Natura lança site feito à mão, sem uso de Photoshop

A Natura desenvolveu um site sem recorrer ao Photoshop, usando apenas fotografias de elementos reais na composição. Até os botões foram feitos manualmente. Há frutas, grãos, terra e madeiras esculpidas, tudo para mostrar o quão naturais são os produtos da fabricante. A página apresenta os sabonetes em barra da linha Ekos, com o mote “Da Floresta. Na Floresta. Para Você”.

A criação da agência digital Salve conta a história da submarca da empresa de vendas diretas. O trabalho busca ainda ressaltar o comprometimento com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Um vídeo publicado no YouTube mostra como o site feito à mão foi preparado para a Natura Ekos. Assista abaixo:

Por Renata Leite, do Mundo do Marketing | 18/12/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/32472/natura-lanca-site-feito-a-mao-sem-uso-de-photoshop.html

5 comportamentos do jovem consumidor carioca

Durante muitos anos, os jovens foram considerados irresponsáveis ou rebeldes por uma fatia da sociedade. A idade era associada à fase de descobertas e à imaturidade. No Rio de Janeiro, inclusive, o público com até 25 anos era representado por marcas que exploravam o jeitinho carioca para conquistar a adesão dessa parcela da população. O retrato atual, no entanto, mostra que esse pensamento está ultrapassado e que o grupo está mais consciente de si, do mundo e dos mercados de consumo.

A malandragem comumente associada a quem vive na cidade já não é mais interpretada com bons olhos e o modelo de lifestyle proposto pelas empresas, baseado apenas na praia, também não é mais identificado por essa geração. Segundo a pesquisa Rolé Jovem, realizada pela agência República, os jovens estão cientes do que acontece na capital e já agem visando mudar os pontos negativos que encontram, entre eles a centralização de opções de lazer e cultura na Zona Sul. Esse público reivindica não apenas a quebra de barreiras geográficas, como também as simbólicas.

Durante o estudo, foram identificados cinco drivers de comportamentos que se manifestam em cada uma das esferas, tais como educação, trabalho, relacionamento, dinheiro/consumo e política, em pessoas com idades entre 14 a 34 anos. “Esses pontos mostram que eles se preocupam não apenas com o superficial. Em relação à carreira, por exemplo, querem um propósito que não seja apenas individual. O dinheiro não é mais um fator decisivo. Tudo tem que girar em torno da realidade dele”, conta André Mota, Sócio e Head de Estratégia da República, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Educação e Trabalho
Um dos fatores que melhor representam os jovens é a transitoriedade e o imediatismo. De acordo com a pesquisa, o que importa para eles é o presente. Esse grupo é o mais ansioso para alcançar cargos altos em empresas, porque se inspiram em empreendedores de sucesso. Muitos optam por abrir negócios próprios com o objetivo de mudar o atual pensamento corporativo, considerado limitado por eles.

Isso porque essa turma é a que mais busca conciliar a vida pessoal com a profissional. Cabe às companhias tentar encontrar a forma de não perder um empregado por conta de uma rotina engessada. “O trabalho não é mais visto como uma obrigação e, sim, como um meio de realização e desenvolvimento pessoal. O jovem se permite acumular experiência em diversas áreas e, por meio dessa soma, desenvolver o poder de realizar novas conexões. A ocupação tem que coincidir com o que ele quer para a vida dele e, se não encontrar, ele mesmo irá procurar uma solução”, diz André.

Além disso, na educação, os conteúdos relevantes devem estar presentes no seu dia a dia. “Aprender um novo idioma, por exemplo, não é interessante apenas para se destacar no ambiente de trabalho, mas principalmente para se relacionar com outras pessoas e se inserir no mundo globalizado. Ele não quer estudar apenas para colocar no currículo. O princípio é como aquilo vai proporcionar uma experiência para ele”, afirma André Mota.

Dinheiro e Consumo
O acesso constante à internet e a absorção de informações a todo momento trouxe uma celeridade também nas formas de consumo. Os recursos financeiros são cada vez mais empregados na aquisição de momentos relevantes e capazes de agregar algo a ele. “Esse consumidor busca novidade e cobra isso. Até pouco tempo atrás, as marcas faziam uma campanha por coleção. Hoje, já notamos que é preciso trazer novidades o tempo inteiro. Optamos por fazer minicampanhas mensais, com novo material gráfico. Não podemos nos limitar a passar uma estação inteira com o mesmo mostruário”, conta Natalia Fidalgo, Coordenadora de Marketing da DressTo, em entrevista ao Mundo do Marketing.

As experiências no momento da compra também foram reforçadas, e a confecção voltada para o público jovem passou a incluir referências a situações vividas e ao gosto do carioca nas lojas. “Fizemos parcerias com blocos de marchinhas e, no carnaval, eles ficam tocando na vitrine da unidade de Ipanema. Levamos algo que eles procuram, como a festa de rua, para dentro do ponto de venda. A banda fica na vitrine virada para dentro da loja, o que faz com que eles entrem e sintam um pouco da alegria carioca que também temos”, diz a Coordenadora de Marketing da DressTo.

A aproximação, no entanto, não é o único fator decisivo no momento da compra. A experiência de aquisição do produto precisa vir carregada de outros atributos, que não estejam atrelados ao consumismo. Aqueles que já possuem renda própria são os mais responsáveis com o orçamento pessoal, mas os mais novos ainda buscam marcas como identificação de personalidade. O ato de consumir se torna uma maneira de enxergar a vida e de demonstrar seu pensamento.

Preocupação social e política
Nos hábitos de compra, cresce a preocupação com os impactos dos produtos no mundo. A Kipling é uma das marcas que mira nos consumidores mais ligados às questões ecológicas, visão estratégica que a levou a reforçar as ações voltadas ao meio ambiente. “Como fabricamos peças em nylon, buscamos mostrar que os produtos duram muito tempo, logo não precisam ser comprados a todo momento, e têm valor agregado”, conta Nathália Mansur, Analista de Marca da Kipling, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Para não ser uma marca exclusiva a uma única classe social, a fabricante de bolsas e mochilas está mais acessível, disponibilizando a possibilidade de parcelar o pagamento e vendendo em multimarcas. Além disso, desconstruiu a ideia de que jovens usam apenas mochilas e ampliou o portfólio. “Temos produtos que permitem que a pessoa vá dos 14 aos 30 anos com eles. Não temos como criar um estereótipo do nosso cliente. Até o símbolo da empresa, o macaquinho, muda de acordo com o item. Em algumas bolsas, ele ganha contornos mais delicados, como os de um mico leão, além de ser de metal”, afirma Nathália.

A conduta cada vez mais distante do estereótipo torna esse jovem mais informado sobre direitos e deveres, o que faz dele um militante da causa a que adere. Como os indivíduos absorvem referências distintas para a formação da sua personalidade, eles se permitem uma maior liberdade, incluindo a sexual. O casamento já não é uma instituição forte e a realização profissional, por exemplo, está acima dele. O empoderamento feminino também está cada vez mais em voga. Esse público busca empresas que estejam de acordo com essa linha de pensamento.

Ciente do momento econômico em que a cidade vive, com preços de imóveis e restaurantes cada vez mais caros, a opção encontrada por eles foi criar eventos como o do isorporzinho. Nesses encontros, as bebidas são compradas em supermercados e consumidas em locais públicos. “A alta nos preços trouxe um novo público para o varejo. Vejo cada vez mais pessoas dividindo imóveis, porque querem continuar no local em que já moravam. O hábito de fazer a “social” em casa os tira da zona de conforto, mas mostra que eles se adaptam facilmente”, afirma André Mota.

Relacionamentos
A forma como o jovem enxerga os relacionamentos também pode ajudar as marcas a redefinirem suas ações de Marketing. A pesquisa mostrou que houve uma desmistificação de ídolos, comportamento que faz com que ele busque um modelo mais próximo de ícones que não sejam celebridades e artistas inalcançáveis. Nomes locais acabam ganhando força e conversam diretamente com o consumidor.

A DressTo observou essa tendência e passou a adotar o uso de pessoas influentes de cada meio para serem divulgadores da marca. São blogueiros ou indivíduos outros comuns, que se relacionam bem com a comunidade de seu entorno e possuem presença nas redes sociais. “São pessoas que gostam de aproveitar a vida, não passam o tempo todo em festas ou bebendo, são queridas pelos amigos e procuradas quando alguém precisa de uma indicação. É preciso olhar para os círculos dos jovens, em quem eles se espelham. Colocar alguém distante da realidade dele é afastar a própria marca do cliente”, conta Natalia Fidalgo.

Esse pensamento vale, principalmente, para pessoas que moram em comunidades e buscam alguém que represente-os em outras esferas. A Coca-Cola encontrou em grupos locais a força para a marca lidar com o público jovem. A fabricante de bebidas contratou a equipe do Dream Team do Passinho para coreografar a música tema da marca para a Copa do Mundo de 2014. A dança, que mistura funk, break e frevo, originária das favelas cariocas, foi incorporada nas demais ações da companhia. O funk por si só ainda permanece em voga em vídeos publicitários, que trazem também a família como objeto central das campanhas.

Por Priscilla Oliveira, do Mundo do Marketing | 30/10/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/reportagens/pesquisa/32074/5-comportamentos-do-jovem-consumidor-carioca.html

Obsolecencia x Vintage

A paixão pelo descartável nas sociedades contemporâneas cria a necessidade do durável. Como se manifesta essa necessidade?

Gilles Lipovetsky – São várias as causas do mito do durável. Primeiro, as razões ecológicas. Temos hoje uma cultura totalmente diferente, em que as pessoas começam a entender, acham imoral jogar tudo fora, desperdiçar… afetaria as próximas gerações. E uma segunda razão é que persiste o gosto pela novidade, mas o antigo reconquistou um certo valor. Eu sou da geração que gostava do novo. Hoje, a gente vê o gosto pelas coisas velhas, pelo vintage[1], pelas antiguidades. O passado recuperou um certo valor, porque a modernidade está mais angustiada e não estamos mais vivendo numa fase na qual se cultua apenas o moderno, o novo. O que dura gera uma certa segurança, uma marca do tempo contra a sociedade do efêmero, do digital, do virtual. Há nisso algo tangível, um pouco nostálgico também. Essa é uma tendência do consumo, porém não a única.

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O Boticário se torna alvo de ambientalistas por causa de esfoliante

O Boticário está sendo alvo de ambientalistas que pedem a retirada de esferas de polietileno da composição de seus esfoliantes. A Associação Brasileira do Lixo Marinho (ABLM) entrou com uma petição online solicitando à fabricante que substitua as partículas por produtos naturais. A alegação dos autores da mobilização é de que, após o uso, esses pedaços fluem pelo ralo e acabam indo parar nos rios e oceanos, uma vez que os sistemas convencionais de tratamento de esgoto não são capazes de retê-las devido ao tamanho reduzido. 

Como resultado, os animais são impactados pela ingestão do produtos e podem chegar aos pratos dos consumidores, por meio da cadeira alimentar. No Twitter, um perfil criado para disseminar o caso cobrou da marca e da Anvisa um posicionamento. Procurada pelo Mundo do Marketing, a Anvisa afirmou que esses produtos não representam riscos à saúde humana, por isso obtiveram registro para serem comercializados. Em nota, a agência afirma que a questão ambiental deve ser levada em conta e que compete ao Ministério do Meio Ambiente avaliar o fato.

O Boticário por sua vez, respondeu à equipe do Mundo do Marketing que está desenvolvendo estudos para substituir as microesferas de polietileno de seus produtos de esfoliação. A marca afirma que essa avaliação deverá ser finalizada nos próximos meses. Empresas como Unilever, Colgate-Palmolive, Beiersdorf, L’Oréal e Johnson & Johnson também já foram alvo da ABLM e se comprometeram a parar de usar esse componente de plástico.

O Boticário, ambientalista, Anvisa

Por Priscilla Oliveira, do Mundo do Marketing | 30/07/2014

http://www.mundodomarketing.com.br/ultimas-noticias/31298/o-boticario-se-torna-alvo-de-ambientalistas-por-causa-de-esfoliante.html?

Que valores deverão liderar a formação do perfil do consumidor maduro e preparado para o futuro, no mundo e no Brasil

Luxo Brasil perguntou para Sabina Deweik do Future Concept Lab:

Que valores deverão liderar a formação do perfil do consumidor maduro e preparado para o futuro, no mundo e no Brasil?

Este novo consumidor apresentado não identifica-se mais nas marcas ou nos produtos mas os considera companheiros de vida. Há um novo espírito crítico no qual não existe um único estilo a ser seguido. Passa-se do chamado lifestyle ou estilo de vida a para o Life Occasion ou ocasião de vida: de uma homogeneidade compacta nos deparamos com ocasiões que fragmentam a vida do consumidor.
A poesia que prevalece sobre a prosa do consumo, rompe com uma narrativa mais esquemática, como a do consumo aspiracional ancorado no sistema da moda. O desejo e a necessidade de deixar um sinal no ritmo cotidiano pessoal, influencia também aqueles contextos nos quais a experiência de consumo resulta inseparável do local de compra e da sua fruição.
Existe hoje uma nova relação entre preço e valor. Há vinte anos atrás aquilo que tinha um preço alto tinha um valor elevado. Hoje o consumidor percebe valor muitas vezes naquilo que é uma experiência não necessariamente cara mas que tenha um significado denso. Isto entre em relação com o conceito de sustentabilidade – com um novo equilíbrio de vida que leva em consideração o respeito pela natureza, meio ambiente, direitos civis e compromisso social. O vínculo da sustentabilidade se transforma, assim, em uma nova sensibilidade que é ponto de encontro virtuoso entre ética e estética. Em uma dimensão interessante de consumo entre vida pessoal e bem comum, em que conta a capacidade de coexistir com o meio ambiente. Nessa dimensão há uma experimentação avançada para criar não apenas produtos, serviços e novas linguagens de sustentabilidade para oferecer ao mercado, mas também processos produtivos e, sobretudo, dinâmicas de compra e utilização de bens, capazes de motivar as pessoas a adotarem com mais facilidade e entusiasmo novas lógicas de consumo e comportamentos de vida sustentável.

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O consumidor-locatário

Nos principais centros do mundo o uso de bicicletas alugadas já se tornou habitual a partir de um modelo básico de disponibilização em postos com auto-serviço espalhados pela cidade. Em Paris e em algumas outras cidades europeias já se avança para modelo similar, porém, com carros.

Na França, a rede Intermarché iniciou a locação de eletrodomésticos e eletrônicos e na Holanda é possível o aluguel de calças jeans que podem ser devolvidas ou compradas em definitivo como mostrou matéria do Wall Street Journal recentemente. Nos Estados Unidos e diversos outros países, incluindo o Brasil, já é habitual a locação de ferramentas usadas para serviços eventuais, quando não compensa a compra.

Carros, motos, barcos, trailers e caminhões sempre tiveram opções de serem alugados por períodos mais curtos ou longos e uma ampla indústria foi criada para desenvolver o negócio em todo o mundo.

A diferença que dá destaque ao tema envolve as categorias e produtos oferecidos e os modelos de negócio praticados com intenso uso de tecnologia e a oferta em maior escala, exemplificado pelos postos de locação de bicicletas.

Se a locação de roupas na Europa é motivada por razões mais econômicas do que comportamentais, em uma outra dimensão, mais ampla e estrutural, poderíamos estar caracterizando o surgimento do consumidor-locatário, aquele que ao invés de comprar prefere alugar.

Pode ser por conveniência, facilidade, praticidade, desinteresse pela posse do bem, racionalidade, opção pela sustentabilidade ou mesmo, simplesmente, pela motivação econômica de, não podendo comprar, optar pela locação por um determinado período, mais longo ou mais curto, com posterior devolução ou opção pela compra e posse definitiva.

O crescimento do negócio de locação de bens de consumo pelo consumidor-locatário poderá criar uma nova realidade no mercado, em especial nas economias mais maduras, como se percebe por sua expansão nos países europeus, no Japão e nos Estados Unidos, mas poderá se expandir também para outras economias menos maduras à medida que modelos de negócios sejam criados incentivando sua prática e colocando mais conveniência na vida das pessoas, como o modelo desenvolvido para as bicicletas e, agora, dos carros.

Nessa realidade emergente haverá profundas mudanças estruturais no mercado com o surgimento de novos agentes e modelos de negócio, sem dúvida mais sustentáveis, e também pela mudança das relações entre a marca do produto, o varejo e o consumidor-locatário, pois o vínculo ocorrerá muito mais com o prestador do serviço e o que é oferecido. Quem presta atenção para a marca da bicicleta que é oferecida nas principais cidades?

Essa transformação estrutural está alinhada com a migração de parcela crescente das despesas das famílias, em especial em economias mais maduras, da compra de produtos para dispêndios com serviços, movimento estratégico que avança de forma irreversível em todo o Mundo, desenhando um novo e mais complexo cenário.

Marcos Gouvêa de Souza diretor-geral da GS&MD – Gouvêa de Souza.

09/12/2013 – http://www.gsmd.com.br/pt/eventos/momentum/o-consumidor-locatario