Desemprego leva brasileiro a buscar ocupação com aplicativos de varejo

Diante da grande massa de desempregados no território nacional e da diminuição do poder de compra dos consumidores, plataformas virtuais do setor varejista ganham popularidade entre os brasileiros que buscam complementação da renda familiar.

De acordo com o último balanço realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação chegou a 12,4% da população brasileira no primeiro trimestre de 2019. Isso significa um crescimento de 0.9 ponto percentual (p.p.) em relação a 2018. Já o nível de subutilização da força de trabalho – aqueles brasileiros que gostariam de aumentar a carga horária de trabalho, mas não encontram novos postos – chegou a 24,6% da população, alta de 0.8 p.p.

“Frente à grande fragilidade que o mercado de trabalho brasileiro vem enfrentando, o setor que está sustentando grande parte desses empregos informais ou fontes alternativas de rendimento é o varejo”, afirmou o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Bruno Ottoni. Ele observou que grande parte desses desempregados são jovens, conforme aponta o balanço do IBGE, já que a taxa de desocupação entre jovens de 18 e 24 anos ficou em 27,3%.

Nesse cenário, uma das plataformas online de varejo que tem absorvido parte desse contingente é a Supermercado Now. “Assim como muitos brasileiros enxergaram em aplicativos como Uber ou 99 uma fonte de renda, percebemos que a evolução do Supermercado Now seguiu a mesma linha, com possibilidade de adequação no horário de trabalho e região de atuação”, afirmou Wlademir Gomes, diretor de operações da plataforma.

A proposta do negócio é permitir que shoppers (usuários cadastrados) realizem as compras em redes varejistas parceiras e, após isso, também entreguem a mercadoria na casa de consumidores que encomendaram essa lista de itens. A remuneração desse shopper virá justamente de um percentual sobre a combinação entre o valor da compra, tempo gasto e quantidade de produtos.

“Primeiro buscamos identificar aqueles candidatos que realmente demonstrem interesse no ato de fazer compras. Outros aspectos importantes são alguns como ter bom relacionamento e agilidade para atender os pedidos”, afirmou ele, destacando que o perfil dos atuais 150 shoppers da plataforma é composto tanto por “donas de casa” com 60 anos até universitários.

Para Gomes, nos últimos anos o perfil dos candidatos para o cadastro no site tem variado bastante, se tornando mais heterogêneo – fator que tem “balanceado” os diferentes volumes de demanda em diversas regiões da capital paulista. “Hoje, temos entre 25 e 30 redes de varejo alimentar parceiras na Região Metropolitana de São Paulo. Recentemente, iniciamos expansão também para o interior do estado”, declarou Gomes, lembrando que a base atual de clientes do site está entre 15 mil e 20 mil consumidores.

Por fim, o executivo salientou que o processo de seleção dos shoppers é criterioso, o que pode ser verificado no número de aprovados na plataforma. “Mensalmente são cerca de mil candidatos. E a aprovação é de 30 em média”, complementou ele. Não foram divulgados números referentes ao faturamento do negócio.

Na mesma linha de raciocínio, o fundador da plataforma voltada para o setor do varejo ComOferta, Feliciano Abreu, diz que percebeu um interesse maior dos consumidores na possibilidade de ganhar prêmios e dinheiro nos últimos anos. “A plataforma tem como objetivo divulgar ofertas em diversas redes do setor. A partir do momento em que um consumidor visualiza uma oferta e publica no nosso site, quanto mais cliques esse anúncio tem, maior a quantidade e pontos acumulados e, consequentemente, melhores os prêmios no final do mês”, argumentou o executivo. Atualmente, segundo Abreu, o site conta com 40 mil cadastrados.

De acordo com ele, dentro dessa conjuntura econômica, os pequenos varejistas também buscam os anúncios da plataforma para compor de forma mais assertiva os estoques. “Grande parte desses negócios de pequeno porte entram no sistema para não perderem o armazenamento de determinadas mercadorias e, consequentemente, tornar esses itens mais rotativos dentro das lojas. Em momentos de crise, os consumidores têm como prioridade os preços, independentemente da marca do item”, disse o executivo.

Além disso, Abreu relembrou também que durante a paralisação dos caminhoneiros no ano passado, muitos usuários recorreram à plataforma para localizar os postos de combustíveis com preços mais baratos. “Dessa forma, muitas pessoas que conseguiram publicar ofertas desses negócios passaram a ganhar um vale combustível”, complementou o executivo.

Fonte: DCI

Bancos do Futuro – qual o papel das agências bancárias num ambiente cada vez mais digital?

Lá na distante Parnaíba, município brasileiro do estado do Piauí, com população de pouco mais de 150 mil habitantes, a TecBan inaugurou a pouco mais de três meses, de maneira discreta, sem estardalhaço, sua primeira loja conceito. A TecBan é a empresa que administra os “Bancos24Horas” em todo o Brasil. A iniciativa faz parte de um projeto piloto que testa o conceito dos “Espaços Multibanco”. Parnaíba é a primeira cidade do Brasil a receber este modelo de atendimento e foi escolhida para o projeto por ser um município relevante em um estado onde existe a procura por serviços dos terminais do Banco24Horas. Mas o que é um espaço Multibanco?

Trata-se de um imóvel onde se constrói uma agência bancária sem atendimento humano, praticamente autônoma, apenas com equipamentos de caixas eletrônicos (ATM). O espaço permite que clientes de mais de 40 instituições financeiras sejam atendidos num mesmo local, com acesso a saques, consultas de saldo, emissão de extrato e pagamento de contas, entre outras transações, sem pagar nada a mais por isso. Além de caixas eletrônicos, a população conta também com uma área de convivência climatizada e com wifi gratuito. Também está prevista para a segunda fase do projeto a incorporação de outros serviços como atendimento bancário pessoal e outras parcerias.

Bom, enquanto as criptomoedas não se tornarem populares e passarem a fazer parte do dia a dia da população, por aqui as agencias físicas bancárias terão ainda vida longa. Porém, os testes em Parnaíba podem ser o futuro que está sendo delineado para as agências bancárias no país.

Num passado recente, visitar diariamente uma agência bancária fazia parte da rotina do brasileiro. Aí surgiram os internet banking, que se aperfeiçoaram com o tempo e evoluíram para os aplicativos utilizados em smartphones e tablets. Este fenômeno tem desencadeado a migração das transações bancárias de clientes das agências para canais digitais. Mas uma nova revolução está em curso, tornando o cenário extremamente competitivo com o advento das fintechs. Essas plataformas digitais de serviços financeiros, com apoio do Banco Central, se multiplicaram nos últimos anos e têm avançado sobre mercados lucrativos dos grandes bancos, como os de crédito ao consumo e o de meios de pagamentos.

Por este cenário, é certo afirmar que a migração das transações digitais sobre as transações físicas é um caminho sem volta. Os bancos serão digitais. E qual o papel das agências físicas? A “Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2018” aponta que, em 2017, o mobile banking, caiu definitivamente no gosto dos clientes. Segundo a pesquisa, já são 56 milhões de contas ativas neste canal.

A mesma pesquisa aponta também que em regiões de melhor poder aquisitivo como o Sul e o Sudeste, com maior penetração de tecnologia, apenas eventualmente os clientes precisam recorrer às agências físicas e só para tratar de assuntos de maior complexidade. Esta é a realidade que começa se formar, sobretudo nas grandes cidades e capitais – regiões que deverão diminuir proporcionalmente a quantidade de agências físicas. Porém, num país de dimensões continentais com enormes desigualdades, em regiões com baixa escolaridade e baixa penetração da internet, ainda persistirá a necessidade da presença das agências bancárias.

É aí que Parnaíba volta em cena. Uma cidade pequena, localizada na região Nordeste, onde as dificuldades financeiras impedem a compra de smartphones sofisticados e a contratação de planos de internet móvel com grande capacidade, está sendo palco dos testes dos novos modelos de agências. A unidade de Parnaíba conta com o uso intenso da automação; sistemas de segurança e monitoramento de última geração; poucos ou nenhum atendente ou funcionários fixos; multibandeira e abertas 24 horas. É ou não é a agência bancária do futuro?

Starbucks lança loja conceito com pedido e pagamento mobile

As lojas da Starbucks seguem um mesmo padrão, em sua maioria – com exceção das unidades conceito Starbucks Roastery. Existem lojas com serviço completo, algumas com drive-thru, quiosques e alguns modelos expressos sem assentos, geralmente encontrados em áreas urbanas com grande fluxo. Mas, de forma geral, as variações são poucas.

Agora, porém, com os novos tempos, e para se adaptar a eles, a rede está tentando algo um pouco diferente com sua primeira loja Starbucks Now, que abriu recentemente em Pequim. O novo formato combina “o ambiente de café assinado da Starbucks com os pedidos e pagamentos feitos por via mobile”, de acordo com um comunicado da empresa. Essencialmente, esta versão do café foi projetada em torno das necessidades de três conjuntos distintos de consumidores: os clientes tradicionais da rede; pessoas que pedem e pagam por meio de seu aplicativo; e trabalhadores de serviços de entrega que recebem pedidos.

“A loja Starbucks Now é um testemunho de nosso compromisso inabalável de oferecer experiências inovadoras aos clientes por meio de novos formatos de varejo”, disse o diretor de operações da Starbucks China, Leo Tsoi, em comunicado. “Esta nova abordagem de formato e design de varejo nos fornece uma plataforma para oferecer aos clientes uma experiência de varejo rápida e conveniente para atender seu estilo de vida em movimento”.

Este formato inovador está sendo lançado em um momento em que a Starbucks enfrenta um sério desafio na China, com o crescimento rápido do Luckin Coffee. Essa cadeia iniciante criou seu modelo em torno de pedidos digitais por meio de um aplicativo bem conceituado, serviço rápido e entrega – suas lojas não têm assentos. Ela tinha mais de 2.400 lojas na China quando abriu seu capital em maio e tem grandes planos para expandir a partir daí. A Starbucks Now claramente (pelo menos em parte) é uma tentativa de combater o crescimento desse novo rival, tornando mais fácil para cada tipo de cliente da Starbucks obter seus pedidos rapidamente.

As atuais lojas da Starbucks foram, em grande parte, projetadas antes que o pedido e o pagamento móveis e a entrega se tornassem parte da oferta da cadeia de cafeterias. Em alguns casos, isso levou a configurações desajeitadas, com grandes multidões reunidas na área de coleta de pedidos esperando por suas bebidas e alimentos.

O Starbucks Now foi projetado para acomodar de forma mais suave todo tipo de pedido suportado pela loja. Ele também tem um menu de bebidas com curadoria “sob medida para o cliente em movimento, junto com uma variedade de itens alimentares populares”. A loja tem uma quantidade limitada de assentos e é construída principalmente para clientes ou entregadores que receberão seus pedidos e sairão.

A loja tem uma área dedicada para que os entregadores recebam seus pedidos. Isso inclui um “sistema seguro na parede com uma porta de coleta associada a cada pedido”, de acordo com o comunicado de imprensa.

Essa primeira unidade da Starbucks Now servirá como um hub de entrega para sua região, o que aliviará as lojas vizinhas dessa responsabilidade. Tem ainda uma área de preparação separada para pedidos móveis, o que deve permitir a produção sem desacelerar os clientes da loja. Em teoria isso significa que não apenas os clientes na loja obterão um serviço eficiente, mas aqueles que entrarem nas lojas próximas também deverão receber seus pedidos mais rapidamente, já que os baristas dessas outras unidades não irão preparar os pedidos de entrega.

A empresa diz que planeja trazer o formato Starbucks Now para “áreas de tráfego intenso, incluindo centros de negócios e transporte, bem como para novas cidades na China”. A empresa ainda não revelou nenhum plano para estrear nos Estados Unidos.

O pedido e o pagamento via celular se tornaram parte cada vez mais importante do modelo da Starbucks, assim como a entrega por meio de serviços de terceiros. O novo formato que está sendo testado é um reconhecimento disso, mas também atende às necessidades de seus principais clientes, que estão apenas procurando obter seu café rapidamente e seguir seu caminho.

Este modelo reconhece que faz sentido criar espaços dedicados para diferentes clientelas. Essa é uma ideia que a cadeia integrou sutilmente nas lojas mais novas dos EUA, que geralmente oferecem mais espaço para os clientes aguardarem pedidos móveis e, às vezes, incluem áreas de coleta separadas para pedidos online e em loja.

Embora a Starbucks Now possa existir apenas na China no momento, a rede a utilizará para testar conceitos que, sem dúvida, encontrarão seu caminho de volta ao mercado doméstico. Evoluir para atender às necessidades de mudança das pessoas é apenas um atendimento ao cliente inteligente.

Assistentes virtuais: as personas por trás das marcas

Oi se une a empresas como Bradesco, Carrefour e Vivo com sua AI que conversa com consumidores

Luiz Gustavo Pacete – 17 de julho de 2019 – 22h45

A Oi apresentou nesta terça-feira, 16, sua assistente virtual, a Joice. Por meio de uma campanha assinada pela NBS, o sistema de inteligência artificial da operadora apareceu pela primeira vez interagindo com o apresentador Marcos Mion, o humorista Whindersson Nunes, o atleta Gabriel Medina e outras personalidades que participam das campanhas da Oi.

Com a Joice, a Oi entrou para a lista de marcas que criaram seus sistemas de inteligência artificial e as transformaram em marcas derivadas. Entre os casos mais emblemáticos estão a Bia, do Bradesco, a Vivi, da Vivo, a Carina, do Carrefour e muitas outras. Os nomes são majoritariamente femininos, o que levanta uma discussão sobre o reforço de padrões machistas (há exceções, como o Theo, da Sicredi). Para além de gênero, as marcas estão investindo na construção da persona de seus assistentes virtuais.

Daniel Wildt, diretor de tecnologia na Zenvia, plataforma de comunicação especializada em inteligência artificial, lembra que o movimento iniciado por Siri, da Apple, Google Assistant e Alexa, da Amazon, vive uma nova fase, agora impulsionada principalmente por marcas de serviços e na área financeira. “Entendo que estes movimentos de bancos ajudam a popularizar a ideia e o uso prático da inteligência artificial. Vejo como mais interessantes os sistemas que buscam entender o contexto do cliente e acelerar alguma ação ou tomada de decisão”, explica.

“O desafio é que eles consigam se posicionar como companion bots, ou seja, assistentes que conseguem maximizar o valor que alguém consegue na sua atuação em dado contexto. Então, sempre que um bot consegue sair do simples ‘conectar clientes com menus’ para começar a apoiar e maximizar o valor do cliente na jornada, vai ter mais sucesso na experiência. Isso tem um pouco de aprimoramento da linguagem e tecnologia, mas tem ganhos quando se consegue avançar em contexto e apoia o cliente na resolução de problemas e em sugestão de melhorias para a experiência dele”, diz Daniel.

Atualmente, a maioria dos sistemas de bots são grandes FAQs (perguntas e respostas) “que tem valor, mas que depois de aprender a operar, precisa evoluir para começar a entender melhor os contextos”, explica Daniel.

https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/noticias/2019/07/17/assistentes-virtuais-as-personas-por-tras-das-marcas.html

Sete em cada dez consumidores usam smartphone para compras online

A popularização dos dispositivos móveis no país tem transformado a forma com que o brasileiro faz suas compras pela internet. É o que aponta um estudo feito em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Os dados mostram que 86% dos consumidores conectados realizaram ao menos uma aquisição em lojas online nos últimos 12 meses e os smartphones foram o meio mais utilizado por praticamente sete em cada dez (67%) entrevistados. Em segundo lugar, aparecem os notebooks (39%), seguidos dos desktops ou PCs (39%).

Na avaliação do presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, a participação dos dispositivos móveis nas compras pela internet deve crescer ainda mais, principalmente pela praticidade e agilidade que oferecem. “Com a evolução da tecnologia, comprar pelo celular ficará cada vez mais fácil. O próprio varejo tem pela frente um enorme potencial de desenvolver produtos personalizados e experiências customizadas para esse consumidor”, observou.

Os produtos mais adquiridos pela internet são vestuário, calçados e acessórios (43%), eletrodomésticos (36%), smartphones e celulares (34%), entrega de comida por delivery (30%), artigos para casa (29%) e cosméticos ou perfumes (29%). Considerando os tipos de loja online preferidos para compras estão as cadeias de varejo nacionais (90%), os sites de compra e venda de produtos novos ou usados (50%), os varejistas internacionais (30%) e os portais de ofertas e descontos (23%).

Uma tendência que chama atenção na pesquisa são as compras realizadas nas redes sociais. Um terço (33%) adquiriu algum produto ou serviço por meio do Facebook, Instagram, Youtube ou WhatsApp no último ano, sendo que desses, 63% mencionaram ter comprado de varejistas nacionais na maioria das vezes. Outros 57% costumam escolher os portais de compra e venda de produtos novos ou usados. Já 38% são impactados por varejistas internacionais e 27% pelos sites de ofertas e descontos.

O levantamento aponta ainda que, nos últimos 12 meses, cada comprador online fez, em média, sete aquisições na internet. O gasto médio para levar os produtos para casa foi de R$ 307,76, valor que passa para R$ 359,43 entre os homens. Entre as formas de pagamento, 67% utilizam principalmente o cartão de crédito, seguido do boleto bancário (48%). Destaque para o uso do cartão de crédito virtual, gerado exclusivamente para compras online, que chegou a 15%. Além disso, 63% receberam oferta de desconto para pagamento das compras à vista, principalmente no boleto bancário (38%).

Ainda que os consumidores conectados já se sintam mais seguros em gastar online, seis em cada dez entrevistados reconhecem que o medo de fraudes os levam a comprar menos do que gostariam na internet (61%). Praticamente todos garantem tomar algum cuidado em suas aquisições virtuais (97%) e as principais precauções são: realizar compras apenas em canais conhecidos ou indicados (49%), evitar cadastrar dados do cartão de crédito para compras futuras (34%) e selecionar meios de pagamento em que confiam para pagar (33%). Por outro lado, 39% disseram que se sentem mais seguros quando encontram um baixo índice de reclamações nas redes sociais ou em sites e 35% se o site apresenta um sistema de pagamento certificado.

“Nas aquisições feitas pela internet é preciso tomar cuidado com criminosos que agem por meio de sites falsos, muitos até roubam dados sigilosos dos consumidores sem que eles saibam. O comércio eletrônico no Brasil já amadureceu, mas vale ficar atento a ofertas muito agressivas”, alerta o educador financeiro do SPC Brasil e do Meu Bolso Feliz, José Vignoli.

Os resultados da pesquisa apontam que o comércio eletrônico conquistou de vez a confiança dos consumidores conectados. Levando em conta a última aquisição que fizeram pela internet, 82% dos internautas ficaram satisfeitos, contra apenas 11% que se dizem arrependidos. Além disso, a maioria costuma voltar à mesma loja online. Nove em cada dez (91%) entrevistados já compraram mais de uma vez em um mesmo site, aplicativo ou perfil de lojas em redes sociais, principalmente pela confiança na loja ou marca (42%), pelo fato de não terem tido problema na experiência anterior (37%) e em virtude dos melhores preços (33%).

Os fatores que mais pesam na escolha de um site de compras são frete grátis (48%), preço mais baixo (47%) e promoções (41%). Questionados sobre quais aspectos os fariam comprar mais pela internet, 62% destacaram o frete grátis. Para 34%, o maior diferencial é poder trocar ou devolver na loja física o produto adquirido na loja online. Outras vantagens destacadas são menor tempo de entrega (33%) e possibilidade de retirar os produtos na loja física (31%).

Em um país com grandes dimensões geográficas, a logística de entrega acaba sendo um desafio. Ainda mais diante de um consumidor online cada vez mais exigente. O estudo revela que nove em cada dez (91%) entrevistados preferem receber os produtos comprados em casa ou no local combinado e somente 7% retiram o item pessoalmente na loja. Além, disso, 25% costumam pagar um maior valor de frete para receber em um tempo mais rápido as compras — percentual que cresce para 27% nas classes C, D e E.

Acostumado a buscar as informações que precisa para tomar suas decisões de compra, o consumidor conectado leva em consideração a opinião e a experiência de outros clientes. Quando pesquisam produtos e serviços, 53% dos entrevistados dizem avaliar antes os depoimentos de pessoas que já compraram, enquanto 52% mencionam olhar a ficha técnica e especificações do produto. Outros 43% observam os detalhes das fotos do produto e 30% os selos de segurança e garantia.

“As redes sociais mudaram radicalmente a forma como as lojas e os consumidores interagem, estabelecendo critérios mais rígidos de qualidade a partir da opinião dos próprios usuários. A falta de transparência pode arruinar a reputação de uma marca ou mesmo de uma empresa em questão de dias”, ressaltou o presidente do SPC Brasil.

Embora os brasileiros que compram pela internet estejam satisfeitos com as aquisições feitas, nem sempre a experiência é positiva: um em cada cinco (22%) consumidores garante ter enfrentado problemas na última compra online. As principais queixas envolvem entrega fora do prazo (10%), não recebimento do produto (5%), produto diferente do anunciado (4%) e recebimento de item danificado (4%). A grande maioria, contudo, afirma não ter tido algum tipo de problemas (76%).

Quando algo sai errado, 47% relatam conseguir resolver o problema, sendo que 18% tiveram o produto trocado, 13% foram reembolsados ou indenizados e 11% ficaram com crédito na loja. No entanto, praticamente a mesma proporção afirma que não houve solução das queixas (46%). Nesse caso, 14% desistiram de correr atrás do prejuízo, outros 14% entraram em contato diretamente com a loja e aguardam retorno e 8% abriram registro de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.

Clique e retire é o principal atrativo para o consumidor brasileiro

O site Mobile Time, em parceria com a empresa de pesquisas Opinion Box fizeram um estudo sobre comércio online. O Panorama Comércio Móvel no Brasil analisou os dados de 2115 brasileiros e revelou que em três anos as compras por smartphones cresceram de 62% para 82%. Esse número é ainda mais significativo quando se fala da de consumidores com maior renda, chegando a 90% nas classes A e B e 79% nas classes C, D e E.

Entre as preferências dos consumidores, as redes sociais se mantém em destaque, com 61% dos entrevistados afirmando fazer encomendas via WhatsApp, sobretudo nas classes C, D e E e 41% através do Facebook Messenger. Além do aumento do consumo digital, o brasileiro se mostra muito satisfeito (46%) com relação às suas compras.

Entre as funcionalidades preferidas dos consumidores em aplicativos móveis, a compra online e retirada na loja física está em primeiro lugar, com 48% da preferência. Essa nova modalidade se dá pela integração das lojas físicas com loja online para oferecer a melhor experiência de compra ao usuário.

Em segundo, os entrevistados afirmam que a navegação gratuita é essencial dentro do comércio móvel. Por isso, oferecer wi-fi gratuito dentro das lojas físicas ou permitir a navegação sem cobrança de dados são fatores de grande valor na hora de oferecer um app.

Os consumidores mais resistentes, que nunca compraram pelo celular, justificam sua rejeição com a falta de confiança (31%), por gostar de provar e ver o produto antes (30%) e o fato de não possuir cartão de crédito (24%).

Amazon Go, acesso e paçoquinhas

Na semana passada, uma matéria da Business Insider noticiou que a Amazon Go, o modelo que hoje é um dos principais benchmarks para as operações autônomas de varejo e tem um audacioso projeto de mais de 3 mil lojas até 2021, estaria sendo forçada a considerar aceitar dinheiro em espécie para pagamentos, uma vez que processos e denúncias vem acontecendo em diversas cidades e estados norte-americanos, até mesmo com projetos de lei banindo o modelo de negócio adotado.

O motivo alegado é que lojas como a Amazon Go, que não utilizam dinheiro em transações (cashless stores), impediriam que pessoas não bancarizadas, e, portanto, sem acesso a cartões de crédito ou a meios de pagamento digitais para realizar suas compras, entrassem ou consumissem nessas lojas.

E se nos EUA a população não bancarizada representa cerca de 6,7%, segundo dados de 2017, o que dizer da população não bancarizada brasileira, que representa cerca de 40%?

A partir da situação da população não bancarizada no Brasil, vale a pena entender essa situação frente alguns números que uma pesquisa da McKinsey, divulgada na semana passada, durante um evento no Vale do Silício, trouxe sobre a realidade do consumidor digital brasileiro.

O estudo apontou que 67% da população brasileira hoje se encontra conectada, com acesso a internet, porém, a representatividade do e-commerce ainda está na casa dos 6%. Chama a atenção quando comparamos esses números com a China, onde, se por um lado, apenas 53% da população tem acesso a internet, o e-commerce já conquistou uma representatividade de mais de 20% sobre o total do varejo.

É fato (e não é novidade para mais ninguém) que os superapps chineses, como Alipay ou WeChat revolucionaram a maneira como o mercado chinês hoje consome. Boa parte de seu sucesso está em ter conseguido se consolidar também nas camadas mais baixas da população, assim como se tornar o principal meio de pagamento até mesmo nas compras mais banais, como na aquisição de algum lanche ou bebida na rua, onde mesmo o dinheiro pequeno, se torna cada vez mais escasso.

O desafio brasileiro não está em buscar mais 1 ou 2% de crescimento na representatividade do digital dentro do que vem sendo feito até hoje. Não se trata de criar cultura ou realizar mais propaganda. Trata-se de buscar alguma alternativa que favoreça o acesso da população que hoje já se encontra no digital e ainda não possui meios para consumir.

E não que o brasileiro não se sinta familiarizado com o ambiente digital. Se tomarmos como parâmetro as redes sociais, o Brasil é sempre um dos principais países em praticamente todas as maiores plataformas. Só no caso do WhatsApp, por exemplo, somos uma base de 120 milhões de usuários, presentes em 91% dos telefones brasileiros, a segunda maior base do mundo.

O que falta hoje é alguma plataforma ou meio de pagamento que empodere essa população não atendida, com consumos de R$ 1 ou R$ 2, ou empréstimos de R$ 5 ou R$ 10. Que lidere a transformação digital do pequeno dinheiro que roda nas periferias e rincões brasileiros.

Há cerca de um ano, recebi a informação de que o WhatsApp, por exemplo, já trabalhava em testes na Índia com a troca de dinheiro entre pessoas via o aplicativo, algo que começa agora a ser enunciado como questão de tempo para vir para o Brasil. Imagine começar a jogar no mercado, com uma base de 120 milhões de aplicativos já instalados? Dá para imaginar o tamanho da revolução que isso causaria.

Aí você começa a se perguntar sobre o título desse artigo. Por que paçoquinha?

Tem grandes chances de ganhar o jogo por aqui quem conseguir resolver a banalidade de se comprar uma paçoquinha na banca da esquina usando um meio de pagamento digital.