Consumo de mídia em phablets aumenta 148% no mundo

Com a alta, os phablets ajudaram a proporcionar um aumento de 78% no uso de dispositivos móveis em geral

Do Teletime

São Paulo – Após o fenômeno dos tablets, agora é a vez dos phablets, em particular depois do lançamento do iPhone 6 Plus e do Samsung Galaxy Note 4, que combinam a experiência de uso de telas grandes, mas com a mobilidade de smartphones comuns.

Phablets iPhone 6 Plus e do Samsung Galaxy Note 4

Essa é a conclusão de estudo realizado pela Flurry e divulgado nesta quinta-feira, 5, que mostra que essa categoria de aparelhos com telas grandes (acima de 5 polegadas) foi a que mais cresceu no comparativo anual, mostrando aumento de 148% em janeiro de 2015 em relação ao mesmo período do ano passado.

Com isso, os phablets ajudaram a proporcionar um aumento de 78% no uso de dispositivos móveis em geral, em número de sessões iniciadas.

De acordo com a empresa, isso é 3,8 vezes mais rápido do que o crescimento registrado por celulares de tamanho médio, como iPhone 4 e 5, em período similar.

No intervalo de janeiro de 2014 ao mesmo mês deste ano, os tablets pequenos (com tela de 7 polegadas) mostraram um aumento no uso de 14%, enquanto os de telas grandes (de 10 polegadas) diminuíram em 20%.

A Flurry acredita que, com isso, os phablets viraram o dispositivo favorito para consumo de mídia, já que as categorias de música; mídia e entretenimento; esportes; e notícias e revistas foram as que mais cresceram dentro do escopo de uso do aparelho.

Somente o consumo de conteúdo esportivo cresceu 427% mais nos phablets do que em qualquer outro tipo de aparelho, sendo que o crescimento em si foi de 158%. O aumento de notícias e revistas foi de 144%, e o de música, mídia e entretenimento foi de 103%.

Chama atenção que o consumo de conteúdo na Web aumentou apenas 2%, enquanto o tempo gasto com aplicativos entre os norte-americanos respondeu por 88% do total, contra 12% da Web.

Em abril de 2014, a proporção era de 86% e 14%, respectivamente. “Nós vimos o tablet mudar o cenário de consumo de mídia e de smartphone.

Desta vez, está acontecendo com o phablet. Não é apenas um terceiro estágio de um foguete de mídia, é a forma industrial definitiva do mobile”, conclui o estudo da companhia

06/03/2015 14:18

http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/consumo-de-midia-em-phablets-aumenta-148-no-mundo

As novas ondas do rádio

Na última terça-feira (9/12), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) lançou a campanha “Smart é ter rádio de graça no celular”. O objetivo é estimular o consumo do rádio nos aparelhos móveis, sugerindo à população que opte por celulares com chip de rádio FM. Com o rádio no celular, defende a associação, não é necessário usar o pacote de internet para ter acesso à informação e entretenimento.

A campanha envolve spots de rádio, peças publicitárias para internet, mídia impressa e redes sociais. “O foco é valorizar a recepção da programação do rádio pelo ar, gratuitamente. Para o público, que em sua maioria consome planos pré-pagos de internet e de celular, ter rádio sem pagar nada é um ativo muito relevante”, afirma o presidente da Abert, Daniel Slaviero.

Outro objetivo é sensibilizar a indústria a fabricar celulares com chip FM de rádio. Um levantamento da associação mostra que, de 206 aparelhos celulares à venda no mercado, 88% já vêm com esse dispositivo integrado. Nos celulares até R$ 300, esse índice chega a 99%. No entanto, o percentual cai para 62% nos aparelhos acima de R$ 1 mil.

De acordo com Slaviero, o principal motivo é a pressão das empresas de telefonia pelo aumento do consumo de dados. Os celulares mais sofisticados consomem mais banda larga e o rádio gratuito pode prejudicar a rentabilidade das empresas. “A nossa meta é chegar a 100% dos aparelhos comercializados legalmente no Brasil com o FM embutido.”

Em 2004, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad/IBGE), a presença dos aparelhos de rádio nos domicílios era de 88,1%. Em 2009, esse número permaneceu o mesmo e, em 2013, baixou para 75,8%. Por outro lado, de acordo com dados da Abert, em 2004, a presença do rádio FM no celular era de apenas 3,3%; em 2009 passou para 35,5%; e em 2014 alcançou o patamar de 88%. “Isso chama a atenção porque, no mesmo período, a taxa de audiência não caiu significativamente e as receitas do setor têm se mantido em níveis superiores à inflação, o que nos leva a perceber que a população está consumindo mais rádio pelos aparelhos móveis”, destaca Slaviero.

Segundo pesquisas divulgadas pelo InterMeios, a receita do rádio cresceu 44,95% nos últimos cinco anos – 10,45% só em 2013. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA/IBGE), cresceu 31,87% no mesmo período. E em uma nova pesquisa do Ibope Media, lançada em novembro, foi identificado que: 90% dos brasileiros são ouvintes de rádio; para 70% desse público o meio é uma alternativa de entretenimento; a população dedica, em média, três horas e 51 minutos por dia para ouvir rádio.

“A realidade é que o rádio é personalista, o ouvinte não troca de rádio todo o tempo. Você pode ouvir seu programa fazendo várias outras coisas, ao contrário da televisão e da internet. E o rádio tem uma característica que ninguém tem: o serviço local. Se você quiser saber algo da sua cidade só vai encontrar informações no rádio. Esta conjunção de características é que tem feito o rádio se manter”, acredita Luis Roberto Antonik, diretor-geral da Abert.

Para ele, qualquer coisa que distraia o ouvinte é concorrente do rádio: televisão, internet, mídias sociais, aplicativos de bate-papo. Daí a luta para despertar o radiodifusor: se ele não fizer mídia espontânea sobre o celular com rádio, diz Antonik, estará comprometendo o seu negócio no médio prazo.

Além disso, a audiência passa a sair do receptor comum e migrar para o carro – são 45 milhões de veículos equipados com rádio – e para a web. Antonik conta que a Abert está investindo nisso, criando um integrador tipo TuneIn e desenvolvendo aplicativos para iOS e Android gratuitamente, para que as rádios menores também possam usufruir. “Temos que insistir que o nosso negócio maior ainda é o rádio captado do ar”, defende.

Conteúdo é tudo – Existe atualmente um movimento em busca de conteúdo diferenciado para o rádio. Já que todo mundo tem acesso à música, quem faz rádio tem buscado produzir o que a música não supre. É o que diz o DJ, produtor musical e podcaster Maestro Billy. Um dos maiores conhecedores sobre podcasts no Brasil, ele acredita que o que as rádios atualmente buscam, e o que se torna seu grande diferencial, é: informação diferente, gente interessante, bom conteúdo.

“Além disso, as rádios vem se modernizando, criando novas ferramentas de interação com seus ouvintes, e também usando a tecnologia – que teoricamente as engoliria – em seu benefício. Veja o exemplo da Rádio Sul América Trânsito, que atualmente usa as informações do aplicativo Waze para dar boletins de trânsito melhores. É isso que podcast vem fazendo há tempos: gente diferente, com conteúdo diferente, dinâmico, atual, interativo e interessante.”

Uma pesquisa sobre consumo e comportamento de quem ouve podcast, lançada neste ano com cerca de 16 mil ouvintes, a Podpesquisa identificou que a utilidade do conteúdo é a terceira característica mais importante para quem ouve podcast (75,7%), atrás de entretenimento (90,4%) e qualidade do áudio (78,4%). Música ficou em sétimo lugar (17,6%).

Para Patrick Torquato, da rádio Frei Caneca FM, emissora pública do Recife (PE), a grande questão de fato não é sobre internet versus rádio, nem sobre a plataforma, mas sim sobre o conteúdo. “O rádio se perdeu com a chegada da internet, mas quem está aparecendo é quem tem um podcast bacana, quem faz um conteúdo legal”, afirmou durante uma reunião aberta de rádios na Semana Internacional de Música de São Paulo, na última sexta-feira (5/12).

“Vendo pela perspectiva do conteúdo é mais fácil pensar o que será a rádio daqui a 20 anos. Eu entendo que, nesse sentido, vou usar a internet como aliada, não como concorrente”, defendeu.

Unidos venceremos – Muitos programas de rádio já são disponibilizados via podcast, por exemplo, o que, para Billy, torna essa ferramenta realmente um agregador antes de ser um adversário.

Torquato acredita que um dos grandes benefícios de aliar as duas coisas é se fazer presente na vida do ouvinte onde quer que ele esteja. “Se rádio não pega na estrada, eu posso fazer um podcast pra pessoa ir ouvindo até chegar no seu destino”, exemplificou.

Mas ainda existem muitas rádios que continuaram apegadas ao modelo de mercado antigo, sem usar a internet, diagnosticou Ricardo Rodrigues, vice-presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil, que também estava na SIM São Paulo. Segundo ele, com um modelo de comunicação “de cima pra baixo”, essas rádios perderam espaço para um meio que criou grande identificação com o público ao permitir que ele fizesse a programação da forma como achasse melhor.

“Quando a rádio se coloca mais ao lado do ouvinte, vira a chavinha da proximidade quanto ao formato”, defendeu Rodrigues, que foi durante sete anos diretor da rádio UFSCar, de São Carlos (SP). “Na UFSCar, ouvimos tudo o que estava acontecendo na internet e levamos para a FM. A internet é tão grande que tudo vira pontinho de areia, então na emissora a gente faz uma filtragem e uma pesquisa. Nosso sinal vai na web e na FM e a gente trabalha esses ouvintes igualmente”, conta, avaliando que tanto público quanto artistas valorizam essa relação.

De qualquer modo, rádio sempre foi interativo. O “pedido do ouvinte”, o “recado”, além da rapidez da informação, o tornam muito próximo do que a internet proporciona, lembra o Maestro Billy. Por isso ele acredita que o rádio nunca vai morrer. “Pode mudar, se atualizar, se modernizar. O que já está ocorrendo: em quesitos técnicos, as rádios já transmitem em formato digital; em quesitos artísticos, podemos notar algumas similaridades com a internet.”

Ao analisar a história do rádio, vemos que ele foi um grande revolucionário da comunicação de massa. Com ele, tudo ficou mais dinâmico. “O que não é isso além de um Twitter de antigamente?”, questiona Billy.

Ele acredita que, seja no formato – que pode se adaptar -, seja na transmissão – que chega ainda onde a eletricidade e o 3G não chegaram -, é isso que faz com que o rádio nunca vá morrer

•  dezembro 12, 2014 •

http://www.culturaemercado.com.br/destaque/as-novas-ondas-do-radio/

Smartphone é principal meio de acesso à internet em casa

O celular já é o principal meio de acesso à internet em casa, no Brasil, segundo a 14ª edição da pesquisa F/Radar, realizada pela F/Nazca. Dos entrevistados, 52% afirmaram usar o smartphone para navegar na web, ante 42% que disseram utilizar o computador de mesa e 40%, notebook. Os tablets foram apontados por 12% das pessoas ouvidas. Cerca de 12 milhões de brasileiros acessam a internet em casa apenas pelo celular, sendo que 80,2% deles estão nas classes C e D.

O uso do smartphone para navegar na web quase dobrou nos últimos dois anos. O tablet também vem ganhando popularidade, tendo sua utilização por internautas quase triplicado neste mesmo período. Sete em cada 10 usuários acessam a rede por um dos dois gadgets, o que leva a um montante de 62,5 milhões de internautas móveis no Brasil. E o smartphone não é apenas o meio mais usado, mas é o preferido para navegar.

Esse comportamento muda o jeito de as pessoas agirem na web. Os usuários ganharam mobilidade e se tornaram mais mobilizados na internet. A maioria dos internautas (54%) já foi impactada por movimentos sociais. As redes sociais são o principal meio de contato com essas organizações. O conteúdo trocado pelos grupos contribui para a mudança de opinião a respeito de algum problema social, segundo 51% dos entrevistados

por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 18/12/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/32474/smartphone-e-principal-meio-de-acesso-a-internet-em-casa.html

Retrato de uma juventude

O retrato, aliás, o autorretrato é o seguinte: de manhã despertamos com o celular, zapeamos as notícias no tablet, conferimos o trânsito na rádio, tarde adentro ziguezagueamos no trabalho entre abas e abas repletas de imagens, letras e links, à noite assistimos à TV para pensar na vida – e às vezes para não pensar –, marcamos um bar com os amigos no Facebook, narramos o evento no Twitter e fotografamos o quão divertido está o encontro no Instagram. Socializamos o tempo todo, compartilhamos o tempo todo, curtimos o tempo todo. Curtimos?

No fim de abril, o diretor londrino Gary Turk postou seu “manifesto” Look Up, que já soma mais de 37 milhões de visualizações – ironicamente, uma crítica à midiatização da vida se tornou um hit no YouTube. Outro hit, já na casa dos 42 milhões de views desde agosto, foi protagonizado pela atriz Charlene deGuzman. No vídeo I Forgot My Phone, a americana é ignorada por todos ao seu redor, intensamente vidrados nos “likes” de seus smartphones, o que levou o jornalista Nick Bilton a publicar no New York Times uma pensata atilada à nossa sociedade: “Assistir ao vídeo de DeGuzman é desconfortável. É um golpe direto na nossa cultura obcecada com smartphones, cutucando-nos sobre nosso vício naquela pequena tela e sugerindo que talvez a vida possa ser mais bem direcionada quando é vivida – em vez de visualizada.”

“Dizia Hegel, o jornal é a ‘oração’ matinal do homem moderno. As redes sociais serão a oração do homem pós-moderno”, considera o sociólogo francês Michel Maffesoli, diretor do Centre d’Études sur l’Actuel et le Quotidien (CEAQ) da Université Paris Descartes – Sorbonne. Autor de O Ritmo da Vida (2007), O Tempo das Tribos (2006) e Sobre o Nomadismo: Vagabundagens Pós-modernas (2001), entre outros, o teórico da pós-modernidade é um dos principais pensadores debruçados sobre questões culturais e ciberculturais da atualidade. Vê nos selfies mais uma expressão contemporânea da iconofilia, essa adoração imagética num looping rumo ao infinito como o que vimos nos últimos dias: Macaulay Culkin vestindo uma camiseta de Ryan Gosling, vestindo uma camiseta de Macaulay Culkin e assim por diante.

 

Mas Maffesoli, aos 69 anos, é otimista sobre determinados aspectos da internet. Na sua visão, o avanço tecnológico não nos direciona ao antissocial. “Tende, ao contrário, a consolidar uma mise en relation. E uma das pistas que será preciso estudar sobre o desenvolvimento tecnológico próprio às mídias sociais é a emergência de novas formas de generosidade e de solidariedade”, diz.

Nesta entrevista ao Aliás, às vésperas do Dia Mundial da Internet (celebrado no dia 17 de maio), o intelectual comenta as relações entre os “nativos digitais” nessas tribos contemporâneas. Pondera que, evidentemente, não estamos mostrando quem somos nas redes sociais – mas quem desejamos ser aos olhos dos outros. “Qual é o status dessas determinadas personalidades? De fato, elas não são mais consubstanciáveis a um indivíduo, mas representam uma máscara – a persona – de quem escolhe se posicionar nessa ou naquela rede social.”

Para Maffesoli, essas relações tribais, especialmente entre os jovens, levam a um outro quadro: quer-se tanto viver em sociedade que os jovens se preocupam mais em se acomodar ao mundo – e não a querer transformá-lo.

Qual é o papel das mídias sociais na pós-modernidade?

Podemos dizer que, na pós-modernidade, as mídias estão se tornando mais e mais importantes, especialmente as chamadas “mídias sociais”. Lembremos Hegel, que dizia no século 19: a leitura do jornal é a oração do homem moderno. Podemos pensar que as mídias interativas serão a oração do homem pós-moderno. Contrariamente às críticas tradicionais, porém, acredito que essas mídias favorecem a mediação, isto é, a relação e a inter-relação entre as pessoas. Se a modernidade, particularmente no seu momento final, viu o triunfo da “multidão solitária”, a pós-modernidade nascente verá se desenvolver uma multiplicidade de novas tribos urbanas, cuja essência é o relacionismo.

Com os avanços tecnológicos, nós estamos observando a emergência de uma geração ‘selfie’?

Certamente o selfie está no ar. Entretanto, na minha opinião, essa mise en scène de si mesmo não é, como se costuma dizer, o símbolo de um aprisionamento de si. Nessa perspectiva, discordo dos teóricos que abordam abusivamente o narcisismo. Prefiro dizer que os selfies compõem a forma contemporânea da iconofilia. Assim, podemos indicar um narcisismo tribal. Isso quer dizer que, ao difundir essas fotografias, nós pretendemos nos posicionar em relação aos outros da tribo. Se traçarmos um paralelo com uma imagem religiosa, o selfie tem uma finalidade sacramental, que torna visível a força invisível do grupo. O que me liga aos outros da minha tribo? Nós nos definimos sempre em relação ao outro. Assim, o fenômeno tribal repousa essencialmente no compartilhamento de um gosto (sexual, musical, religioso, esportivo, etc.). É preciso dizer que essa “partilha” cresce exponencialmente com o desenvolvimento tecnológico.

Nas mídias sociais, publicamos ‘selfies’ sempre felizes. Somos tão felizes? Ou filtramos nossos retratos justamente para esconder nossas angústias atuais?

De fato, as mídias sociais (Facebook, Instagram, Twitter, etc.) tendem a dar uma figuração feliz de nós mesmos. Certamente não estamos sempre felizes. Mas há aí um movimento de pudor: nós tendemos a dar à tribo, ou às diversas tribos às quais pertencemos, imagens reconfortantes de nós mesmos. No entanto, historicamente, é preciso lembrar que os quadros e as esculturas, as imagens próprias a todas as civilizações destacaram essencialmente essa figuração de felicidade. Os últimos livros de Michel Foucault (História da Sexualidade: O Cuidado de Si e História da Sexualidade: O Uso dos Prazeres) mostram que isso marcou a Grécia e a Roma antiga. Foi o caso também na Idade Média. Para resumir em uma expressão: isso traduz um “pudor antropológico”, que é um elemento essencial do viver em sociedade.

Há quem argumente que a tecnologia está nos tornando antissociais. Temos muitos amigos no Facebook, mas estamos mais solitários?

Contrariamente aos críticos que sublinham o isolamento crescente, que seria característico das megalópoles pós-modernas, considero que a multidão solitária – na minha expressão, a solidão gregária – é uma das especificidades da modernidade decadente. Paradoxalmente, o desenvolvimento tecnológico não nos direciona ao antissocial. Tende, ao contrário, a consolidar essa mise en relation – no seu sentido forte e etimológico, o comércio das ideias, dos bens, dos afetos. É evidente que o termo “amigo” particularmente no Facebook não pode ser reduzido à concepção de amizade clássica, feita de relações intensas e recíprocas. Entretanto, a multiplicidade de amigos nos permite saber, se necessário for, onde e com quem manter relações sociais. E uma das pistas que será preciso estudar sobre o desenvolvimento tecnológico próprio às mídias sociais é a emergência de novas formas de generosidade e de solidariedade, nas quais os uns e os outros são causa e efeito de uma “horizontalização societal”.

Divulgado nos últimos dias, um estudo da OMS mostrou que a depressão é a principal enfermidade entre os jovens. A vida virtual e a fragilidade das relações ‘tête-à-tête’ teriam impacto nessa geração? 

É preciso ter bastante cuidado com os diversos estudos institucionais focados principalmente no campo da saúde, que tendem a dizer que a depressão é a doença específica das jovens gerações. Valeria questionar se essa depressão não é característica das gerações no poder, quer dizer, das próprias gerações que comandam esses estudos e que talvez, num processo de compensação como destacou o psicanalista Carl Gustav Jung, tendem a projetar ao exterior o mal-estar que nós mesmos sofremos.

Há tempo para contemplação do mundo atualmente?

No livro A Contemplação do Mundo, tento demonstrar que a tendência geral da pós-modernidade, perceptível particularmente nas jovens gerações, consiste menos em querer mudar o mundo – e mais em se acomodar ao mundo. Adaptar-se, ajustar-se a ele. Isso pode nos conduzir a evitar a devastação, cujos “saques” ecológicos são exemplos cotidianos. Com o sociólogo italiano Massimo De Felice, no Centro de Pesquisa Atopos da Universidade de São Paulo (USP), tentamos justamente desenvolver pesquisas sobre essa “ecosofia”. Acredito que é assim que precisamos compreender o “ritmo da vida”, isto é, pensar a existência a partir de um ponto fixo – a natureza, o território –, todos os elementos que fazem com que o ambiente social dependa do ambiente natural. Se a modernidade foi um pouco paranoica, levando à dominação e à devastação do mundo, na pós-modernidade uma nova sabedoria está em gestação.

Por fim, a tecnologia é um meio? Ou uma mensagem?

É habitual considerar que, com a prevalência de um racionalismo exacerbado, a tecnologia moderna contribuiu para um desencantamento do mundo. No entanto, na minha opinião, é paradoxal observar que, atualmente, esse desenvolvimento tecnológico, especialmente nos seus usos sociais, nos direcionam a um reencantamento do mundo. Nessa perspectiva, as mídias sociais são ao mesmo tempo um meio e uma mensagem, que confortam a vida em sociedade. Se a modernidade se firmou a partir de um princípio individualista, a tecnologia pós-moderna abriga um relacionismo galopante – uma relação, como frisei, entre nós e os outros.

Michel Maffesoli é sociólogo, teórico da pós-modernidade e autor de ‘O tempo da tribos’, entre outros livros 

Juliana Sayuri – O Estado de S. Paulo

17 de maio de 2014 | 16h 00 –

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,retrato-de-uma-juventude,1167792,0.htm

 - INDEPENDENT.CO.UK

Anatel: Brasil termina 2013 com 271 milhões de celulares

O Brasil terminou 2013 com 271.099.799 linhas ativas na telefonia móvel, informou nesta segunda-feira, 27, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Somente em dezembro, foi registrado acréscimo de 580,92 mil linhas. No ano, foram 9,92 milhões de novas adesões, ou seja, um crescimento de 3,55% ante o estoque do final de 2012.

Em dezembro de 2013, os acessos pré-pagos totalizavam 211,58 milhões, ou seja, cerca de 78% do total. Os pós-pagos representavam 59,52 milhões de linhas, representando a fatia de 22% restante. A banda larga móvel totalizou 103,11 milhões de acessos, dos quais 1,31 milhões já são terminais com tecnologia 4G.

A “teledensidade” alcançou 136,45 acessos móveis para cada grupo de cem brasileiros ao final de dezembro, ante 136,24 para cem pessoas, em novembro. O Distrito Federal foi onde dezembro terminou com a mais elevada teledensidade: 222,95 celulares para cada cem pessoas ao final de dezembro. O Maranhão foi o Estado com o índice mais baixo: 95,37 celulares para cada cem pessoas. São Paulo, que é o principal mercado do País, com 65,085 milhões de acessos móveis, encerrou dezembro com teledensidade de 153,7 linhas para cada cem habitantes.

Ao final de 2012, O Brasil tinha 261.807.903 de acessos móveis. Com isso, a teledensidade era de 132,79 linhas para cada cem habitantes naquele período, apontam dados da Anatel.

Na divisão de mercado, a Vivo terminou 2013 na liderança, com 77,244 milhões de linhas, ou seja, 28,49%. A segunda posição ficou com a Tim, com 73,431 milhões de terminais, o que representou fatia de 27,09%. A Claro obteve o terceiro lugar, com 68,704 milhões de acessos, ou seja, 25,34% do total; e a Oi ficou na quarta posição, com 50,216 milhões de celulares (18,52%). Também são citadas CTBC, Nextel, Portoseguro, Sercomtel e Datora que, juntas, somam 1,503 milhão de linhas, ou seja, pouco mais de 0,5% do total.

Fonte: O Estado de S. Paulo – 28 Jan 2014

http://www.gsmd.com.br/pt/noticias/varejo-digital/anatel-brasil-termina-2013-com-271-milhoes-de-celulares