Transformação digital mudando comportamentos e a dinâmica do varejo e consumo

Que nenhuma outra indústria é tão afetada pela demanda do cliente quanto o varejo é óbvio. Sabemos que os clientes de hoje querem experiências de compras imediatas e fáceis, 24×7 – e querem isso para ontem.

O consumidor está cada vez mais conectado, comunicativo e rápido. Segundo uma pesquisa americana, o tempo médio para a população americana adotar uma nova tecnologia após o ano de seu lançamento no mercado tem diminuído rapidamente. Para se ter uma ideia, o televisor levou 26 anos. Já o PC, 16 anos, e a Web levou somente 7 anos, ou seja, menos de 1/3 do tempo do televisor. Ainda em relação aos americanos, a Web já está presente para 88% da população entre 16 e 64 anos. O Brasil não está “feio na foto”, aqui ela está presente em 67% da população desta mesma faixa etária.

A outra boa notícia é que os brasileiros conectados estão entre os mais ávidos usuários da internet, ficando nela aproximadamente 9h por dia, sendo 5h no PC e 4h no mobile. É claro que as redes sociais e o ambiente de trabalho têm influência direta nisso. Porém, segundo dados do Ebit, na categoria de bens de consumo houve um crescimento de vendas no e-commerce na ordem de 12% em 2018 e a previsão para 2019 e 2020 são de 19% e 18%, respectivamente.

Alguns movimentos chamam atenção em relação aos brasileiros no uso de tecnologia em suas jornadas de compra, tanto no digital quanto no físico. Destaco alguns:

  1. Experiência total: mais interação com o produto físico explorando o uso de realidade virtual, realidade aumentada e 3D. São as tecnologias que devem crescer em importância e relevância nos próximos anos.
  2. Tudo que vai, volta: mais facilidade no processo de devolução, tanto nas compras feitas pela internet, quando naquelas feitas pelos clientes em lojas físicas com entrega em domicílio. Neste tópico quero compartilhar uma recente experiência pessoal. Fiz uma compra no site de uma empresa americana de cosméticos e fiquei muito satisfeito com o lead-time de entrega, mas o que mais me chamou a atenção foi que junto com o produto veio um formulário para preenchimento caso tivesse algum problema com a compra, além das etiquetas já preenchidas com o endereço para a devolução e meu remetente. Simples e funcional.
  3. Descomplicado: mais facilidade no processo de compra, seja no digital – “one click” ou na redução da fricção em lojas físicas – equipes “multiskills”, autosserviço e, principalmente, agilidade no processo de pagamento. Uma das coisas mais frustrantes nos dias de hoje é chegar ao caixa e descobrir que eles não aceitam pagamentos com carteiras digitais, tais como ApplePay e SamsungPay.
  4. Na palma da mão: aumento de vendas via aplicativos de compras, principalmente se oferecerem algum benefício adicional para os consumidores, tais como frete reduzido ou grátis, descontos e programas de relacionamento e fidelidade.
  5. Especial para mim: consumidores ainda mais estimulados por promoções, desde que direcionadas e não massificadas.
  6. Inteligência artificial: atendimento e interação com consumidores humanizados, porém com suporte de robôs para aumentar a eficiência operacional e SLAs. Destacam-se aqui os conhecidos Watson, Leonardo, Siri, Carol e a Bia!

Segundo dados da Sales Force, o uso de inteligência artificial em vendas de produtos tem forte impacto. 83% das empresas reportaram aumento da retenção de clientes e, para 74%, a velocidade de vendas aumentou.

Do outro lado, também aumentam a expectativa dos clientes. 55% dos consumidores já esperam receber ofertas e serviços personalizados, 58% afirmam que a tecnologia mudou o que esperam das empresas e 51% acreditam que até 2020 as empresas vão antecipar as necessidades dos clientes.

A transformação digital também altera a forma que as empresas devem se comunicar com o mercado. As redes sociais, sites de comparação de preço e de varejistas monomarca são os mais representativos para inspiração de compras. No lado oposto, os mais insignificantes são e-mails marketing, imprensa e revistas digitais. Destaca-se a importância dos Youtubers, digital influencers e blogueiros “especializados”.

Os movimentos da transformação digital são bem-vindos e ninguém tem dúvida. Mas tenho que confessar que o lado esquerdo do meu cérebro me diz que as grandes tendências e mudanças no processo de compra devem estar mais na direção da eficiência operacional do que em experiências que não convertam em vendas.

Obviamente, os esforços omnichannel já existem há algum tempo, mas não posso dizer que todos tenham sido bem-sucedidos. A experiência de comprar online, optando por pegar o produto na loja, e chegando lá ninguém saber do pedido, ou de onde se encontra o pacote pode parecer cômico, mas é trágico e ainda muito presente em terras brasileiras.

O omnichannel funcional pode não ser uma das tendências mais sexy de transformação digital no varejo, mas é definitivamente a mais necessária no curto prazo.

Vamos fazer um wrap-up:

  • Consumidores estão deixando de comprar em muitas lojas físicas e abrindo espaço para os canais digitais. Eles não entram mais nas lojas apenas para conhecer produtos que não sabem se querem. Eles entram para viver a experiência ao redor daquele produto e comprar aquilo que já sabem que querem. A loja física precisa se reinventar.
  • Os diferenciais do varejo digital além do preço são aqueles que os consumidores mais buscam e quase nunca são entregues pelas lojas físicas. Atendimento e hospitalidade continuarão sendo o fiel da balança. E tudo isso acontecendo em um novo ponto de venda com muito mais diferenciais e opções para os consumidores. Essas transformações no varejo e no consumo já estão sendo trabalhadas em escalas globais.
  • A loja do futuro, ou futuro da loja, passa pela transformação do POS tradicional em PDX. E, o mais importante, com baixíssimo atrito e muita experiência para o consumidor.
  • A integração de canais e a ativação digital na loja possibilita adequar a jornada de compras do consumidor e com isso entregar uma experiência única. Porém, ainda existem barreiras culturais e econômicas para implantar todas as iniciativas e precisamos estar preparados para isso.
  • Lojas estão repensando seus formatos por conta da integração com o digital, custos, produtividade e necessidade rápida de expansão. As lojas inteligentes têm papel fundamental nesta estratégia. Porém é primordial que essas marcas de varejo sejam consistentes em suas propostas de valor e entreguem atributos relevantes para o consumidor para se diferenciar da concorrência.
  • O consumidor é digital, ele exige respostas rápidas, quer falar e ser ouvido.
  • As mídias sociais são, atualmente, as principais plataformas para uma comunicação efetiva com o seu cliente (relacionamento de marca, promocional, feedbacks, fans etc.).
  • A internet tende a estar cada vez melhor distribuída, em um futuro próximo, a todos e de graça.
  • Cultura de captura de dados é importante, mas o mais importante é ter a cultura de gestão e tomada de decisões baseadas em dados, conhecendo cada vez mais o seu cliente, e utilizando-os para buscar sempre a oferta mais assertiva. Lembre-se: dados vencem qualquer opinião.
  • Ousar e testar novos modelos para os negócios é importante para alcançar esse consumidor.

Uso do smartphone para compra e pagamentos cresce no Brasil

O uso das conveniências dos smartphones vem crescendo entre os brasileiros. Segundo a pesquisa sobre Comercio Móvel no Brasil, realizada por Mobile Time e Opinion Box, com mais de 2 mil pessoas, 85% dos consumidores que possuem smartphone já fizeram compras pelo celular. A quantidade de pesquisados que já chamaram motoristas particulares ou táxis por aplicativo subiu de 66% para 75%.

A pesquisa mostrou a entrada dos aplicativos Uber Eats, Rappi e Amazon no ranking dos apps de m-commerce mais usados no Brasil. No segmento de delivery de comida, iFood e Uber Eats crescem, enquanto apps menores perdem terreno. Entre os apps de corrida, o 99 registra recuperação, enquanto Uber perde espaço entre os usuários. Entre as novas opções de meios de transportes, 9% dos internautas brasileiros já alugaram uma bicicleta via app e 4% optou por um patinete elétrico.

Outra mudança é o crescimento do pagamento por aproximação. Agora, 17% dos internautas brasileiros que possuem smartphone já experimentaram realizar um pagamento por aproximação com o aparelho. O pagamento por aproximação usando as tecnologias NFC ou MST (no caso dos aparelhos da Samsung) está disponível no Brasil há muitos anos, mas somente agora começa a ganhar adesão.

Para Fernando Paiva, editor do Mobile Time, e coordenador da pesquisa, “há algum tempo, os lojistas tinham até medo de aceitar essa forma de pagamento por não a conhecerem, mas, agora, pelo menos nos grandes centros urbanos, os funcionários nos caixas já estão acostumados com o procedimento que deve ser feito para receber um pagamento desta forma. Com a maturidade dos lojistas e seus balconistas, a tendência é que esta modalidade venha a crescer.

Um resultado curioso foi que a proporção de homens (21%) que utilizaram pagamentos por aproximação é maior do que a de mulheres (13%). A maior diferença está entre pessoas das classes A e B (23%) do que entre aquelas das classes C, D e E (15%), diferença que se explica pela necessidade de ter um smartphone moderno e um cartão de crédito.

Essa forma de pagamento é mais popular entre donos de iPhone (25,8%) do que entre aqueles com smartphones Android (16,6%). Há ainda uma diferença por faixa etária. Quanto mais jovem, maior a probabilidade de já ter usado o smartphone para pagar por aproximação. No grupo entre 16 e 29 anos, 21% já testaram essa tecnologia. A proporção cai para 16% no grupo entre 30 e 49 anos, e é de 12% naquele com 50 anos ou mais.

A utilização do smartphone como meio para a realização de compras online de produtos físicos segue crescendo no Brasil. Em quatro anos, de setembro de 2015 a setembro de 2019, a proporção de internautas brasileiros que já experimentaram o comércio móvel passou de 41% para 85%. Ou seja, a proporção de consumidores móveis, como pode ser chamado esse grupo, mais que dobrou, com um ganho de 44 pontos percentuais.

O uso recorrente do m-commerce também cresce. Outros 77% dos consumidores móveis afirmam que hoje fazem mais compras pelo celular do que seis meses atrás. E 75% deles fizeram alguma compra nos últimos 30 dias – um ano atrás essa proporção era de 71%.

“Além disso, quem experimenta o smartphone para compras acaba deixando de lado o desktop”, comentou Fernando Paiva. 73% dos consumidores móveis declaram que preferem comprar pelo celular que pelo computador. Isto está relacionado ao alto grau de satisfação para com a experiência em m-commerce: 88% dos consumidores móveis dizem que estão satisfeitos ou muito satisfeitos com ela. “Vemos aqui uma consolidação do m-commerce no país”, destacou o coordenador da pesquisa.

A próxima tendência do varejo serão as compras por assistentes virtuais

A próxima grande tendência do varejo deverá ser o uso de assistentes virtuais, gerando a possibilidade de fazer compras por meio de comandos de voz.

Esse caminho pode parecer utópico aqui, já que os assistentes de voz ainda não são vendidos no Brasil. Mas, no mundo, a gigante Amazon já comercializou mais de 100 milhões de dispositivos com a Alexa. Sendo assim, é questão de tempo para que os assistentes de voz sejam comuns no Brasil, devido à grande conveniência que oferecem.

Esta praticidade já é encontrada nos aplicativos em smartphones e tablets, que vem crescendo. Pesquisa realizada pela Ebit aponta que as compras realizadas em dispositivos móveis cresceram 41% de 2017 para 2018. Além disso, de cada 10 pedidos realizados em lojas online, quatro foram feitos de aplicativos em 2018.

Os assistentes virtuais desempenham trabalhos como colocar musicas, marcar compromissos em agendas, enviar mensagens. Todas essas tarefas são realizadas no celular. Deste modo, é natural pensar que fazer compras também vire uma atividade feita por comando de voz ao assistente virtual.

“Não dá para baixar os aplicativos de todas as lojas. As compras pelos smartphones podem ser feitas em ‘qualquer hora, qualquer lugar’, enquanto com os assistentes de voz será em ‘toda hora, todo lugar’”, disse Ana Helena Barone, líder da Ebit|Nielsen.

A previsão é que as pessoas tenham vários assistentes de voz. Um na cozinha para ligar aparelhos e passar receitas, outro no quarto para fazer ligações, tocar música, acender e apagar a luz, além de um no carro para que não seja necessário parar de dirigir para fazer telefonemas ou trocar a música. Antes de lançar nas lojas o Echo Auto, a Amazon vendeu um milhão de unidades.

O Walmart firmou nos Estados Unidos uma parceria com o Google. Os clientes do varejista podem fazer compras usando o Google Assistente, devendo apenas listar em voz alta os produtos que querem. Ao final, só é necessário escolher se deseja retirar os produtos em uma unidade do hipermercado ou se querem fazer a compra online.

Superapps ainda vão dar o que falar!

“Superapps” são aplicativos que concentram em um só lugar vários tipos de serviços que as pessoas usam com frequência.

O modelo de negócio tem como maior valor a comodidade ao usuário, por centralizar diversas atividades em um só aplicativo. Mais da metade do tempo gasto das pessoas no mundo digital são nos aplicativos e, por isso, muitas empresas estão se aproveitando desse cenário promissor para engajar usuários com seus produtos e serviços.

O conceito tem como principal referência a chinesa We-Chat, que nasceu de um aplicativo de mensagens de texto e voz e hoje está presente em todos os momentos da vida do cidadão chinês. Por lá, o modelo é uma realidade, sendo possível chamar um táxi, pedir comida, contratar um serviço e até manter uma carteira digital. Para termos uma ideia do nível de engajamento adquirido, mais de 60% dos pagamentos na China são feitos por superapps como o We Chat.

No Brasil, grandes varejistas como o Magazine Luiza e o GPA já iniciaram movimentos para se prepararem para o que está por vir. Recentemente, essas empresas compraram ou se associaram à startups de tecnologia ou logística para reunir mais serviços em suas plataformas de relacionamento com clientes. Além delas, temos presenciado empresas como a Rappi – startup colombiana com status de unicórnio, ou seja, com avaliação acima de U$ 1 bilhão – investindo alto nesse tipo de estratégia e se utilizando desse conceito como base de crescimento em toda a América Latina. Inclusive com uma parceria promissora com o Carrefour no Brasil.

O apetite dos consumidores em receber produtos na porta de casa, principalmente nas grandes cidades, é um caminho sem volta e não é a toa que a operação da Rappi no país dobra de tamanho a cada três meses.

A premissa que sustenta o modelo é o empoderamento das pessoas que querem simplificar a vida e estão cada vez mais digitais. Conquistar a preferência do consumidor como melhor opção de solução de conveniência no celular é um diferencial competitivo extremamente relevante nos dias atuais. Quanto mais serviços disponibilizados para facilitar o dia a dia das pessoas, mais contatos o usuário vai ter com sua marca e, consequentemente, maior a chance de conquistar a sua fidelidade. Quanto vale estar na mente e no coração do cotidiano de tantas pessoas?

Obviamente é fácil falar e difícil entregar. Uma operação de sucesso envolve muitos fatores e as empresas que conseguem se destacar com crescimento exponencial têm em comum a eficiência operacional de seus serviços. Quem não entrega experiência, excelência e inovação constantes, dificilmente opera num modelo tão disruptivo como esse.

Existem muitos outros desafios nesse modelo de negócio, já que o custo logístico no Brasil é alto e o modelo de entrega de compras é caro em alguns segmentos. A dificuldade em engajar o usuário também é enorme. Mesmo desenvolvendo uma experiência interessante, muitos clientes instalam o aplicativo, mas não encontram relevância e deixam de usar ao longo do tempo, partindo para desinstalação. Outro fator que representa objeção aos negócios é lei de proteção de dados e segurança da informação, principalmente em transações de pagamentos financeiros.

Vivemos na era da transformação digital, mas o ponto de venda continua muito relevante em qualquer operação de varejo e é cedo para dizer se o mercado vai escolher isso ou aquilo. A única certeza é que o modelo multicanal veio para ficar e que mesmo com muitas iniciativas de novos APPs, só os melhores e maiores sobreviverão.

Para a indústria, varejo e serviços, a principal mensagem é que os ecossistemas de negócios estão mais completos e complexos e os superapps já são realidade do relacionamento e comportamento de consumo de muita gente.

Por Cristiano de Paula Leite – 25 de junho de 2019

Superapps ainda vão dar o que falar!

Desemprego leva brasileiro a buscar ocupação com aplicativos de varejo

Diante da grande massa de desempregados no território nacional e da diminuição do poder de compra dos consumidores, plataformas virtuais do setor varejista ganham popularidade entre os brasileiros que buscam complementação da renda familiar.

De acordo com o último balanço realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação chegou a 12,4% da população brasileira no primeiro trimestre de 2019. Isso significa um crescimento de 0.9 ponto percentual (p.p.) em relação a 2018. Já o nível de subutilização da força de trabalho – aqueles brasileiros que gostariam de aumentar a carga horária de trabalho, mas não encontram novos postos – chegou a 24,6% da população, alta de 0.8 p.p.

“Frente à grande fragilidade que o mercado de trabalho brasileiro vem enfrentando, o setor que está sustentando grande parte desses empregos informais ou fontes alternativas de rendimento é o varejo”, afirmou o pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Bruno Ottoni. Ele observou que grande parte desses desempregados são jovens, conforme aponta o balanço do IBGE, já que a taxa de desocupação entre jovens de 18 e 24 anos ficou em 27,3%.

Nesse cenário, uma das plataformas online de varejo que tem absorvido parte desse contingente é a Supermercado Now. “Assim como muitos brasileiros enxergaram em aplicativos como Uber ou 99 uma fonte de renda, percebemos que a evolução do Supermercado Now seguiu a mesma linha, com possibilidade de adequação no horário de trabalho e região de atuação”, afirmou Wlademir Gomes, diretor de operações da plataforma.

A proposta do negócio é permitir que shoppers (usuários cadastrados) realizem as compras em redes varejistas parceiras e, após isso, também entreguem a mercadoria na casa de consumidores que encomendaram essa lista de itens. A remuneração desse shopper virá justamente de um percentual sobre a combinação entre o valor da compra, tempo gasto e quantidade de produtos.

“Primeiro buscamos identificar aqueles candidatos que realmente demonstrem interesse no ato de fazer compras. Outros aspectos importantes são alguns como ter bom relacionamento e agilidade para atender os pedidos”, afirmou ele, destacando que o perfil dos atuais 150 shoppers da plataforma é composto tanto por “donas de casa” com 60 anos até universitários.

Para Gomes, nos últimos anos o perfil dos candidatos para o cadastro no site tem variado bastante, se tornando mais heterogêneo – fator que tem “balanceado” os diferentes volumes de demanda em diversas regiões da capital paulista. “Hoje, temos entre 25 e 30 redes de varejo alimentar parceiras na Região Metropolitana de São Paulo. Recentemente, iniciamos expansão também para o interior do estado”, declarou Gomes, lembrando que a base atual de clientes do site está entre 15 mil e 20 mil consumidores.

Por fim, o executivo salientou que o processo de seleção dos shoppers é criterioso, o que pode ser verificado no número de aprovados na plataforma. “Mensalmente são cerca de mil candidatos. E a aprovação é de 30 em média”, complementou ele. Não foram divulgados números referentes ao faturamento do negócio.

Na mesma linha de raciocínio, o fundador da plataforma voltada para o setor do varejo ComOferta, Feliciano Abreu, diz que percebeu um interesse maior dos consumidores na possibilidade de ganhar prêmios e dinheiro nos últimos anos. “A plataforma tem como objetivo divulgar ofertas em diversas redes do setor. A partir do momento em que um consumidor visualiza uma oferta e publica no nosso site, quanto mais cliques esse anúncio tem, maior a quantidade e pontos acumulados e, consequentemente, melhores os prêmios no final do mês”, argumentou o executivo. Atualmente, segundo Abreu, o site conta com 40 mil cadastrados.

De acordo com ele, dentro dessa conjuntura econômica, os pequenos varejistas também buscam os anúncios da plataforma para compor de forma mais assertiva os estoques. “Grande parte desses negócios de pequeno porte entram no sistema para não perderem o armazenamento de determinadas mercadorias e, consequentemente, tornar esses itens mais rotativos dentro das lojas. Em momentos de crise, os consumidores têm como prioridade os preços, independentemente da marca do item”, disse o executivo.

Além disso, Abreu relembrou também que durante a paralisação dos caminhoneiros no ano passado, muitos usuários recorreram à plataforma para localizar os postos de combustíveis com preços mais baratos. “Dessa forma, muitas pessoas que conseguiram publicar ofertas desses negócios passaram a ganhar um vale combustível”, complementou o executivo.

Fonte: DCI

Bancos do Futuro – qual o papel das agências bancárias num ambiente cada vez mais digital?

Lá na distante Parnaíba, município brasileiro do estado do Piauí, com população de pouco mais de 150 mil habitantes, a TecBan inaugurou a pouco mais de três meses, de maneira discreta, sem estardalhaço, sua primeira loja conceito. A TecBan é a empresa que administra os “Bancos24Horas” em todo o Brasil. A iniciativa faz parte de um projeto piloto que testa o conceito dos “Espaços Multibanco”. Parnaíba é a primeira cidade do Brasil a receber este modelo de atendimento e foi escolhida para o projeto por ser um município relevante em um estado onde existe a procura por serviços dos terminais do Banco24Horas. Mas o que é um espaço Multibanco?

Trata-se de um imóvel onde se constrói uma agência bancária sem atendimento humano, praticamente autônoma, apenas com equipamentos de caixas eletrônicos (ATM). O espaço permite que clientes de mais de 40 instituições financeiras sejam atendidos num mesmo local, com acesso a saques, consultas de saldo, emissão de extrato e pagamento de contas, entre outras transações, sem pagar nada a mais por isso. Além de caixas eletrônicos, a população conta também com uma área de convivência climatizada e com wifi gratuito. Também está prevista para a segunda fase do projeto a incorporação de outros serviços como atendimento bancário pessoal e outras parcerias.

Bom, enquanto as criptomoedas não se tornarem populares e passarem a fazer parte do dia a dia da população, por aqui as agencias físicas bancárias terão ainda vida longa. Porém, os testes em Parnaíba podem ser o futuro que está sendo delineado para as agências bancárias no país.

Num passado recente, visitar diariamente uma agência bancária fazia parte da rotina do brasileiro. Aí surgiram os internet banking, que se aperfeiçoaram com o tempo e evoluíram para os aplicativos utilizados em smartphones e tablets. Este fenômeno tem desencadeado a migração das transações bancárias de clientes das agências para canais digitais. Mas uma nova revolução está em curso, tornando o cenário extremamente competitivo com o advento das fintechs. Essas plataformas digitais de serviços financeiros, com apoio do Banco Central, se multiplicaram nos últimos anos e têm avançado sobre mercados lucrativos dos grandes bancos, como os de crédito ao consumo e o de meios de pagamentos.

Por este cenário, é certo afirmar que a migração das transações digitais sobre as transações físicas é um caminho sem volta. Os bancos serão digitais. E qual o papel das agências físicas? A “Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2018” aponta que, em 2017, o mobile banking, caiu definitivamente no gosto dos clientes. Segundo a pesquisa, já são 56 milhões de contas ativas neste canal.

A mesma pesquisa aponta também que em regiões de melhor poder aquisitivo como o Sul e o Sudeste, com maior penetração de tecnologia, apenas eventualmente os clientes precisam recorrer às agências físicas e só para tratar de assuntos de maior complexidade. Esta é a realidade que começa se formar, sobretudo nas grandes cidades e capitais – regiões que deverão diminuir proporcionalmente a quantidade de agências físicas. Porém, num país de dimensões continentais com enormes desigualdades, em regiões com baixa escolaridade e baixa penetração da internet, ainda persistirá a necessidade da presença das agências bancárias.

É aí que Parnaíba volta em cena. Uma cidade pequena, localizada na região Nordeste, onde as dificuldades financeiras impedem a compra de smartphones sofisticados e a contratação de planos de internet móvel com grande capacidade, está sendo palco dos testes dos novos modelos de agências. A unidade de Parnaíba conta com o uso intenso da automação; sistemas de segurança e monitoramento de última geração; poucos ou nenhum atendente ou funcionários fixos; multibandeira e abertas 24 horas. É ou não é a agência bancária do futuro?

Starbucks lança loja conceito com pedido e pagamento mobile

As lojas da Starbucks seguem um mesmo padrão, em sua maioria – com exceção das unidades conceito Starbucks Roastery. Existem lojas com serviço completo, algumas com drive-thru, quiosques e alguns modelos expressos sem assentos, geralmente encontrados em áreas urbanas com grande fluxo. Mas, de forma geral, as variações são poucas.

Agora, porém, com os novos tempos, e para se adaptar a eles, a rede está tentando algo um pouco diferente com sua primeira loja Starbucks Now, que abriu recentemente em Pequim. O novo formato combina “o ambiente de café assinado da Starbucks com os pedidos e pagamentos feitos por via mobile”, de acordo com um comunicado da empresa. Essencialmente, esta versão do café foi projetada em torno das necessidades de três conjuntos distintos de consumidores: os clientes tradicionais da rede; pessoas que pedem e pagam por meio de seu aplicativo; e trabalhadores de serviços de entrega que recebem pedidos.

“A loja Starbucks Now é um testemunho de nosso compromisso inabalável de oferecer experiências inovadoras aos clientes por meio de novos formatos de varejo”, disse o diretor de operações da Starbucks China, Leo Tsoi, em comunicado. “Esta nova abordagem de formato e design de varejo nos fornece uma plataforma para oferecer aos clientes uma experiência de varejo rápida e conveniente para atender seu estilo de vida em movimento”.

Este formato inovador está sendo lançado em um momento em que a Starbucks enfrenta um sério desafio na China, com o crescimento rápido do Luckin Coffee. Essa cadeia iniciante criou seu modelo em torno de pedidos digitais por meio de um aplicativo bem conceituado, serviço rápido e entrega – suas lojas não têm assentos. Ela tinha mais de 2.400 lojas na China quando abriu seu capital em maio e tem grandes planos para expandir a partir daí. A Starbucks Now claramente (pelo menos em parte) é uma tentativa de combater o crescimento desse novo rival, tornando mais fácil para cada tipo de cliente da Starbucks obter seus pedidos rapidamente.

As atuais lojas da Starbucks foram, em grande parte, projetadas antes que o pedido e o pagamento móveis e a entrega se tornassem parte da oferta da cadeia de cafeterias. Em alguns casos, isso levou a configurações desajeitadas, com grandes multidões reunidas na área de coleta de pedidos esperando por suas bebidas e alimentos.

O Starbucks Now foi projetado para acomodar de forma mais suave todo tipo de pedido suportado pela loja. Ele também tem um menu de bebidas com curadoria “sob medida para o cliente em movimento, junto com uma variedade de itens alimentares populares”. A loja tem uma quantidade limitada de assentos e é construída principalmente para clientes ou entregadores que receberão seus pedidos e sairão.

A loja tem uma área dedicada para que os entregadores recebam seus pedidos. Isso inclui um “sistema seguro na parede com uma porta de coleta associada a cada pedido”, de acordo com o comunicado de imprensa.

Essa primeira unidade da Starbucks Now servirá como um hub de entrega para sua região, o que aliviará as lojas vizinhas dessa responsabilidade. Tem ainda uma área de preparação separada para pedidos móveis, o que deve permitir a produção sem desacelerar os clientes da loja. Em teoria isso significa que não apenas os clientes na loja obterão um serviço eficiente, mas aqueles que entrarem nas lojas próximas também deverão receber seus pedidos mais rapidamente, já que os baristas dessas outras unidades não irão preparar os pedidos de entrega.

A empresa diz que planeja trazer o formato Starbucks Now para “áreas de tráfego intenso, incluindo centros de negócios e transporte, bem como para novas cidades na China”. A empresa ainda não revelou nenhum plano para estrear nos Estados Unidos.

O pedido e o pagamento via celular se tornaram parte cada vez mais importante do modelo da Starbucks, assim como a entrega por meio de serviços de terceiros. O novo formato que está sendo testado é um reconhecimento disso, mas também atende às necessidades de seus principais clientes, que estão apenas procurando obter seu café rapidamente e seguir seu caminho.

Este modelo reconhece que faz sentido criar espaços dedicados para diferentes clientelas. Essa é uma ideia que a cadeia integrou sutilmente nas lojas mais novas dos EUA, que geralmente oferecem mais espaço para os clientes aguardarem pedidos móveis e, às vezes, incluem áreas de coleta separadas para pedidos online e em loja.

Embora a Starbucks Now possa existir apenas na China no momento, a rede a utilizará para testar conceitos que, sem dúvida, encontrarão seu caminho de volta ao mercado doméstico. Evoluir para atender às necessidades de mudança das pessoas é apenas um atendimento ao cliente inteligente.