dá em momentos de isolamento real. O sociológo, então, aponta que, quanto mais ampla a nossa rede, mais comprimida ela está no painel do celular. “Preferimos investir nossas esperanças em ‘redes’ em vez de parcerias, esperando que em uma rede sempre haja celulares disponíveis para enviar e receber mensagens de lealdade”, aponta ele.

E já que as novas sociabilidades, aumentadas pelas pequenas telas dos dispositivos móveis, nos impedem de formar fisicamente as redes de parcerias, Bauman diz que apelamos, então, para a quantidade de novas mensagens, novas participações, para as manifestações efusivas nessas redes sociais digitais. Tornamo-nos, portanto, seres que se sentem seguros somente se conectados a essas redes. Fora delas os relacionamentos são frágeis, superficiais, “um cemitério de esperanças destruídas e expectativas frustradas”.

A liquidez do mundo moderno esvai-se pela vida, parece que participa de tudo, mas os habitantes dessa atual modernidade, na verdade, fogem dos problemas em vez de enfrentá-los. Quando as manifestações vão para as ruas, elas chamam a atenção porque se estranha a formação de redes de parceria reais. “Para vínculos humanos, a crise de confiança é má notícia. De clareiras isoladas e bem protegidas, lugares onde se esperava retirar (enfim!) a armadura pesada e a máscara rígida que precisam ser usadas na imensidão do mundo lá fora, duro e competitivo, as ‘redes’ de vínculos humanos se transformam em territórios de fronteira em que é preciso travar, dia após dia, intermináveis conflitos de reconhecimento.”

11/11/2014

http://www.fronteiras.com/canalfronteiras/entrevistas/?16%2C305

Brasil tem três chaves da pós-modernidade, diz Maffesoli

Para o sociólogo francês, professor da Universidade de Sorbonne, criatividade, temporalidade focada no presente e sentido de comunidade são características nacionais

por Isabela Vieira – Agência Brasil   publicado às 08:43 de 11/11/2014, modificado às 08:43 de 11/11/2014

Ao reafirmar ontem (10) que o Brasil é um “laboratório da pós-modernidade”, o sociólogo francês Michel Maffesoli, professor da Universidade de Sorbonne, destacou que o país tem três das cinco chaves para compreender a sociedade contemporânea e acelerar o seu crescimento econômico. Ele participou de palestra na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

O sociólogo francês Michel Maffesoli. Foto: Jérôme Choain/Flickr (2011)

A primeira chave, segundo Maffesoli, é a criatividade que, na sua avaliação, é uma das marcas da juventude brasileira. “É um momento que, no sentido simples, há uma efervescência, um formigamento”. O sociólogo, que é observador atento dos movimentos envolvendo os jovens, entende que essa criatividade é uma das marcas do novo “valor do trabalho” (uma das chaves de sua teoria), que precisa ser apropriado por empresas e gestores.

Outro aspecto apontado pelo sociólogo é a “temporalidade” focada no presente, que atribui ao tempo todas as transformações, em contraposição ao futuro, chave da modernidade. “Há energia intensa no ar [no Brasil, que deve ser aproveitada]”, disse.

A terceira chave, de acordo com Maffesoli, é aquela que contrapõe a ideia de individualismo. Para o sociólogo, na contemporaneidade, as pessoas se juntam cada vez mais em tribos, para desfrutar das experiências. “Vejo nos meus alunos brasileiros: não é mais o eu, é o nós; a comunidade passa a ser mais importante que o indivíduo, que era a marca moderna”.

As demais chaves são usadas por Maffesoli para explicar as transformações da contemporaneidade. Ele cita o “utilitarismo”, por meio da estética compartilhada. “Está emergindo a estetização da existência, das emoções por meio da música e da arte. Tudo é feito para se compartilhar e vibrar junto, como os shows esportivos, musicais e religiosos”. Por fim, a saturação da sistematização da razão, o “racionalismo”, a necessidade atual de “mobilizar afetos”.

Durante a palestra, o sociólogo também destacou que o trabalho e o dinheiro, um dos pilares da sociedade moderna, estão sendo substituídos por produtos da criatividade, como arte e cultura, com potencial muito maior de mobilização.

Como exemplo dessa teoria, ele mencionou uma pesquisa encomendada pela equivalente à Federação das Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) da França, que concluiu que “os salários não são mais o grande retentor de talentos. As pessoas querem trabalhar em empresas cool [legais], que mantenham os trabalhadores com políticas de bem-estar”.

Maffesoli também abordou o atual modelo educacional, classificado por ele como “podre” por ser vertical. O ideal, sugere,  seria uma forma de iniciação, de acompanhamento do aprendiz. “O jeito pós-moderno é horizontal”, disse. “De fato, com a tecnologia, são os fóruns de discussão, as redes sociais, como o Facebook que recusam o poder vertical, mas precisam de uma autoridade [o mediador, o administrador] a vingar”.

Perguntado sobre o livro do professor da Escola de Economia de Paris, Thomas Piketty, O Capital no Século 21, que fala da disparidade da concentração de renda, Maffesoli disse que não teve tempo de lê-lo. Mas que o aumento das desigualdades, no contexto atual, resultado do acirramento das diferenças, da concentração de pessoas em tribos, já era esperado. “A igualdade sempre foi um mito na modernidade”, reforçou o intelectual da pós-modernidade.

http://www.cidadenova.org.br/editorial/informa/934-brasil_tem_tres_chaves_da_pos_modernidade

Para Maffesoli, crise tem origem na saturação dos valores da Modernidade

Para sociólogo francês, Brasil é um laboratório pós-moderno ao congregar valores como criatividade, presente e comunidade

por Clarice Spitz

sociólogo francês Michel Maffesoli, um dos maiores teóricos da Pós-Modernidade, diz não ver a economia na origem da crise mundial. Antes, afirma o professor da Sorbonne, diretor do Centro de Estudos sobre o Atual e o Cotidiano e do Centro de Pesquisas sobre o Imaginário (M.S.H.), que veio ao Brasil para uma série de conferências, a crise está, na base, na saturação de valores da Modernidade, como individualismo, racionalidade, futuro como progresso, trabalho como valor e utilitarismo.

Michel Maffesoli, sociólogo francês, não vê a economia na origem da crise mundial. Professor veio ao Brasil para série de conferências – Divulgação/Didier Goupy / Divulgação/Didier Goupy

Para uma plateia formada por acadêmicos, estudantes e empresários em conferência nesta segunda-feira na Associação Comercial do Rio em evento organizado em conjunto com o Instituto Palavra Aberta e com o Ibmec, Maffesoli diz ver no Brasil um laboratório da Pós-Modernidade, por abrigar na sua cultura valores como criatividade, presente e comunidade. Ele afirma que a sociedade de maneira geral vive um momento paradoxal em que conceitos modernos e pós-modernos coexistem.

— A palavra democracia não quer dizer mais nada, a liberdade não está mais na pauta do dia. O conceito de Estado-Nação dá lugar ao localismo, ao mosaico de ideias. Não é mais o materialismo que vai predominar, a dimensão somente econômica não vai predominar — afirma o professor, que orientou vários estudantes brasileiros na França.

Com base nas novas tecnologias, no conceito de horizontalidade da internet, na percepção das gerações mais jovens, Maffesoli baseia sua série de hipóteses. Agora, segundo ele, não existe mais o indivíduo, mas pessoas múltiplas. Não se está preso a uma identidade sexual ou profissional, pode-se ser várias coisas diferentes e não excludentes. O presente se contrapõe à noção de futuro. As coisas inúteis também são importantes, haja vista que a Google quer que seus funcionários gastem parte do tempo de seu dia pensando em outras coisas, que não apenas o trabalho.

— O fim do mundo não é o fim do mundo, mas a sua metamorfose. Nós vimos por muito tempo a luz de uma estrela morta — disse, ao afirmar que ainda vivemos com os valores do século XIX.

Autor de diversos livros, ele lança no Brasil ‘Homo Eroticus – As Comunidades Emocionais’, pela editora Forense. Ao ser indagado, diz que não comenta o livro do colega Thomas Piketty “O Capital no século XIX” porque não o leu. Grande demais, disse. Ele diz, no entanto, que o igualitarismo, democracia, liberdade e educação são temas que estão em crise.

— A democracia moderna se baseia no hierárquico, mas agora há o retorno das diferenças. Podemos pensar num ajuste das desigualdades, mas não no fim das desigualdades. Estamos em um período em que a crueldade vai retornar. A Modernidade foi essencialmente dramática, mas havia uma solução, agora vamos nos virar com o que dá prá ser. Não se resolve tudo, mas, ao mesmo tempo, há vida com sombra e luz — afirma

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/para-maffesoli-crise-tem-origem-na-saturacao-dos-valores-da-modernidade-14522523#ixzz3MeemtIFE

Coca-Cola, Tam e Lan se unem para conectar pessoas neste Natal

Coca-Cola, Tam e Lan lançam campanha “Conectando a Felicidade” para aproximar pessoas em diferentes lugares do mundo, por meio de videomensagens, que serão gravadas nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e Santiago do Chile. Os recados serrão entregues de maneira inusitada e surpreendente: um vídeo em uma pequena tela LCD, dentro de uma maleta especialmente desenvolvida para a ação. A criação é da Bullet Promo.

No próximo sábado, dia 15, promotoras uniformizadas estarão no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, orientando as pessoas que quiserem gravar uma mensagem de Natal. No Chile, as gravações serão feitas no Aeroporto Arturo Merino Benitez, na capital, no dia 22. Nos dois dias, um totem equipado com uma tela touch screen e uma câmera estarão instalados no setor de embarque dos aeroportos, onde 100 pessoas em cada aeroporto poderão gravar as mensagens.
Natal, Conectando a felicidade, Coca-Cola

Por Roberta Moraes, do Mundo do Marketing | 11/11/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/32173/coca-cola-tam-e-lan-se-unem-para-conectar-pessoas-neste-natal.html