Leveza, BY André Lemos (1)

Carrego a mochila com todos os objetos Para me conectar livre, sem empecilhos. E a quero sempre leve, muito leve.

Mas aquilo que é leve, pesa, e o que pesa, eleva-se. Insuportável leveza compulsória.

Das tecnologias em nanodimensões, Aos argumentos nas redes sociais, Só conexões sem atrito, flutuando no vazio.

Sem obstáculos e sem sujeira, Nas conversas simples, em poucos caracteres, Vagam espectros em tempo real.

Limpas e leves são as ações brevíssimas, Sem incômodos, sem complicações. Tudo fácil enredado e flutuante.

E na aparente desmaterialização Da mochila que levo cheia de objetos, O vazio dos dados atrai e conecta.

Mas a liberdade sem peso É pluma que não pousa. É hiperdensidade que aterra.

Dizem que leve é para ser livre! Minha comida, minha bebida, minha roupa, Meu celular, meu tablete, meu laptop.

Leve hoje, pesado ontem. Mais leve amanhã. Matéria escura.

E da nuvem vem a música: “Leve, como leve pluma muito leve pousa, muito leve leve pousa aaa… Na simples e suave coisa, suave coisa nenhuma, suave coisa nenhuma aaa” (2)

Neste império digital (Leve coisa nenhuma), A nuvem não faz sombra.

E pesa o corpo dado e fardo. E pesa a fala simples sem sujeito, Pois sem o que molda ou atormenta.

Das coisas obsoletas e programadas, Na desmaterialização é a matéria que sustenta, No digital é o átomo que salva.

A mochila pesa e me avisa Que peso salva se for leve. Leveza sem peso é o nada.

Me curvo com a mochila Na gravidade insuportável Da era do vazio que constrange.

O olhar voltado pro chão. E as costas curvadas Pelo peso da mochila.

Tanto trabalho, gangorra, Tropeço, oh calculi, E desprego da obediência.

Do peso, ufa, se faz voo. Da queda que importa Vem a leveza, a liberdade.

O resto é pluma, Na nuvem, Que não pousa!

_______

1. Professor Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA. Pesquisador do CNPq, Coordenador do Lab404.

2. Trecho da letra da música “Amor” do álbum “Secos e Molhados”, Secos e Molhados, 1973 – See more at: http://andrelemos.info/2014/10/leveza/#sthash.4NMwjYn1.dpuf

http://andrelemos.info/2014/10/leveza/

Leveza é o tema da vez no Caderno de Sábado

O culto ao leve, divertido, rápido, envolvente e a ojeriza à gordura, ao peso, ao lento, ao reflexivo. O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve em Porto Alegre e falou do livro que vai lançar em janeiro de 2015, “Da Leveza” (editora Grasset).

Conforme Juremir Machado da Silva, o tema engloba muitos paradoxos e aspectos típicos do nosso tempo. “Cultuamos a leveza. Tudo deve ser leve, divertido, rápido e envolvente. Odiamos a gordura, o peso e a demora. A tecnologia aposta em objetos cada vez menores e mais leves. Trabalhamos duro para termos corpos cada vez mais magros. Os filmes não podem ter mais de duas horas. As peças de teatro, antes longas e com intervalos, estão mais curtas. Os livros também emagreceram. Mais de 250 páginas é um peso. Em contrapartida, os pesos da vida parecem cada vez maiores: estresse, depressão, obesidade, desencanto com a política, problemas da idade, de viver mais e de desejar mais”. Quando nos sentimos felizes, lembra Lipovetsky, segundo Juremir, ‘dizemos que estamos no ar, que flutuamos, parece que criamos asas. Quando estamos tristes, carregamos o fardo do mundo em nossas costas. Oscilamos entre o peso da vida e a leveza da felicidade. A leveza passa. O peso fica. Queremos voar, pesar, sonhar e gozar.”

O Caderno de Sábado convidou pensadores como Charles Kiefer, Márcia Tiburi, Erick Felinto, André Lemos e Ricardo Timm para refletir sobre o tema.

O Caderno também conta também com uma entrevista de Juremir Machado da Silva com a historiadora francesa da psicanálise Elizabeth Roudinesco, com um artigo do escritor e ilustrador Hermes Bernardi Jr. sobre aquela que deveria ser a mais importantes da literaturas, a infantil, em homenagem ao Dia da Criança, além de uma análise do Festival do Rio, feita pela crítica de cinema Adriana Androvandi e também a agenda de shows, exposições, peças de teatro e lançamentos literários do sábado

10/10/2014

http://www2.correiodopovo.com.br/ArteAgenda/?Noticia=538002

“Hiperconsumo está condenado à morte”, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky

23º Congresso de Marketing da ADVB/RS, realizado ontem (dia 24 de setembro) no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, foi um verdadeiro networking para cerca de 1,2 mil participantes, que aprenderam com pensadores e especialistas de grandes empresas os novos movimentos que ditarão as relações de consumo, práticas que vão mexer com o comportamento das pessoas e o mundo dos negócios

Estamos diante de uma nova sociedade, em que o consumo de massa deixou de existir dando espaço para o hiperconsumo. O neoconsumidor do século 21 fez uma ruptura absoluta com o modelo de compras dos anos 40 e 50, onde reinava o sentimento do semicoletivo: uma televisão, um telefone, um carro e outros equipamentos eram suficientes para uma família. Esta ideia do uno ficou no passado, predomina, agora, o pensamento de pluralidade, ou seja, muitas coisas para cada indivíduo, um fenômeno impulsionado pela tecnologia, mas também pela descoberta do colecionar experiências (valor do prazer, satisfação e felicidade). Porém esta explosão do consumo generalizado deve novamente ter um revés. “Mesmo que não desapareça imediatamente, o modelo do hiperconsumo e do hiperindividualismo está condenado à morte. Vamos assistir ao nascimento de um consumidor frugal, um consumidor responsável e colaborativo, mais atento ao ecológico e que sabe dividir, compartilhar”, disse o filósofo francês Gilles Lipovetsky no 23º Congresso de Marketing, promovido pela ADVB/RS no dia 24, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.

Com o tema Novas Conexões para Novos Negócios, o evento das 8h às 18h30 reuniu importantes nomes do cenário do marketing: o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, o CMO do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, o CEO da FLAG, Roberto Martini, e o co-fundador da Global Shapers Community Porto Alegre, Tomás de Lara. Ao destacar que o congresso é uma iniciativa para capacitar o mercado gaúcho, tornando-o mais forte e competitivo, o que contribui para o desenvolvimento do Estado, o presidente da ADVB/RS, Carlos Bierdermann, disse que os conceitos difundidos e a troca de experiências com os especialistas convidados resultam em um aprendizado único. “Todos os segmentos possuem relação com o marketing e precisam dele para compreender se destacar no mercado. O desafio de cada participante é levar todo esse conhecimento para as organizações e transformar tudo isso em desenvolvimento, excelência e novos negócios”, frisou para os mais de 1,2 mil participantes, que assistiram a sequência de palestras.

Rebuscando a sociedade de consumo desde o pós-guerra a uma projeção do futuro, Gilles, que é autor de livros como Os tempos Hipermodernos, A Felicidade Paradoxal: Ensaio sobre a , A Era do Vazio, disse que o hiperconsumo apresenta diversas características, mas principalmente a individualização do comportamento, originada na emancipação do indivíduo. “O neoconsumidor é um nômade, é volátil, é imprevisível e infiel. Ele vive em uma bulimia crescente de busca de gratuidade, ao mesmo tempo sonha com produtos caros, de luxo. Há uma bipolarização das compras, em que prevalece um modelo cultural do consumidor que aspira coisas para ele e que não quer mais se privar de produtos que tragam satisfação. Isso não significa um direcionamento à zona do low cost (baixo custo)”, explicou o francês no painel O Papel do Marketing nas Novas Relações de Consumo.

PROPÓSITOS
– O propósito das organizações de conseguirem ofertar satisfação e felicidade ao consumidor também foi replicado pelos demais palestrantes. Com o tema O Papel do Branding na Conexão com o Consumidor, o executivo Fernando Chacon mostrou como o Itaú Unibanco foi além do seu core business e vem alcançando sua razão de existir: o propósito de transformar para melhor o mundo das pessoas, razão pela qual decidiu abrir um guarda-chuva de causas, desde educação à mobilidade urbana. Já Tomás de Lara, da Global Shapers Community Porto Alegre, disse que o mundo está entrando em uma era mais subjetiva, muito mais de criação do que produção. “Tudo está conectado, há um despertar da consciência e a biomética será parte fundamental dos novos conceitos, sendo levada para dentro das empresas”, comentou no painel A Evolução da Conexão com o Consumidor. Segundo ele, uma nova economia, chamada de circular, está se desenhando, ganhando contornos mais humanos, corroborativos, social e sustentável. A ordem, sentenciou, será o compartilhamento.

Nesta linha de mudanças de comportamento, o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, ratificou os novos hábitos adquiridos pelo consumidor. Ao falar sobre O novo perfil do Shopper e impactos nas relações de consumo, ressaltou que são três as tendências de consumo que vão mudar os canais de venda: conveniências, racionalização e experiência. “Os shoppers compram para as próximas quatro horas ou até a manhã do dia seguinte. Com isso, as cestas pequenas estão crescendo em detrimento das grandes e o ticket de compra é menor, porém diário. Também há um deslocamento de público para o ‘atacarejo’, que só em 2013 registrou a abertura de 2 milhões de novas lojas”, relatou, ao dar três dicas para capturar essas novas oportunidades de vendas: diversificar a oferta, facilitar as compras, tornando-as mais intuitiva, e otimizar o sortimento. Já Roberto Martini, da FLAG, mostrou uma perspectiva futura mais dura. “A robotização substituirá o pensamento. Se antes um processo dependia de 40 pessoas, hoje são necessárias duas”, frisou, argumentando que a nova economia, a comunicação em rede, os novos negócios virão das tecnologias daqui para frente.

DESAFIO – Para o curador do 23º Congresso de Marketing, Ricardo Vontobel, que liderou o painel Transformando Tendências em Realidade nos Negócios – reuniu palestrantes em um debate – a sociedade vive um momento de mudanças intensas, rápidas e profundas. “Hoje, a produção somente na forma física não garante vantagem competitiva. Cada vez mais, os aspectos intangíveis de produtos e serviços passarão a fazer parte dos aspectos tangíveis, gerando um ambiente diferenciado de relacionamento com o consumidor”, afirmou. Acrescentou ainda que, com a globalização, se instalou um processo de comoditização, com preços semelhantes. “Precisamos encontrar diferentes maneiras de encantar e mobilizar o consumidor. O desafio é incorporar habilidades de resoluções criativas.” O 23º Congresso de Marketing teve como patrocinadores a Unisinos, Seprorgs, RBS TV e Leão Fuze. Apoiaram o evento Fecomércio-RS, Gerdau, Zero Hora, Morya e Teatro do Bourbon Country

http://www.portaldapropaganda.com.br/portal/propaganda/43647-hiperconsumo-esta-condenado-a-morte-diz-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky

Famecos recebe o filósofo francês Gilles Lipovetsky

Os alunos do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS/PUCRS) participaram nessa quinta-feira (25/9) de uma palestra com  o filósofo francês Gilles Lipovetsky. Prestes a lançar seu novo livro, o autor de obras como Império do Efêmero: a Moda e seu Destino nas Sociedades Modernas tratou de assuntos como consumo exacerbado e a busca pela leveza. Para uma atenta plateia, Lipovetsky explicou que a chamada civilização da leveza vem se constituindo desde a metade do século XX. A partir de 1950, surgiu uma nova economia baseada no consumo, por meio de produtos e serviços como televisão, turismo e computadores. “Hoje todos temos smartphones, e se estes não estiverem em nossos bolsos, ficamos estressados”, criticou.

Conforme o filósofo, vivemos a cultura do entretenimento, da distração. A partir do desenvolvimento de novos materiais, principalmente com a nanotecnologia, os homens passaram a dominar aquilo que é infinitamente leve. Entretanto, o tema leveza pode ser visto por outras óticas. Para o autor, atualmente as pessoas têm verdadeira obsessão pela magreza, por tudo aquilo que é light.  O teórico ainda ressaltou que o leve sempre esteve no coração dos homens. “A civilização grega, por exemplo, falava em sabedoria. Se adotarmos um pensamento antropológico, a sabedoria é uma forma de leveza”, analisou. Para ele, o problema é que o mundo da leveza criou uma espécie de novo peso.

“O centro das buscas do ser humano hoje é a felicidade, e toda a indústria publicitária se baseia nisso”, avaliou. Conforme o filósofo, o problema é que entre aquilo que é anunciado e a realidade, há uma grande diferença. “A aspiração hoje é se sentir leve. Tudo é muito pesado, a vida nos esmaga”, disse. O lado negativo dos avanços tecnológicos é que, segundo ele, as pessoas terão mais poder sobre as coisas do que sobre elas mesmas, o que mostra a finitude humana. “Aquilo que nos torna felizes ou infelizes é a relação que mantemos com os outros seres humanos. Felicidade é se sentir leve”.

25/09/2014

http://portal.eusoufamecos.net/famecos-recebe-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky/

“Hiperconsumo está condenado à morte”, diz o filósofo francês Gilles Lipovetsky

Estamos diante de uma nova sociedade, em que o consumo de massa deixou de existir dando espaço para o hiperconsumo. O neoconsumidor do século 21 fez uma ruptura absoluta com o modelo de compras dos anos 40 e 50, onde reinava o sentimento do semicoletivo: uma televisão, um telefone, um carro e outros equipamentos eram suficientes para uma família. Esta ideia do uno ficou no passado, predomina, agora, o pensamento de pluralidade, ou seja, muitas coisas para cada indivíduo, um fenômeno impulsionado pela tecnologia, mas também pela descoberta do colecionar experiências (valor do prazer, satisfação e felicidade). Porém esta explosão do consumo generalizado deve novamente ter um revés. “Mesmo que não desapareça imediatamente, o modelo do hiperconsumo e do hiperindividualismo está condenado à morte. Vamos assistir ao nascimento de um consumidor frugal, um consumidor responsável e colaborativo, mais atento ao ecológico e que sabe dividir, compartilhar”, disse o filósofo francês Gilles Lipovetsky no 23º Congresso de Marketing, promovido pela ADVB/RS no dia 24, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre.

Com o tema Novas Conexões para Novos Negócios, o evento das 8h às 18h30 reuniu importantes nomes do cenário do marketing: o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, o CMO do Itaú Unibanco, Fernando Chacon, o CEO da FLAG, Roberto Martini, e o co-fundador da Global Shapers Community Porto Alegre, Tomás de Lara. Ao destacar que o congresso é uma iniciativa para capacitar o mercado gaúcho, tornando-o mais forte e competitivo, o que contribui para o desenvolvimento do Estado, o presidente da ADVB/RS, Carlos Bierdermann, disse que os conceitos difundidos e a troca de experiências com os especialistas convidados resultam em um aprendizado único. “Todos os segmentos possuem relação com o marketing e precisam dele para compreender se destacar no mercado. O desafio de cada participante é levar todo esse conhecimento para as organizações e transformar tudo isso em desenvolvimento, excelência e novos negócios”, frisou para os mais de 1,2 mil participantes, que assistiram a sequência de palestras.

Rebuscando a sociedade de consumo desde o pós-guerra a uma projeção do futuro, Gilles, que é autor de livros como Os tempos Hipermodernos, A Felicidade Paradoxal: Ensaio sobre a Sociedade de Hiperconsumo, A Era do Vazio, disse que o hiperconsumo apresenta diversas características, mas principalmente a individualização do comportamento, originada na emancipação do indivíduo. “O neoconsumidor é um nômade, é volátil, é imprevisível e infiel. Ele vive em uma bulimia crescente de busca de gratuidade, ao mesmo tempo sonha com produtos caros, de luxo. Há uma bipolarização das compras, em que prevalece um modelo cultural do consumidor que aspira coisas para ele e que não quer mais se privar de produtos que tragam satisfação. Isso não significa um direcionamento à zona do low cost (baixo custo)”, explicou o francês no painel O Papel do Marketing nas Novas Relações de Consumo.

PROPÓSITOS – O propósito das organizações de conseguirem ofertar satisfação e felicidade ao consumidor também foi replicado pelos demais palestrantes. Com o tema O Papel do Branding na Conexão com o Consumidor, o executivo Fernando Chacon mostrou como o Itaú Unibanco foi além do seu core business e vem alcançando sua razão de existir: o propósito de transformar para melhor o mundo das pessoas, razão pela qual decidiu abrir um guarda-chuva de causas, desde educação à mobilidade urbana. Já Tomás de Lara, da Global Shapers Community Porto Alegre, disse que o mundo está entrando em uma era mais subjetiva, muito mais de criação do que produção. “Tudo está conectado, há um despertar da consciência e a biomética será parte fundamental dos novos conceitos, sendo levada para dentro das empresas”, comentou no painel A Evolução da Conexão com o Consumidor. Segundo ele, uma nova economia, chamada de circular, está se desenhando, ganhando contornos mais humanos, corroborativos, social e sustentável. A ordem, sentenciou, será o compartilhamento.

Nesta linha de mudanças de comportamento, o diretor de Shopper Marketing Brasil da Coca-Cola, Marcelo Barreto, ratificou os novos hábitos adquiridos pelo consumidor. Ao falar sobre O novo perfil do Shopper e impactos nas relações de consumo, ressaltou que são três as tendências de consumo que vão mudar os canais de venda: conveniências, racionalização e experiência. “Os shoppers compram para as próximas quatro horas ou até a manhã do dia seguinte. Com isso, as cestas pequenas estão crescendo em detrimento das grandes e o ticket de compra é menor, porém diário. Também há um deslocamento de público para o ‘atacarejo’, que só em 2013 registrou a abertura de 2 milhões de novas lojas”, relatou, ao dar três dicas para capturar essas novas oportunidades de vendas: diversificar a oferta, facilitar as compras, tornando-as mais intuitiva, e otimizar o sortimento. Já Roberto Martini, da FLAG, mostrou uma perspectiva futura mais dura. “A robotização substituirá o pensamento. Se antes um processo dependia de 40 pessoas, hoje são necessárias duas”, frisou, argumentando que a nova economia, a comunicação em rede, os novos negócios virão das tecnologias daqui para frente.

DESAFIO – Para o curador do 23º Congresso de Marketing, Ricardo Vontobel, que liderou o painel Transformando Tendências em Realidade nos Negócios – reuniu palestrantes em um debate – a sociedade vive um momento de mudanças intensas, rápidas e profundas. “Hoje, a produção somente na forma física não garante vantagem competitiva. Cada vez mais, os aspectos intangíveis de produtos e serviços passarão a fazer parte dos aspectos tangíveis, gerando um ambiente diferenciado de relacionamento com o consumidor”, afirmou. Acrescentou ainda que, com a globalização, se instalou um processo de comoditização, com preços semelhantes. “Precisamos encontrar diferentes maneiras de encantar e mobilizar o consumidor. O desafio é incorporar habilidades de resoluções criativas.” O 23º Congresso de Marketing teve como patrocinadores a Unisinos, Seprorgs, RBS TV e Leão Fuze. Apoiaram o evento Fecomércio-RS, Gerdau, Zero Hora, Morya e Teatro do Bourbon Country

25/09/2014

http://www.advb.com.br/site/noticia/hiperconsumo-esta-condenado-a-morte-diz-o-filosofo-frances-gilles-lipovetsky/

“Estamos cansados de tantas novidades”, afirma o filósofo Gilles Lipovetsky

O  filósofo Gilles Lipovetsky volta a Porto Alegre para falar da sociedade de hiperconsumo em uma palestra no dia 24 de setembro, no 23º Congresso de Marketing da ADVB. Autor de livros como Os Tempos Hipermodernos e O Império do Efêmero: a Moda e seu Destino nas Sociedades Modernas, o francês conversou com ZH por telefone sobre a leveza – assunto do livro que acaba de concluir –, e temas de obras anteriores, como a aceleração do ritmo de vida, o risco da hiperindividualização e a volatilidade eleitoral. Confira, a seguir, trechos da entrevista:

Sobre o que o senhor falará em Porto Alegre?

Vou tratar da sociedade do hiperconsumo. Há, hoje, uma individualização crescente em relação ao consumo, ligada às novas tecnologias – mídias, televisão, telefones, internet – que permite aos indivíduos consumos à la carte. Antes, na sociedade de consumo em massa, tudo era sincronizado. Agora, não somos obrigados a ver os mesmos programas no mesmo momento. Cada um gere seu tempo e seu espaço em função de seu desejo. Igualmente, os grupos sociais exercem menos limites de comportamento, o papel das marcas se destaca nas compras e cresce o fascínio dos jovens pelas marcas. Além disso, o consumo passou a ser mais emocional. Antes, as pessoas compravam para serem valorizadas em seu ambiente, era um consumo de status. Isso existe ainda, e provavelmente sempre existirá, mas, ao mesmo tempo, temos um consumo cada vez mais voltado ao prazer. Quem escuta música pelo iPod, por exemplo, faz um consumo hedonístico, para sentir as coisas. É a dimensão das experiências que ganha importância.


Estamos no caminho de viver em uma bolha, isto é, há um risco de as pessoas terem menos variedade no consumo de cultura e informação?

Sim. É um risco dessa hiperindividualização. As pessoas podem escutar sempre as mesmas músicas, procurar as mesmas informações. Pode ser um encerramento dos indivíduos em seu próprio mundo. Se, de um lado, o hiperconsumismo abre (as possibilidades), também fecha algumas aberturas. As duas dimensões coexistem.
Assim como há o mercado de luxo, há pessoas que buscam experiências diferentes, como o Couchsurfing (viajar hospedando-se na casa de outros), grupos para doar ou compartilhar bens. Como o senhor enxerga este outro fenômeno?

Com as opções múltiplas e também a crise econômica, há novas formas de consumo que aparecem – como compartilhamento, aluguel de bens, comércio de itens de segunda mão. Tudo isso leva alguns a elaborar a hipótese de que o fascínio do consumo estaria recuando. Não penso assim. Acho que, muitas vezes, esses comportamentos são uma expressão do le, porque as pessoas fazem economias em uma área para poder continuar consumindo. Querem, por exemplo, dividir o carro ao viajar para viabilizar essa viagem. Utilizando novas maneiras de consumir, nós continuamos sendo consumidores. A recusa do consumo ocorre, sim, mas em grupos bem menores, militantes, ideólogicos, que creio ser algo relativamente pequeno.
O senhor concluiu há pouco um novo livro? Qual é a sua temática?

Sim. Deve ser lançado em janeiro na França. É sobre a leveza, que se tornou um fenômeno central na sociedade contemporânea. O tema compreende corpo, produtos lights, novas tecnologias, como a nanotecnologia, que busca reduzir e tornar tudo mais leve, o smartphone, o design, a decoração. É um setor econômico extremamente desenvolvido, e isso está apenas começando.
A sensação de que o tempo passa mais rápido e nos atropela não é nova. O romantismo já exprimia esse desejo de escapar deste ritmo intenso. Hoje, há pessoas que buscam meios para desacelerar, como ioga e viagens. A leveza, tema de seu próximo livro, é uma reação a essa tendência de acelerar?

Exatamente. Há, cada vez mais, demanda por novidade. Fazemos mil coisas ao mesmo tempo, mas há também gente que sofre com isso porque tudo vai muito rápido. Temos o sentimento de estarmos cansados de tantas novidades e observamos o cultivo de práticas em busca de uma paz interior, de uma leveza da vida, de ioga, de formas de religiosidade, de massagem, de spa, de relaxamento. Vale observar que esses comportamentos são opostos ao consumismo, mas não completamente. A meditação é muito praticada em Nova York e em Londres por pessoas que têm ritmos de vida terríveis, e a meditação é uma maneira de repor as forças para poder continuar nesse sistema. Não é um modelo alternativo. Está a serviço da performance.
A aceleração vai continuar?

Acho que sim. Vemos isso com as novas tecnologias e a informática. Agora que temos o 4G, quem tem 3G reclama que não pode baixar filmes. Vivemos cada vez mais rápido. Há cada vez mais ofertas e tecnologias que permitem ir rapidamente a qualquer lugar. Não sei como isso pode diminuir. A aceleração ganha cada vez mais setores de nossa existência. Isso gera problemas, pois nem tudo pode ir mais rápido. Na educação, por exemplo, não podemos ir mais rápido. Aquisição de conhecimento demanda paciência. No futuro, acho que, além da aceleração, teremos todo um conjunto de técnicas que nos permitam aceitá-la.
Em A Era do Vazio (1983), o senhor escreveu que Narciso era o símbolo da revolução individualista. Àquela época, poderia imaginar que haveria hoje quem publica fotos de si mesmo?

O selfie é um exemplo desse individualismo. É um prolongamento desse narcisismo. Contudo, é um individualismo paradoxal, pois ele está em uma busca incessante da aprovação dos outros. Faço uma foto, coloco no Facebook, mas aguardo a reação dos outros. É um Narciso incompleto. Posso me amar, mas me amo mais ainda se os outros me amam, se dizem que sou bonito, que a foto é interessante. As pessoas tiram selfies para ter uma recompensa simbólica, da parte dos outros. Com o Facebook, cada um é um publicitário de si mesmo. Cada um faz seu próprio marketing. É um marketing narcisístico.

http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/estamos-cansados-de-tantas-novidades-afirma-o-filosofo-gilles-lipovetsky-4603364.html

Obsolecencia x Vintage

A paixão pelo descartável nas sociedades contemporâneas cria a necessidade do durável. Como se manifesta essa necessidade?

Gilles Lipovetsky – São várias as causas do mito do durável. Primeiro, as razões ecológicas. Temos hoje uma cultura totalmente diferente, em que as pessoas começam a entender, acham imoral jogar tudo fora, desperdiçar… afetaria as próximas gerações. E uma segunda razão é que persiste o gosto pela novidade, mas o antigo reconquistou um certo valor. Eu sou da geração que gostava do novo. Hoje, a gente vê o gosto pelas coisas velhas, pelo vintage[1], pelas antiguidades. O passado recuperou um certo valor, porque a modernidade está mais angustiada e não estamos mais vivendo numa fase na qual se cultua apenas o moderno, o novo. O que dura gera uma certa segurança, uma marca do tempo contra a sociedade do efêmero, do digital, do virtual. Há nisso algo tangível, um pouco nostálgico também. Essa é uma tendência do consumo, porém não a única.

https://www.facebook.com/oficialluxobrasil?fref=nf