Sobre o coração elástico dos jovens e as oportunidades para as marcas

28 de Junho de 2017

A Viacom International Media Networks (VIMN) divulgou há alguns dias o seu mais novo estudo, realizado com jovens entre 16 e 24 anos, o que representa cerca de 16% da audiência total das marcas da empresa. Os dados foram examinados sob o olhar de uma nova realidade da juventude ao redor do mundo, analisando seus objetivos individuais e coletivos, além das estratégias que escolhem para sobreviver e prosperar em situações difíceis. Para desenvolver a pesquisa, foram entrevistados mais de sete mil jovens em 14 países diferentes, incluindo Brasil, Austrália, África do Sul, México e Estados Unidos, por meio de um questionário online.

O estudo revela características importantes presentes nos jovens de hoje, como confiança, inquietude, autenticidade e sensibilidade. “Cada vez mais precisamos entender o que a nossa audiência pensa e espera do mundo. Com a ‘Youth in Flux’, conseguimos captar a essência da juventude, seus anseios, objetivos e maneiras como veem e levam a vida”, diz Christian Kurz, Vice Presidente Sênior de Global Consumer Insights da Viacom. Confira abaixo alguns insights do estudo:

Amor e ódio pelas redes sociais

Apenas 21% dos jovens não sentem dificuldades em blindar-se das notícias ruins e, mais da metade deles (53%) dizem que têm uma relação de amor e ódio com as redes sociais. No Brasil, os números são ainda mais impressionantes: apenas 11% não têm problemas em ignorar notícias ruins, e 62% afirmam ter uma relação de amor e ódio com as redes sociais. O momento turbulento do país e as notícias de corrupção que ganham destaque todos os dias nos jornais contribuem com isso? É bem provável. Outro traço interessante da pesquisa é que os jovens são unicamente eles mesmos – e amam isso: a grande maioria dos pesquisados (96%) sente-se confortável sendo como são. Por aqui, o número aumenta um pouco, chegando a 97%.

Emocionais, inclusivos… Mas também realistas

Os jovens pesquisados (95%) preferem seguir seus corações, emoções, em vez da razão. No Brasil, 87% concordam com essa afirmação – colocando-os ligeiramente mais do lado da razão do que a média global. Além disso, esta juventude é otimista sobre um futuro mais inclusivo… Mas também realista: Quase todos os respondentes são guiados por esse conjunto de palavras ‘viva e deixe viver’. Por volta de dois terços dos participantes da pesquisa (63%) dizem buscar inspiração em pessoas capazes de se libertar de percepções ultrapassadas de gênero, raça, religião e demografia. No Brasil, esse pensamento atinge 69% dos entrevistados. Por outro lado, apenas 36% deles se sentem confiantes de que esta geração será menos julgadora, se comparada às outras.

Os jovens têm corações elásticos

A pesquisa ‘Youth In Flux’ também revelou três estratégias de vida que estes jovens praticam: “Autenticidade, sensibilidade e inquietude” (“Unapologetic, Sensitive, and Restless”). Eles buscam alternar essas estratégias de forma fluída, de acordo com o contexto em que estão inseridos. Segundo a interpretação dos dados da pesquisa, os jovens têm “corações elásticos”. Combinadas, essas três diferentes estratégias formam um sistema para lidar com as dificuldades diárias, com 90% deles dizendo que podem alternar perfeitamente entre uma estratégia e outra (93% BR).

Eles são “de verdade”

A despeito das críticas de parte do público sobre como os jovens buscam “maquiar” suas vidas através das redes sociais, na visão deles a autenticidade é uma busca. Para eles, essa estratégia de vida é baseada em se apoderar do que é verdadeiro/genuíno e não fingir ser alguém que não é (84%, 86% BR); eles também têm orgulho de quem são e não têm medo de se expressar (81%, 87% BR); além disso, apreciam pessoas que não têm medo de mostrar suas vulnerabilidades e seu “lado feio”, segundo 77% dos entrevistados (73% BR). Atenção para este último dado, que é absolutamente interessante para marcas, por uma questão muito evidente: um discurso fake pode ser mortal na estratégia de uma campanha.

A galera acredita no poder da empatia

Por mais tecnológicos que sejam, os jovens desejam construções de relações significativas e a intimidade com família e amigos. Além disso, querem voltar aos dias em que as pessoas tinham mais tempo para se importar uns com os outros (80%, 88% BR). Eles também acreditam que é importante contribuir com algo positivo para o mundo (84%, 93% BR) e respeitam as pessoas que se colocam no lugar das outras (84%, 93% BR).

Geração “a milhão”                            

Os inquietos são os focados em trabalhar pesado, tentar com todas as forças alcançar seus objetivos e serem os primeiros – e os melhores- sem perder tempo. Como resultado do estudo, 82% dos pesquisados não querem nunca perder tempo em um mundo que tem tanto a oferecer, com tantas possibilidades (90% BR); eles também são motivados por elogios, que tornam suas vidas melhores (82%, 87% BR) e, por fim, eles admiram pessoas que perseguem seus sonhos e estão dispostas a fazer qualquer coisa para alcançá-los (88%, 91% BR).

Para mais informações da pesquisa Youth In Flux e outros estudos da VIMN, visite: https://insights.viacom.com/.

Redação Adnews

http://adnews.com.br/adcontent/adyouth/sobre-o-coracao-elastico-dos-jovens-e-oportunidades-para-marcas.html

Snap bate Facebook e Instagram como o app mais curtido por jovens

 

17 de Outubro de 2016 15h – Atualizado às 15:18

Snap

O Snapchat realmente vem fazendo história e ao contrário da sua proposta de publicações, parece que o novato veio para ficar. Primeiro ele ultrapassou o Twitter, depois mudou de nome para Snap e criou seu próprio óculos. Agora, estudo comprova que ele é o aplicativo mais utilizado por adolescentes, desbancando Facebook e Instagram.

De acordo com pesquisa da empresa de investimento Piper Jaffray, 80% dos teens usam a plataforma pelo menos uma vez por mês, bem mais do que os 74% que diziam curtir a rede social meses atrás. Instagram aparece em segundo, com 76% das preferências mensais dos jovens.

Ao analisar o relatório, o mais interessante é o impacto que o Snap teve no Facebook, mostrando que os com menos idade estão deixando de curtir a rede de Mark Zuckerberg. Segundo a instituição, das 10.000 pessoas perguntadas, apenas 52% usam o Facebook em um período de 30 dias, sendo que no ano passado eram 56%.

http://adnews.com.br/social-media/snap-bate-facebook-e-instagram-sendo-o-app-mais-curtido-por-jovens.html

Coca-Cola presenteia quem compartilha humanidade

21 de julho de 2015 · Atualizado às 15h58

Campanha da Coca-Cola em parceria com a JetBlue (Reprodução/ Youtube)

Uma das características mais evidentes da Coca-Cola é o seu poder de comunicação com o público jovem. Não à toa, a marca se apropriou de uma maneira muito interessante do termo mais emblemático das redes sociais, o famoso “compartilhe”.

Em parceria com a JetBlue, a empresa desenvolveu uma ação de câmera escondida como complemento da campanha “Share a Coke with Humanity”. Na Penn Station, famosa estação de trem de Nova York, a marca instalou uma vending machine aparentemente comum.

Entretanto, ao invés de apenas uma garrafa da bebida, a máquina soltava dois produtos. Aqueles que fizeram questão de compartilhar a garrafa no próprio local, com pessoas desconhecidas, foram surpreendidos com uma espécie de vale-passagem de ida e volta para algum destino disponibilizado pela JetBlue.

Confira o vídeo:

Redação Adnews – http://www.adnews.com.br/midia/coca-cola-presenteia-quem-compartilha-humanidade

Infoglobo lança portal para jovens com foco em mobile

Batizado de XD, site tem objetivo de trazer informações de maneira divertida

Infoglobo lança portal para jovens com foco em mobile

A Infoglobo acaba de lançar uma nova plataforma de informações e entretenimento direcionada ao público jovem, o XD. Em busca de estreitar relação com o público-alvo, o projeto será lançado em formato de site móvel.

O site irá trazer notícias de grande visibilidade que serão retratadas com irreverência e objetividade, além de dar foco especial à emoção. Os posts não serão organizados por editorias, mas sim por emoções representadas por ‘emoticons’. O site dispõe de algumas categorias como ‘Para Rir’, ‘Para Amar’, ‘Para Chorar’, ‘Para Espiar’ ou ‘Para Surtar’.

As notícias serão distribuídas por meio das redes sociais e o público poderá participar via WhatsApp ou outro aplicativo de comunicação. O projeto foi previamente testado e aprimorado durante a Campus Party desse ano e teve colaboração de jovens programadores.

Quanto ao modelo comercial, a proposta da plataforma é utilizar publicidade nativa, formato que reúne conteúdo editorial associado a marcas patrocinadoras.

29/04/2015

http://www.proxxima.com.br/home/mobile/2015/04/29/Infoglobo-lan-a-portal-para-jovens-com-foco-em-mobile.html

McDonald’s cria 24 horas de experiências interativas pelo mundo

Caixa de Big Mac que toca música, cabine de pedágio que vira drive thru, Jessie J. ao vivo no transporte público. Pode parecer estranho, mas essas coisas tem algo em comum: Fazer você amar tudo isso!

O McDonald’s está promovendo hoje (24) uma série de ações pelo mundo. E o dia não poderia ser outro, são 24 eventos em 24 cidades diferentes no período de 24 horas. A série faz parte do movimento Imlovinit24, um projeto com o objetivo de posicionar a marca nas redes sociais e conectar-se com o público jovem.

Entre as cidades estão Sydney, Tóquio, Dubai, Madri, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Buenos Aires e outras grandes capitais. As experiências vão desde um show da cantora Jessie J. em um ônibus em Londres até uma cabine de pedágio que se transforma em um drive-tru distribuindo combos grátis nas Filipinas.

Através do site Imlovinit24.com os usuários podem acompanhar todas as experiências em tempo real, além de compartilhar as fotos feitas pelos participantes em cada país.

Na América Latina, Brasil e Argentina são os únicos envolvidos. Por aqui, a ação criada pela DM9DDB acontece na praia carioca do Neblon, onde uma máquina distribui cupons que dão direito a um sorvete ou uma bebida gelada. É então que começa o desafio, o sortudo tem que correr para trocá-lo no McDonald’s mais próximo já que o cupom, esculpido em gelo, começa a derreter rapidamente.

“Essa é uma ação que mostra os novos caminhos irreversíveis da comunicação global, em tempo real e com recursos integrados e interativos. É uma experiência local, mas com concepção toda digital para ampliação da audiência para que mais pessoas no Brasil e no mundo tenham a oportunidade de vivenciar a ativação no Rio de Janeiro”, comenta Igor Puga, Chief Interactive Officer da DM9DDB.

A rede trabalha para desviar a imagem de grande anunciante de mídia tradicional para um produtor de conteúdo próprio. A aposta estratégica para alcançar as pessoas que estão em “movimento nas telas” inclui a estruturação de uma equipe própria de digital, a começar pela contratação de Atif Rafiq, primeiro chefe digital da marca.

Redação Adnews

24 de março de 2015 · Atualizado às 15h23

http://www.adnews.com.br/publicidade/mcdonald-s-cria-24-horas-de-experiencias-interativas-pelo-mundo

Nova campanha da Coca-Cola traz 600 nomes nas embalagens

A Coca-Cola volta a apostar na “campanha dos nomes” em sua primeira ação de 2015. Dessa vez, serão 600 nomes nas embalagens do refrigerante.

Agora, o mote é “Bebendo uma Coca-Cola com”, para estimular o compartilhamento. A ideia é fazer a pessoa encontrar o nome de alguém especial em sua vida e levar uma Coca para eles beberem juntos.

O comercial estreia na televisão em 15 de janeiro, mas você já pode ver em EXAME.com, ao final do texto.

“Share a Coke” é uma campanha global. Lá fora, foi criada pela Wieden + Kennedy de Portland. No Brasil, o vídeo foi adaptado pela JWT, que incluiu uma cena de São Paulo.

No novo comercial, “Júlia”, amizade e romance estão envolvidos no ato de encontrar uma latinha ou garrafa de Coca com algum nome especial.

Os nomes foram levantados pela marca por meio de uma pesquisa encomendada e abrangem 90% da população de adolescentes do país.

Confira:

marketing – 05/01/2015 – Guilherme Dearo, de EXAME.com

http://exame.abril.com.br/marketing/noticias/nova-campanha-da-coca-cola-traz-600-nomes-nas-embalagens

Bem-vindos de volta ao caos

Filósofo, antropólogo, semiólogo, mas sobretudo amante da provocação. Desde esse lugar, este especialista em cultura e meios de comunicação analisa como as novas tecnologias impactam na sociedade atual. “A digitalização é a máquina que está reconfigurando os seres humanos”, diz. E explica porque esse caminho leva de novo ao caos.

É reconhecido como um dos maiores intelectuais da comunicação e da cultura na América Latina. Todos os estudantes de comunicação dos países da região e de boa parte do mundo leram e debateram seus textos, em particular Dos meios às mediações. Comunicação, cultura e hegemonia (Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997), que transformou profundamente o pensamento sobre a comunicação, tentando colocar as pessoas, a cultura e não os meios, no centro do processo comunicacional. Jesús Martín Barbero (77 anos), espanhol de nascimento e colombiano por decisão, esteve em Buenos Aires e conversou com o Página/12.

A entrevista é de Washington Uranga e publicada no jornal Página/12, 24-11-2014. A tradução é de André Langer.

Eis a entrevista.

Desde a sua chegada a Buenos Aires o ouvimos falar insistentemente sobre a necessidade de “voltar ao caos”. Você chegou a dizer “bem-vindos ao caos”. É possível pensar no caos?

Evidentemente. A Bíblia nos acostumou a pensar que vivíamos no caos, porque quando Deus criou o mundo, criou a ordem. Sim? Mas anterior à ordem e à criação é o caos. A crença popular moderna já tem a ver com um mundo bastante ordenado. Na Idade Média – para falar de uma época que nos diz respeito – também houve uma sensação de caos, porque acabou tudo o que era relativo àquilo que dominou grande parte do mundo conhecido na época: o Império Romano. Então, apareceram alguns senhores diferentes, a quem os historiadores chamaram de “bárbaros”, porque vinham do caos. Ou seja, que o império era a ordem e o que ficava fora do império era o caos. Para os cristãos, a palavra caos ficou marcada por algumas figuras do Antigo Testamento, mas na realidade eu teria que ter dito simplesmente “bem-vindos de volta ao caos”. Porque ao longo da nossa história houve várias épocas de caos. E eu penso que atualmente este mundo está tão fora de órbita que só uma volta ao caos vai nos permitir reinventar a sociedade. Reinventar a sociedade com capacidade de acolher toda a diversidade que hoje existe neste planeta, toda a diversidade de sensibilidades, de invenção, de tipos de esperança, toda a diversidade narrativa que há hoje, a explosão narrativa dos jovens. Então, novamente, bem-vindos ao caos.

Mas a modernidade nos acostumou a assimilar conhecimento com ordem e com disciplina. Por esse motivo pode ser muito difícil compreender o que você está dizendo agora?

Há um livro de Alessandro Baricco – o autor de Seda – que aconselho cada vez mais. Intitula-se Os bárbaros. São textos em fascículos para uma revista da Itália. Ou seja, são textos para ler, para o público em geral. O mais chocante do livro é que quando começa a entrar realmente no tema – antes de falar de como mudou o futebol, como se faz o futebol, como mudou o vinho, como se faz o vinho, e assim por diante – aparece um senhor que está diante de uma cidade destruída pelos bárbaros e a pergunta é a seguinte: os bárbaros constroem uma cidade? A resposta é “sim… mas muito tempo depois. Primeiro a destroem”. Ainda há muito por destruir; estamos na época de destruir. Essa é a parte difícil, pensar que realmente há algo para destruir. Porque na nossa cultura destruir equivale a perder memória. Não se pensa que destruir é criar espaço para construir, uma vez que já está tudo construído como neste mundo. Em um mundo superconstruído como o nosso, em qualquer aspecto, a única maneira de ter um espaço livre, um espaço verde, é destruir.

Pergunto-me e lhe pergunto: a digitalização é algo como uma máquina de demolição em relação ao que está construído?

Me perguntas?

Pergunto.

Exatamente. Essa é a máquina que já está produzindo… perdão pelo verbo… está reconfigurando os seres humanos em relação a muitas dimensões vitais. Penso na sociedade. Hoje existe um grande número de associações de pais de família que estão preocupadíssimos com a quantidade de horas que seus adolescentes, crianças inclusive, passam diante da tela do computador. E dizem: mas estão sozinhos! A solidão de que falam estes pais não tem 200 anos. Antes, as pessoas solitárias eram aquelas que iam da cidade para o campo e subiam num pinheiro. A modernidade inaugurou um tipo de solidão: quem está mais solitário é quem caminha por uma grande avenida de qualquer grande cidade, no meio de uma grande multidão. Ou seja, o indivíduo solitário não é quem saía, é quem estava dentro. Essa era a solidão moderna.

A solidão do nosso tempo é outra, porque esses adolescentes estão profundamente acompanhados por outros, desenhando, insultando-se, trocando músicas. Há outros modos de estar juntos e isso – que para alguns pode ser completamente superficial – para outros pode ser vital. E não apenas por idades. Os pais se queixam de que os filhos são solitários quando, na verdade, a adolescência é a época em que se você não assume a solidão, não cresce. A adolescência é o primeiro tempo no qual o sujeito humano tem que assumir que está sozinho no mundo. Que sua vida não é a do seu pai, nem a da sua mãe, nem a do seu amigo. Não. É a sua sozinha. E vai estar com ele, sozinho, para toda a vida. Viver com a solidão não é uma doença, é uma valiosíssima dimensão da vida humana.

E como tudo isso se relaciona com o mundo digital?

Vamos lá. O mundo digital supõe, sobretudo, a demolição da hegemonia letrada. Digamo-lo bem forte: a demolição do que Julio Ramos chamou de “a cidade letrada”. Essa cidade que continua ignorando que milhões de pessoas, em nossas cidades da América Latina, são indígenas da cultura oral, inclusive na Argentina, embora tenham passado por uma escola que lhes ensinou a ler e a escrever. A cultura cotidiana é oral. E o mundo digital move o chão. O caos move o chão das seguranças que tínhamos. Aquela segurança que sustentava que para ser inteligente era preciso ser letrado.

Se a ideia é que recuperemos o caos e retomemos a oralidade, o que fazemos com a noção de progresso e com o conceito de desenvolvimento?

É uma pergunta muito interessante. A verdade? O progresso se foi pr’o diabo… há muito tempo. Pouca gente leu e divulgou Walter Benjamin, um senhor que não foi nem filósofo, nem teólogo, nem literato… mas todas essas coisas juntas. Ou seja, foi um caos. Esse era o problema que Benjamin tinha com os amigos que lhe publicavam os seus artigos para que pudesse viver. O que é isso? Literatura?, diziam a ele. Isto não é literatura, é crítica literária… Também não. É filosofia? Mas, de que filosofia? Bom… o caos começou lá, num senhor que disse que houve uma mentira: pensar a história em termos de progresso. É o que fariam as crianças, os bebês. Mas não um ser com um pouquinho de razão, com um pouquinho mais de idade. A ideia do progresso é a de um tempo homogêneo e vazio. Acreditávamos que o tempo nos conduzia a algum lugar e nos preparava para chegar a esse lugar. O progresso era isso.

Mas em função desta perspectiva organizamos também o nosso modo de pensar…

Claro. Organizamos tudo. Melhor dito: nos deixamos organizar por essa ideia. Porque a ideia do progresso, a ideia secular, da providência, vai nos dando, em cada idade e em cada tempo, o que necessitamos para ter poder. Por quê? Porque se não você não quer chamar progresso ao material, tem todo o direito. Em 1900, a média de vida nos países mais desenvolvidos da Europa era de 50 anos. No final desse século é de 80 anos. Se isso é progresso, está muito bem. Você tem o direito de pensá-lo, desfrutá-lo. Mas há muitíssimos outros índices que não são considerados. Estamos para chegar a não sei quantos bilhões de habitantes neste planeta… que simplesmente respirando vão tornar o planeta irrespirável em menos de 50 anos. E nem pensemos em termos de alimentos. Se você pensa em algo que dura menos de mil anos pode pensar em termos de progresso. Caso contrário, não. Quantos séculos, ou milhares de séculos, ou de tempo real, demorou este “animalzinho” para chegar onde está? Se você o coloca em perspectiva de tempo real do planeta, de que estamos falando? E se, por outro lado, falamos realmente da maioria da humanidade, o que chamamos de progresso começa a aviltar-se enormemente. A menos que o identifiquemos com algumas variáveis do tipo: “tem menos ebola”, “tem menos tal… que nós”. Não é que a palavra progresso não nomeie algo que acontece. Mas não é certo que isso permita pensar a história, porque é indefinido para frente. É isso que aconteceu conosco. É indefinido para frente e foi um atraso em uma série de aspectos.

A palavra desenvolvimento, a palavra desenvolver, sofreu uma perversão: desenvolver-nos para sermos como outros. E somente alguns poucos na América Latina conseguiram torcer o pescoço a isso para propor que aquilo nos “subdesenvolvia”, que um desenvolvimento autônomo é outra coisa. E tivemos muitos problemas para poder retomar a palavra desenvolvimento. Porque essa palavra foi inventada na Europa.

Arturo Escobar, um fabuloso antropólogo colombiano – mais conhecido fora que dentro – em um texto intitulado O selvagem, mostra a poderosa armadilha do desenvolvimento. Porque desenvolver não era apenas crescer, era a palavra que substituía progresso para os países pobres. Até as Nações Unidas identificaram durante muitos anos desenvolvimento com crescimento econômico. A ideia de crescimento é uma ideia muito pequena para pensar na história da humanidade. É muito torpe. E, no fundo, desenvolvimento é crescimento. Sabemos o que é crescimento e sabemos o quanto vive um ser humano. O que é crescimento? Caminhar para a velhice, lascada como já sabemos que é.

E diante deste raciocínio, qual é a ideia de emancipação, qual é o sentido da emancipação?

Para pensar a emancipação é preciso sair da categoria de progresso, é preciso sair de todas as categorias que nos falam de crescimento, de desenvolvimento, e é preciso começar a pensar a história, ou seja, o tempo. É preciso voltar à palavra tempo para pensar nos destempos, nos contratempos. Porque a história é feita disso: de tempos, destempos e contratempos. E, finalmente, de intervalos.

Eu proponho pensar a emancipação em termos de intervalos. Há intervalos no tempo nos quais se pode fazer coisas que não se pode fazer no tempo normal. Emancipação é outra coisa, é libertar-nos. Tem a ver com liberdade, com aumento da liberdade com conhecimento das contradições que toda liberdade tem, dos conflitos que a liberdade gera.

No fundo, é mais fácil ser feliz sendo escravo. Hegel contou-nos isso da seguinte maneira: um escravo passa mal, mas quando pensa em mudar se assusta porque a única coisa que pensa é em matar o senhor para ser ele mesmo o senhor. Então, não saímos nunca da situação de escravidão.

A emancipação é outra coisa, não é matar o senhor. Emancipação é aquele tipo de liberdade que nos torna mais iguais, isto é, que vai destruindo todas as desigualdades que se “colincharan” (nota: na Colômbia colinchar: integrar, unir), que se penduraram numa noção completamente perversa, não emancipada, de liberdade. É o ricaço que pensa que com o seu dinheiro, como é seu, pode fazer o bem quiser. Um momento. Neste planeta vivemos todos e então se tem que começar a pensar na maioria e quando começa a pensar na maioria se dá conta do quão difícil é ajudar a emancipação pessoalmente. E sabemos a quantidade de coisas das quais nos teríamos que emancipar.

Temos consciência clara daquilo que nos escraviza?

Costume é uma palavra muito mais linda que escravidão. É meu costume, são os costumes do meu povo, algo que eu digo à minha esposa e aos meus filhos 25 vezes por dia: “Veja, é que eu venho de um povoado bem pequeno da Espanha… então eu tenho outros costumes”. Outros costumes são outros gostos, são outros modos de ver o mundo, de falar. Aqui não há receitas, mas há contradições e, portanto, há intervalos, há ‘destempos’. Essa foi a imagem que eu recebi do Brasil. São as brechas. Brecha é uma palavra brasileira. Não há muro que não tenha brecha, mas é preciso passar a mão muitas vezes, bem devagarinho, para detectá-la. E se você pode detectar a brecha, perfura, derruba…

Devemos trabalhar sobre as brechas. Este é um pouco o tema. E se o tempo não está a nosso favor, esqueçam-se. Por isso as revoluções são esses momentos que permitiram a humanidade avançar. Com uma série de mortos, sim, mas eles tentaram. Outra coisa é que as revoluções produzem seus monstros, e alguns muito rapidamente, como ocorreu com o comunismo. Os franceses acreditaram que a emancipação iria durar mais. Um historiador francês da cultura me contou que poucos dias depois da revolução chegou uma comissão da Grã-Bretanha porque estavam convencidos de que, se os cidadãos eram todos e eram iguais, não tinham por que vir a Paris para pedir licença para falar bem seu idioma ou fazer coisas que tinham a ver com seus costumes. E sabem o que fez Robespierre? Mandou cortar-lhes a cabeça. Se há um país centralista no mundo, a contradição das contradições, é a França.

Eu ouço e reflito. Podemos concordar ou não, mas o sujeito do progresso e do desenvolvimento é um sujeito que soma saber e poder. Por um lado, um saber técnico científico e, por outro lado, um poder baseado na propriedade privada que tem seu reflexo simbólico no dinheiro. Esse, para mim, é o sujeito da modernidade que constrói um modo de entender o progresso. Qual é o sujeito da emancipação?

O sujeito da emancipação tem, sem dúvida, junto com a precariedade dos intervalos, algo de saber e algo de poder.

Mas o que é saber e o que é poder a partir da concepção da emancipação?

É um tipo de saber menos pensado a partir do sujeito individual e mais a partir de um sujeito comunitário, ou seja, libertário. Um saber que está em função de que mais gente saiba. A emancipação, para mim, passa por um saber desligado do saber e do poder hegemônico. Porque há outros vocabulários, outros saberes, outras formas de poder. Porque para outros tipos de saberes é mais difícil fazer o gol de que o único poder é o econômico.

Pensando outra vez nos sujeitos da emancipação, penso-os como sujeitos situados em um âmbito concreto. O sujeito da emancipação é um sujeito genérico ou é um sujeito inserido em um lugar que o constitui de alguma maneira? Custa-me pensar em sujeitos genéricos.

A palavra sujeito é sua. Eu não a coloquei.

De acordo. Atores?

Bom. Mas faço a advertência, porque é o enredo no qual alguém se mete quando coloca a palavra sujeito. É uma palavra com uma ambiguidade terrível. Foucault tentou acabar com ela e Derrida fez também todo o possível.

Primeiro, porque na linguagem comum “sujeito” é quem está sujeito a outro. Ou seja, todo o contrário do que significa nobremente falando. Sujeito é sujeitado. Mas acontece que tem uma história filosófica que tem a ver com Descartes. Não é uma palavra que não existia antes, mas o sentido que nós damos a ela é o da modernidade: o sujeito moderno é um sujeito autônomo. É uma contradição nos próprios termos. Mas, bem… sujeito autônomo moderno. É isso. É o emancipado. Sujeito autônomo emancipado… aquele capaz de pensar com sua cabeça. Aquele capaz de tomar decisões que não sejam induzidas nem pelo costume, nem pelo poder.

É isso o sujeito moderno? Esse é o cidadão que acreditamos que existiu e que é o ideal para ter uma sociedade democrática, uma sociedade que respeita a diversidade, o que é difícil, que é contra a desigualdade, o que é muito mais difícil ainda. De maneira que a emancipação está aí: lutar contra a desigualdade, a favor da diversidade

Quinta, 27 de novembro de 2014

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537910-bem-vindos-de-volta-ao-caos-entrevista-com-jesus-martin-barbeiro