O início da era da voz no varejo brasileiro e seus possíveis impactos

A Alexa está entre nós, finalmente.

Na semana passada, a Amazon mostrou mais uma vez que está disposta a entrar de vez no mercado brasileiro com todo seu ecossistema de soluções. A empresa lançou, na semana passada, a Alexa, sua assistente de voz, em português do Brasil (com direito a uma fala menos formal e por vezes até “brincalhona”).

Junto com a Alexa, a empresa lançou oficialmente seus devices da família Echo, que ajudam a automatizar uma série de funções na casa, além de lançar em conjunto uma série de equipamentos compatíveis, como controladores, lâmpadas inteligentes e até mesmo televisores que em breve poderão ser acionados “via Alexa”.

Embora a Google tenha lançado até mesmo uma casa automatizada há alguns meses, mostrando as capacidades de seu assistente de voz, a Amazon é a primeira empresa que traz oficialmente equipamentos oficiais e compatíveis para o Brasil. O Google Mini, por exemplo, extremamente popular onde é comercializado pelo baixo custo e ótimo benefício, ainda só é encontrado em marketplaces na versão importada.

Mas não se trata apenas de algo para tornar sua casa mais automatizada, ou inteligente. Trata-se de inaugurar uma nova era do varejo, a era da voz. Passamos da era do balcão, do varejo físico, à era do teclado, no início do e-commerce, e, mais recentemente, da era do teclado, à era “touch”, iniciada com a revolução digital e mobile.

Ao longo dos últimos anos vimos uma série de inovações em torno da Alexa acontecendo lá fora, de leitores de códigos de barra (Dash Wand, se lembra disso?) ao lançamento dos Dash Buttons, ainda em 2015, que prometiam uma reposição automatizada de alguns produtos ao toque de um botão, passando pela aquisição de players como a Whole Foods e uma aposta cada vez mais forte na logística própria.

A empresa buscava não somente ser dominante no Share of Mind na hora de iniciar qualquer jornada de compra (já que hoje é o segundo maior site de buscas utilizado no mundo), mas também se tornar a principal opção efetiva de compra também nos produtos de dia a dia, não somente nos eletroeletrônicos, livros, e outras categorias que sempre soube trabalhar bem.

E se ao mesmo tempo isso se mostra inovador, prático e interessante, por que então os mais de 100 mil equipamentos da família Alexa já vendidos desde o lançamento até o início deste ano, representaram apenas uma venda de US$ 2,1 bi, apenas uma parcela de 0,4% das vendas eletrônicas? Em minha opinião, é uma questão de timing e nunca a hora foi melhor do que essa. Esse é o momento.

Para a empresa de tendências do universo digital Comscore, metade das pesquisas eletrônicas, onde se iniciam a maioria das jornadas de compra hoje, irá passar por algum assistente de voz até o final de 2020. É uma previsão muito arriscada e otimista, mas é possível se analisarmos alguns fatores.

Um deles está na questão da barreira de se usar equipamentos digitais como celulares e computadores, ainda difíceis para muita gente, se comparados à voz, que pode permitir que mais pessoas se sintam à vontade com a conversa virtual e se sintam mais confortáveis para comprar de maneira digital.

O avanço da inteligência artificial, somados à questão até mesmo da linguagem mais informal adotada para o Brasil, pode tornar a conversa mais fluída, mais “normal”, para o consumidor.

Falando de Brasil, a questão da logística, complexa se fosse utilizado o mesmo modelo americano, parece estar encontrando sua solução em players e modelos de negócio como Rappi, iFood, Melhor Envio, entre outros.

Se no passado a compra cotidiana era pensada para a Alexa no modelo de listas de compra, onde se adicionavam itens e em algum momento você compraria online, ou até mesmo levaria essa lista para um mercado, penso que com o avanço da logística e o quanto ela poderá avançar nos próximos anos, pensaremos cada vez menos no modelo lista e cada vez mais no momento “comprar agora”. A parceria da Alexa no Brasil desde já com players como iFood começa a desenhar esse caminho.

Não acredito que ninguém comprará facilmente um televisor ou uma roupa puramente via voz. Alguns produtos hoje ainda precisam ser visualizados ou até mesmo experimentados para depois serão comprados. Penso que muito do que fazemos hoje de forma “digital”, embora ainda um universo novo para todos, será comprado via voz em pouquíssimo tempo.

Você está fazendo um churrasco e acaba a cerveja gelada. Suas opções hoje são pegar o carro e ir comprar no local mais próximo, ou pegar o celular e pedir entrega de algum lugar (seja via aplicativo ou telefone). Em pouco tempo, uma opção mais simples, como “Alexa, comprar cerveja gelada agora” fará parte do seu dia a dia, provavelmente já entendendo suas preferências, como marca e local. De alimentos, produtos de higiene e limpeza a até mesmo medicamentos, uma quantidade gigantesca de produtos e oportunidades começam a acontecer.

A exemplo das dark kitchens, espaços de preparo de alimentos criados exclusivamente para atender aos novos serviços de delivery, o que poderá acontecer com negócios como mercearias, supermercados, farmácias, entre outros, frente ao crescimento dessa nova modalidade de compra? Sem o apelo visual, como ficariam produtos que tem boa parte de suas vendas atreladas ao impulso e à venda do tipo cruzada?

Ainda são questões que teremos que responder com mais certeza ao passo descobrirmos como serão os desdobramentos e a aceitação dessas novas possibilidades frente aos nossos consumidores.

Há muito a ser considerado, mas uma coisa é fato: bem-vindo à era da voz no varejo brasileiro.

Transformação digital mudando comportamentos e a dinâmica do varejo e consumo

Que nenhuma outra indústria é tão afetada pela demanda do cliente quanto o varejo é óbvio. Sabemos que os clientes de hoje querem experiências de compras imediatas e fáceis, 24×7 – e querem isso para ontem.

O consumidor está cada vez mais conectado, comunicativo e rápido. Segundo uma pesquisa americana, o tempo médio para a população americana adotar uma nova tecnologia após o ano de seu lançamento no mercado tem diminuído rapidamente. Para se ter uma ideia, o televisor levou 26 anos. Já o PC, 16 anos, e a Web levou somente 7 anos, ou seja, menos de 1/3 do tempo do televisor. Ainda em relação aos americanos, a Web já está presente para 88% da população entre 16 e 64 anos. O Brasil não está “feio na foto”, aqui ela está presente em 67% da população desta mesma faixa etária.

A outra boa notícia é que os brasileiros conectados estão entre os mais ávidos usuários da internet, ficando nela aproximadamente 9h por dia, sendo 5h no PC e 4h no mobile. É claro que as redes sociais e o ambiente de trabalho têm influência direta nisso. Porém, segundo dados do Ebit, na categoria de bens de consumo houve um crescimento de vendas no e-commerce na ordem de 12% em 2018 e a previsão para 2019 e 2020 são de 19% e 18%, respectivamente.

Alguns movimentos chamam atenção em relação aos brasileiros no uso de tecnologia em suas jornadas de compra, tanto no digital quanto no físico. Destaco alguns:

  1. Experiência total: mais interação com o produto físico explorando o uso de realidade virtual, realidade aumentada e 3D. São as tecnologias que devem crescer em importância e relevância nos próximos anos.
  2. Tudo que vai, volta: mais facilidade no processo de devolução, tanto nas compras feitas pela internet, quando naquelas feitas pelos clientes em lojas físicas com entrega em domicílio. Neste tópico quero compartilhar uma recente experiência pessoal. Fiz uma compra no site de uma empresa americana de cosméticos e fiquei muito satisfeito com o lead-time de entrega, mas o que mais me chamou a atenção foi que junto com o produto veio um formulário para preenchimento caso tivesse algum problema com a compra, além das etiquetas já preenchidas com o endereço para a devolução e meu remetente. Simples e funcional.
  3. Descomplicado: mais facilidade no processo de compra, seja no digital – “one click” ou na redução da fricção em lojas físicas – equipes “multiskills”, autosserviço e, principalmente, agilidade no processo de pagamento. Uma das coisas mais frustrantes nos dias de hoje é chegar ao caixa e descobrir que eles não aceitam pagamentos com carteiras digitais, tais como ApplePay e SamsungPay.
  4. Na palma da mão: aumento de vendas via aplicativos de compras, principalmente se oferecerem algum benefício adicional para os consumidores, tais como frete reduzido ou grátis, descontos e programas de relacionamento e fidelidade.
  5. Especial para mim: consumidores ainda mais estimulados por promoções, desde que direcionadas e não massificadas.
  6. Inteligência artificial: atendimento e interação com consumidores humanizados, porém com suporte de robôs para aumentar a eficiência operacional e SLAs. Destacam-se aqui os conhecidos Watson, Leonardo, Siri, Carol e a Bia!

Segundo dados da Sales Force, o uso de inteligência artificial em vendas de produtos tem forte impacto. 83% das empresas reportaram aumento da retenção de clientes e, para 74%, a velocidade de vendas aumentou.

Do outro lado, também aumentam a expectativa dos clientes. 55% dos consumidores já esperam receber ofertas e serviços personalizados, 58% afirmam que a tecnologia mudou o que esperam das empresas e 51% acreditam que até 2020 as empresas vão antecipar as necessidades dos clientes.

A transformação digital também altera a forma que as empresas devem se comunicar com o mercado. As redes sociais, sites de comparação de preço e de varejistas monomarca são os mais representativos para inspiração de compras. No lado oposto, os mais insignificantes são e-mails marketing, imprensa e revistas digitais. Destaca-se a importância dos Youtubers, digital influencers e blogueiros “especializados”.

Os movimentos da transformação digital são bem-vindos e ninguém tem dúvida. Mas tenho que confessar que o lado esquerdo do meu cérebro me diz que as grandes tendências e mudanças no processo de compra devem estar mais na direção da eficiência operacional do que em experiências que não convertam em vendas.

Obviamente, os esforços omnichannel já existem há algum tempo, mas não posso dizer que todos tenham sido bem-sucedidos. A experiência de comprar online, optando por pegar o produto na loja, e chegando lá ninguém saber do pedido, ou de onde se encontra o pacote pode parecer cômico, mas é trágico e ainda muito presente em terras brasileiras.

O omnichannel funcional pode não ser uma das tendências mais sexy de transformação digital no varejo, mas é definitivamente a mais necessária no curto prazo.

Vamos fazer um wrap-up:

  • Consumidores estão deixando de comprar em muitas lojas físicas e abrindo espaço para os canais digitais. Eles não entram mais nas lojas apenas para conhecer produtos que não sabem se querem. Eles entram para viver a experiência ao redor daquele produto e comprar aquilo que já sabem que querem. A loja física precisa se reinventar.
  • Os diferenciais do varejo digital além do preço são aqueles que os consumidores mais buscam e quase nunca são entregues pelas lojas físicas. Atendimento e hospitalidade continuarão sendo o fiel da balança. E tudo isso acontecendo em um novo ponto de venda com muito mais diferenciais e opções para os consumidores. Essas transformações no varejo e no consumo já estão sendo trabalhadas em escalas globais.
  • A loja do futuro, ou futuro da loja, passa pela transformação do POS tradicional em PDX. E, o mais importante, com baixíssimo atrito e muita experiência para o consumidor.
  • A integração de canais e a ativação digital na loja possibilita adequar a jornada de compras do consumidor e com isso entregar uma experiência única. Porém, ainda existem barreiras culturais e econômicas para implantar todas as iniciativas e precisamos estar preparados para isso.
  • Lojas estão repensando seus formatos por conta da integração com o digital, custos, produtividade e necessidade rápida de expansão. As lojas inteligentes têm papel fundamental nesta estratégia. Porém é primordial que essas marcas de varejo sejam consistentes em suas propostas de valor e entreguem atributos relevantes para o consumidor para se diferenciar da concorrência.
  • O consumidor é digital, ele exige respostas rápidas, quer falar e ser ouvido.
  • As mídias sociais são, atualmente, as principais plataformas para uma comunicação efetiva com o seu cliente (relacionamento de marca, promocional, feedbacks, fans etc.).
  • A internet tende a estar cada vez melhor distribuída, em um futuro próximo, a todos e de graça.
  • Cultura de captura de dados é importante, mas o mais importante é ter a cultura de gestão e tomada de decisões baseadas em dados, conhecendo cada vez mais o seu cliente, e utilizando-os para buscar sempre a oferta mais assertiva. Lembre-se: dados vencem qualquer opinião.
  • Ousar e testar novos modelos para os negócios é importante para alcançar esse consumidor.

iFood faz parceria com a Amazon para realização de pedidos via Alexa

O iFood firmou parceria com a Amazon para que seus pedidos também possam ser realizados por comando de voz. Neste mês, a assistente virtual Alexa está chegando ao Brasil e deve mudar a forma de fazer pedidos e compras.

“O iFood desenvolve projetos para possibilitar que cada vez mais pessoas tenham acesso à revolução que está acontecendo a partir da inteligência artificial. Essa inovação com a Amazon vai exatamente ao encontro do nosso objetivo de facilitar a jornada de consumo e torná-la mais prazerosa. Sabemos do importante papel que serviços virtuais por voz, como Alexa, terão nos próximos anos e queremos levar mais essa inovação ao dia a dia dos nossos usuários”, disse Bruno Henriques, vice-presidente de Inteligência Artificial do iFood.

A partir do comando de voz, a Alexa irá direcionar o usuário para a escolha de restaurantes e opções de pratos entre os mais de 30 tipos de culinária disponíveis na plataforma do iFood. Para usar o tecnologia, o cliente deverá dizer o comando “Alexa, falar com o iFood” ou “Alexa abrir o iFood” e poderá obter informações sobre pedidos e também acompanhar o status, como tempo de preparação do restaurante, estimativa de entrega e chegada.

Para Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP, a tecnologia deverá trazer muitas mudanças para os hábitos de consumo do país: “Há alguns anos, nós víamos isso em filme e parecia um sonho. Pensava “que legal, espero que venha algum dia para o Brasil” e agora está se tornando uma realidade”.

O recurso do aplicativo de delivery será compatível com todos os dispositivos Alexa que estão chegando ao Brasil e funcionará com comandos de voz para fazer e rastrear pedidos. Com a assistente virtual, a Amazon mostra que a Internet das Coisas (IoT) é uma realidade no dia a dia das pessoas.

“Estamos empolgados em trabalhar com o iFood para aprimorar a experiência de seus clientes via Alexa”, disse Jose Nilo Martins, gerente nacional da Alexa Skills Brasil. “Acreditamos que a voz é o futuro, e o recurso compatível com o iFood é um exemplo de como a voz facilita a vida – permitindo que você gerencie e obtenha informações sobre seu pedido no aplicativo, apenas perguntando.”

A empresa de delivery está investindo em Inteligência Artificial para desenvolver todo o ecossistema de food delivery. A companhia anunciou, em abril deste ano, investimentos de US$ 20 milhões para os próximos meses para fortalecer sua área de AI, o que inclui a criação de uma Academia de Inteligência Artificial para desenvolver pesquisas nas áreas de deep learning, machine learning e eficiência logística.

Camargo acredita que as compras e serviços de conveniência deverão mudar. “Tem a opção de fazer compras de supermercados e itens básicos. Isso facilita muito o dia a dia! Já outras áreas como moda e eletrônicos não devem ser tão impactadas, porque não são itens que você vai comprar sem olhar”, afirmou.

A realização de compras não pode ser realizada no momento por meio da Alexa no Brasil. A tecnologia deverá ser implementada futuramente. No momento, é possível montar o carrinho de compras e acompanhar pedidos já realizados.

Cerca de 70% das pessoas substituirão ida às lojas por assistentes de voz

Cada vez mais, os consumidores preferem interagir com assistentes de voz e chatbots do que com humanos, principalmente quando pesquisam produtos ou respondem a perguntas de atendimento ao cliente após fazer uma compra. Cerca de 70% das pessoas usarão gradualmente assistentes de voz para substituir visitas a uma loja ou banco nos próximos três anos, segundo uma pesquisa do Capgemini Research Institute.

A satisfação do consumidor com os assistentes de voz também aumentou nos últimos dois anos. A porcentagem de pessoas que disseram que estavam satisfeitas com um assistente de voz como Alexa ou Siri em seus smartphones aumentou para 72% este ano, ante 61% em 2017.

A satisfação com um alto-falante inteligente com voz como o Google Home ou Amazon Echo subiu para 64% este ano, ante 46% em 2017. Para telas inteligentes ativadas por voz como o Amazon Echo Show, a satisfação do consumidor saltou para 57% este ano, de 44% em 2017.

A porcentagem de pessoas que usaram assistentes de voz para comprar produtos aumentou para 53% este ano, ante 35% em 2017, enquanto os pagamentos virtuais aumentaram 20 pontos percentuais no mesmo período. As interações com o atendimento ao cliente após a compra aumentaram passaram de 37% para 52%, de acordo com a pesquisa.

Os chatbots e assistentes de voz foram ridicularizados por fornecer funcionalidade limitada e conversas frustrantes para os consumidores. A pesquisa da Capgemini indica que os assistentes de voz percorreram um longo caminho nos últimos anos para melhorar a satisfação do cliente e estão a caminho de economizar dinheiro para as empresas, automatizando uma gama mais ampla de serviços agora tratados por humanos.

Mais de três quartos das empresas (76%) obtiveram benefícios palpáveis com o uso de assistentes de voz ou bate-papo, enquanto 58% disseram que os benefícios haviam atendido ou excedido suas expectativas, de acordo com a pesquisa da Capgemini.

Algumas empresas conseguiram reduzir seus custos de atendimento ao cliente em mais de 20%, à medida que os consumidores se voltaram para os assistentes de voz em vez de humanos, mas esse benefício não se traduziu em adoção mais ampla entre as empresas.

Menos de 50% das 100 principais empresas do setor automotivo, de bens de consumo e varejo e os setores bancário e de seguros têm assistentes de voz ou chatbots, segundo a pesquisa da Capgemini.

Outro estudo constatou que os chatbots e a inteligência artificial (IA) são usados ​​atualmente por uma pequena fração dos varejistas, mas 76% dos comerciantes planejam lançar a tecnologia ou consideram uma implementação para os próximos dois anos.

O custo do desenvolvimento da tecnologia continua sendo um impedimento, sugerindo que as empresas de tecnologia precisam desenvolver soluções que tornem o desenvolvimento do chatbot e da IA ​​mais acessível.

A Capgemini recomenda que as empresas encontrem o equilíbrio entre interações humanas e robóticas. À medida que os consumidores passam a confiar na tecnologia, eles podem estar mais dispostos a ampliar seu envolvimento com assistentes de voz e chatbots.

Mais de dois terços (68%) dos consumidores disseram o uso do assistente de voz permite a realização de múltiplas tarefas e sem usar as mãos, enquanto 59% disseram que a personalização dos assistentes de bate-papo melhorou.

A Capgemini também recomenda que as empresas equipem os assistentes de voz com recursos adicionais, como imagens e vídeos, que possam ser vistos em dispositivos móveis ou monitores inteligentes, já que quase dois terços dos consumidores disseram que a experiência de voz seria melhorada com a adição de imagens, vídeos ou mais informação textual.

Com informações do site Retail Dive – Por Imprensa Mercado & Consumo – 

Cerca de 70% das pessoas substituirão ida às lojas por assistentes de voz

Single’s Day: conheça os fatores de sucesso

 

Você provavelmente já conhece o Dia do Solteiro, ou Single’s Day, festival criado pelo Alibaba em 2009 e que se transformou no maior evento de consumo do mundo, mas talvez o que você não saiba são os motivos pelos quais ele se tornou esse fenômeno de sucesso.Em plena Semana do Brasil, muitos dos nossos clientes (varejistas e indústria) começaram seu planejamento para a Black Friday desse ano e foi exatamente essa a minha inspiração para escrever esse artigo, pois o Single’s Day pode e deve ser fonte de inspiração nesse processo.

VAMOS AOS NÚMEROS
Alcançando a marca de USD 30,8 bilhões em vendas em 2018, o evento que acontece em um único dia se tornou duas vezes maior que a combinação da Black Friday e da Cyber Monday nos Estados Unidos, que por sua vez alcançaram em 2018 a marca de USD 14,10 bilhões. Mais impressionante ainda é comparar esse desempenho com os números brasileiros. Em 24h de evento o Alibaba sozinho faturou duas vezes mais que todo o e-commerce brasileiro fatura em um ano, algo como USD 13 bilhões.

Chama a atenção também o volume de compras realizadas através de smartphones: inacreditáveis 91,2% de tudo o que foi vendido. Não é por acaso, o leapfrog tecnológico que acontece na China fez com que ela se tornasse uma sociedade Mobile Only (e não Mobile First como é no Ocidente), a única forma que a ampla maioria dos chineses tem para acessar a internet é o smartphone, não há notebooks, tablets ou desktops.

Como as empresas sabem muito bem do reinado absoluto dos celulares e da irrelevância dos demais meios, a experiência de compra passa a ser integralmente pensada e otimizada para o celular, tornando-a assim muito superior à experiencia em um desktop, gerando um círculo virtuoso – todos usam o celular, ele é a única forma de comunicação e entrega a melhor experiência – não há motivos para não comprar através dele.

FATORES DE SUCESSO

DATA: o Alibaba precisava de uma data que não impactasse a performance de outros picos de venda já estabelecidos, bem como gostaria que o evento acontecesse em um período em que o consumidor chinês tivesse seu poder de consumo restaurado. O Single’s Day acontece bem no intervalo dos dois principais picos de venda do varejo chinês, o período Pré-Golden Week (o feriado de uma semana do Dia Nacional da China onde todos os chineses podem voltar para suas cidades natal – e claro que levam muitos presentes) e o feriado do Ano Novo Chinês, que acontece na virada de janeiro para fevereiro.

COMEMORAÇÃO: muito mais que um dia de vendas e descontos, o Single’s Day é uma grande comemoração. Toda a China é tomada por um clima de excitação e de comemoração, muito além das promoções, o festival traz para o consumidor chinês uma série de eventos que ele espera o ano todo para ver e experimentar. É durante esse período que o Alibaba e as grandes marcas trazem para a China grandes shows com os maiores artistas internacionais, eventos esportivos com os principais atletas do mundo, inúmeros eventos de ativação das marcas.

Sabe aquela excitação de assistir ao vivo um show que você sempre sonhou? Pois bem, é no Single’s Day que isso acontece na China.

ENGAJAMENTO: Alibaba e as maiores marcas do mundo sabem como ninguém engajar os consumidores e mantê-los dessa forma durante todo o festival. Valendo-se das infinitas oportunidades que o mobile oferece, as marcas inventam e reinventam formas de ativar o consumidor. Como, por exemplo, boa parte dos descontos ou acesso a itens exclusivos só podem ser usufruídos pelos consumidores se eles se engajarem de alguma forma, seja chacoalhando o celular em um momento exato do evento ou através da dinâmica See Now/Buy Now onde o consumidor compra na hora as peças da coleção que estão sendo exibidas ao vivo na passarela, tudo isso enquanto conversa ao vivo com os designers das roupas, participam através de pesquisas online e interagem com os KOL (Key Opinion Leaders – como os influenciadores são chamados na China).

Exemplo de ativação: enquanto os shows acontecem ao vivo os consumidores devem jogar um game acompanhando a música e, caso consigam uma pontuação mínima, passam a ter acessos aos descontos.

PROMOÇÕES E ATIVAÇÕES
Claro que há descontos e promoções. De acordo com o VENNData Double 11, em categorias chave o desconto médio chegou a ser 30%.

Mas não são apenas descontos que são oferecidos, as marcas passaram a explorar a venda de itens exclusivos ou combos promocionais que só podem ser adquiridos nesse dia. Não preciso nem dizer que esses itens exclusivos e com tiragem limitada são vendidos com preço premium e que acabam em poucos minutos ou horas.

Air Jordan 4 da Nike, produzidos e vendidos exclusivamente para o Single’s Day.

As marcas usam também o dia como uma das suas principais plataformas de ativação da sua estratégia de marketing e comercial, como a Nike, que oferece seus descontos e acesso a itens exclusivos apenas para os membros do seu programa de fidelidade Nike+.

Aqui estão outros cinco exemplos interessantes de como as marcas estão usando o Dia do Solteiro para entregar suas estratégias: https://www.referralcandy.com/blog/global-brands-singles-day/

A próxima tendência do varejo serão as compras por assistentes virtuais

A próxima grande tendência do varejo deverá ser o uso de assistentes virtuais, gerando a possibilidade de fazer compras por meio de comandos de voz.

Esse caminho pode parecer utópico aqui, já que os assistentes de voz ainda não são vendidos no Brasil. Mas, no mundo, a gigante Amazon já comercializou mais de 100 milhões de dispositivos com a Alexa. Sendo assim, é questão de tempo para que os assistentes de voz sejam comuns no Brasil, devido à grande conveniência que oferecem.

Esta praticidade já é encontrada nos aplicativos em smartphones e tablets, que vem crescendo. Pesquisa realizada pela Ebit aponta que as compras realizadas em dispositivos móveis cresceram 41% de 2017 para 2018. Além disso, de cada 10 pedidos realizados em lojas online, quatro foram feitos de aplicativos em 2018.

Os assistentes virtuais desempenham trabalhos como colocar musicas, marcar compromissos em agendas, enviar mensagens. Todas essas tarefas são realizadas no celular. Deste modo, é natural pensar que fazer compras também vire uma atividade feita por comando de voz ao assistente virtual.

“Não dá para baixar os aplicativos de todas as lojas. As compras pelos smartphones podem ser feitas em ‘qualquer hora, qualquer lugar’, enquanto com os assistentes de voz será em ‘toda hora, todo lugar’”, disse Ana Helena Barone, líder da Ebit|Nielsen.

A previsão é que as pessoas tenham vários assistentes de voz. Um na cozinha para ligar aparelhos e passar receitas, outro no quarto para fazer ligações, tocar música, acender e apagar a luz, além de um no carro para que não seja necessário parar de dirigir para fazer telefonemas ou trocar a música. Antes de lançar nas lojas o Echo Auto, a Amazon vendeu um milhão de unidades.

O Walmart firmou nos Estados Unidos uma parceria com o Google. Os clientes do varejista podem fazer compras usando o Google Assistente, devendo apenas listar em voz alta os produtos que querem. Ao final, só é necessário escolher se deseja retirar os produtos em uma unidade do hipermercado ou se querem fazer a compra online.

Rede Muffato transforma loja para conceito omnichannel

O Grupo Muffato inaugurou sua primeira loja com conceito omnichannel, que integra os canais offline e online. A unidade do bairro Tarumã, em Curitiba recebeu R$ 12 milhões para a realização do processo de reformulação. O objetivo é que a marca ofereça uma nova forma de relacionamento com o cliente.

No supermercado, os clientes terão acesso a uma vitrine virtual onde é possível navegar e selecionar os itens que desejam – como se fosse uma prateleira infinita, com mais opções de produtos do que aqueles que estão no estoque na loja física – e comprar os que lhe agradam online. Os preços nesta plataforma interativa tendem a ser mais competitivos e o usuário pode escolher se deseja receber o produto em casa ou retirar a compra na loja, que agora conta com um espaço destinado exclusivamente para isso. O modelo oferece 80% mais variedade em produtos eletroeletrônicos.

Outra tecnologia implementada na loja é o autocaixa, em que o cliente passa os produtos e faz o pagamento sem precisar do auxílio de um funcionário, mas sem limite na quantidade de itens, como acontece no self checkout da rede. Com a repaginação da loja os clientes podem escolher de que forma querem efetuar o checkout, dentre as cinco opções disponíveis: caixas tradicionais, caixas rápidos, autocaixa, autocaixa dinâmico e caixas do terminal ominichannel.

Também é possível comprar no site, com delivery, ou pelo Click & Collect, que permite que o cliente compre online e retire na loja com data e hora previamente agendadas, sem custo e sem filas.

Para Alexandre van Beeck, sócio-diretor da GS&Consult, a ação da rede é uma tendência no segmento. “O varejo alimentar está se adaptando, criando oportunidades para o cliente ter mais conveniência, mais facilidade de acesso aos produtos, que não necessariamente são os que têm na loja. Ao mesmo tempo, permite que o negócio do varejo seja mais inteligente, acessível e prático para quem está consumindo.”

A reformulação e modernização da loja também trouxe a ampliação de 50% do mix de produtos da linha de saudáveis – diet, sem glúten, sem lactose, fit, funcional, vegano e orgânico – com uma nutricionista para orientar os clientes; adega climatizada com sommelier e 800 rótulos de vinhos e cervejas especiais; quiosque de comida japonesa com opções de sushis, sashimis e temakis, preparados na hora e embalados para serem consumidos em casa. O supermercado recebeu um forro novo com iluminação 100% em LED, que gera uma economia de energia elétrica de até 30%.

Van Beeck afirma que a rede fez uma transformação completa na unidade. “São dois movimentos grandes. Um de mix, com a inclusão de mais produtos frescos e saudáveis e o outro da digitalização, tanto do ponto de venda quanto na facilidade e conveniência para o consumidor. O negócio ganha com mais acesso a informação e mais eficiência operacional”.