O início da era da voz no varejo brasileiro e seus possíveis impactos

A Alexa está entre nós, finalmente.

Na semana passada, a Amazon mostrou mais uma vez que está disposta a entrar de vez no mercado brasileiro com todo seu ecossistema de soluções. A empresa lançou, na semana passada, a Alexa, sua assistente de voz, em português do Brasil (com direito a uma fala menos formal e por vezes até “brincalhona”).

Junto com a Alexa, a empresa lançou oficialmente seus devices da família Echo, que ajudam a automatizar uma série de funções na casa, além de lançar em conjunto uma série de equipamentos compatíveis, como controladores, lâmpadas inteligentes e até mesmo televisores que em breve poderão ser acionados “via Alexa”.

Embora a Google tenha lançado até mesmo uma casa automatizada há alguns meses, mostrando as capacidades de seu assistente de voz, a Amazon é a primeira empresa que traz oficialmente equipamentos oficiais e compatíveis para o Brasil. O Google Mini, por exemplo, extremamente popular onde é comercializado pelo baixo custo e ótimo benefício, ainda só é encontrado em marketplaces na versão importada.

Mas não se trata apenas de algo para tornar sua casa mais automatizada, ou inteligente. Trata-se de inaugurar uma nova era do varejo, a era da voz. Passamos da era do balcão, do varejo físico, à era do teclado, no início do e-commerce, e, mais recentemente, da era do teclado, à era “touch”, iniciada com a revolução digital e mobile.

Ao longo dos últimos anos vimos uma série de inovações em torno da Alexa acontecendo lá fora, de leitores de códigos de barra (Dash Wand, se lembra disso?) ao lançamento dos Dash Buttons, ainda em 2015, que prometiam uma reposição automatizada de alguns produtos ao toque de um botão, passando pela aquisição de players como a Whole Foods e uma aposta cada vez mais forte na logística própria.

A empresa buscava não somente ser dominante no Share of Mind na hora de iniciar qualquer jornada de compra (já que hoje é o segundo maior site de buscas utilizado no mundo), mas também se tornar a principal opção efetiva de compra também nos produtos de dia a dia, não somente nos eletroeletrônicos, livros, e outras categorias que sempre soube trabalhar bem.

E se ao mesmo tempo isso se mostra inovador, prático e interessante, por que então os mais de 100 mil equipamentos da família Alexa já vendidos desde o lançamento até o início deste ano, representaram apenas uma venda de US$ 2,1 bi, apenas uma parcela de 0,4% das vendas eletrônicas? Em minha opinião, é uma questão de timing e nunca a hora foi melhor do que essa. Esse é o momento.

Para a empresa de tendências do universo digital Comscore, metade das pesquisas eletrônicas, onde se iniciam a maioria das jornadas de compra hoje, irá passar por algum assistente de voz até o final de 2020. É uma previsão muito arriscada e otimista, mas é possível se analisarmos alguns fatores.

Um deles está na questão da barreira de se usar equipamentos digitais como celulares e computadores, ainda difíceis para muita gente, se comparados à voz, que pode permitir que mais pessoas se sintam à vontade com a conversa virtual e se sintam mais confortáveis para comprar de maneira digital.

O avanço da inteligência artificial, somados à questão até mesmo da linguagem mais informal adotada para o Brasil, pode tornar a conversa mais fluída, mais “normal”, para o consumidor.

Falando de Brasil, a questão da logística, complexa se fosse utilizado o mesmo modelo americano, parece estar encontrando sua solução em players e modelos de negócio como Rappi, iFood, Melhor Envio, entre outros.

Se no passado a compra cotidiana era pensada para a Alexa no modelo de listas de compra, onde se adicionavam itens e em algum momento você compraria online, ou até mesmo levaria essa lista para um mercado, penso que com o avanço da logística e o quanto ela poderá avançar nos próximos anos, pensaremos cada vez menos no modelo lista e cada vez mais no momento “comprar agora”. A parceria da Alexa no Brasil desde já com players como iFood começa a desenhar esse caminho.

Não acredito que ninguém comprará facilmente um televisor ou uma roupa puramente via voz. Alguns produtos hoje ainda precisam ser visualizados ou até mesmo experimentados para depois serão comprados. Penso que muito do que fazemos hoje de forma “digital”, embora ainda um universo novo para todos, será comprado via voz em pouquíssimo tempo.

Você está fazendo um churrasco e acaba a cerveja gelada. Suas opções hoje são pegar o carro e ir comprar no local mais próximo, ou pegar o celular e pedir entrega de algum lugar (seja via aplicativo ou telefone). Em pouco tempo, uma opção mais simples, como “Alexa, comprar cerveja gelada agora” fará parte do seu dia a dia, provavelmente já entendendo suas preferências, como marca e local. De alimentos, produtos de higiene e limpeza a até mesmo medicamentos, uma quantidade gigantesca de produtos e oportunidades começam a acontecer.

A exemplo das dark kitchens, espaços de preparo de alimentos criados exclusivamente para atender aos novos serviços de delivery, o que poderá acontecer com negócios como mercearias, supermercados, farmácias, entre outros, frente ao crescimento dessa nova modalidade de compra? Sem o apelo visual, como ficariam produtos que tem boa parte de suas vendas atreladas ao impulso e à venda do tipo cruzada?

Ainda são questões que teremos que responder com mais certeza ao passo descobrirmos como serão os desdobramentos e a aceitação dessas novas possibilidades frente aos nossos consumidores.

Há muito a ser considerado, mas uma coisa é fato: bem-vindo à era da voz no varejo brasileiro.

Conveniência é a bola da vez

Redes de varejo globais e nacionais estão acelerando sua expansão por meio de formatos de lojas menores, diferenciados e com foco na conveniência para os consumidores finais. Esse movimento é intenso no segmento alimentar e agora acontece também no de material de construção, com a inauguração do modelo de loja de bairro do Home Center Telhanorte.

Esses formatos de conveniência vão ao encontro das necessidades dos consumidores e contrapõem a pressão sofrida por resultados ruins nas lojas de grandes superfícies, como hipermercados e também pelo crescimento dos conhecidos “atacarejos”.

No setor de alimentos, temos bons exemplos e vemos a rápida expansão do Carrefour Express, que já superou 100 lojas em menos de três anos; o Minuto Pão de Açúcar, com mais de 70 lojas e o Hirota Food Express, com crescimento na cidade de São Paulo. Outro competidor que reapareceu de “cara nova” foi a Americanas Express, com a inauguração de um novo conceito de loja na cidade do Rio de Janeiro, porém ainda mantendo a mesma assinatura de marca. O plano da LASA de entrar no ramo de conveniência continua, já que a companhia participou recentemente da concorrência para assumir as lojas de conveniência da BR Distribuidora, a BR Mania.

Outra notícia marcante para o setor é a aliança da Oxxo e Raízen para explorar o varejo de proximidade. A Raízen Combustíveis é uma joint venture da Shell com a Cosan — e a Oxxo, a maior rede de lojas de conveniência da América Latina. Essa união promete um movimento interessante ao segmento.

Atualmente, lojas de conveniência respondem por 16% das vendas no varejo brasileiro, percentual ainda abaixo dos 22% que é o índice médio no mundo, segundo dados publicados no jornal Valor Econômico.

Os números brasileiros mostram que ainda temos muito para crescer quando comparados com mercados mais maduros.

GRUPO MERCADO QTDE. LOJAS (mil)
7-Eleven EUA e Japão 59
Family Mart Japão 17
Couche-Tard Canadá 14
Oxxo México 16
Lawson Station Japão 13
Circle K Sunkus Japão 8,3
Carrefour Express França 7,2
Tesco Express Reino Unido 5,2
CBA Bulgária 5,2
Mini Stop Filipinas 4,7

 

Trazendo para o jogo outros competidores relevantes do ponto de vista de capilaridade, temos que destacar as lojas de conveniências das bandeiras de postos de combustíveis, pois é o formato de loja mais conhecido do brasileiro como apelo de conveniência. Segundo dados do  Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes), atualmente são mais de 7 mil lojas, com a rede AM/PM participando com quase 2 mil lojas.

Ao analisarmos as características deste formato, que oferece ao consumidor soluções práticas e rápidas em meio a uma rotina bastante corrida, vemos que a comodidade oferecida está em linha com essa necessidade. Porém contribuindo pouco para os resultados financeiros do negócio, pois 80% das vendas deste formato de loja aqui no Brasil estão concentradas nas categorias com baixas margens (tabacaria, cervejas, bebidas não alcoólicas, bomboniere e sorvetes).

Aqui no Brasil, o foodservice representa menos de 17% das vendas. Quando comparamos com a Oxxo Mexicana, a participação lá atinge 20% e ainda conta com 8% vindo da venda de serviços. São essas categorias (foodservice e serviços) que permitem diferenciação e valor agregado para os consumidores. As demais são consideradas commodities ou com baixíssima capacidade de diferenciação.

A pergunta chave é se as nossas lojas de conveniências estão se diferenciando ou será somente uma “maquiagem” ou “nova embalagem” de um modelo com baixa diferenciação?

Para responder essa questão, partimos do princípio que para uma loja ser vencedora, diferenciada e relevante, ela tem que ter um posicionamento e proposta de valor claros, visão e valores disseminados em toda empresa e, principalmente, consistência na execução dia após dia em todos os pontos de contato com o consumidor.

Existem formas para se atingir diferenciação e fortalecer o posicionamento. Alguns exemplos que nem sempre estão presentes nas lojas de conveniência brasileiras:

  • Presença balanceada entre marcas líderes, regionais e marcas próprias;
  • Categorias relevantes para serem destino da loja e produtos ícones para o consumidor;
  • Integração das indústrias na oferta de novidades e inovações no trade marketing;
  • Combos e kits promocionais que possibilitem o cross selling, up selling e aumento do ticket médio;
  • Lojas organizadas em mundos e não em linhas de produtos;
  • Layout e comunicação visual (menu boards, cardápios, promoções etc.) estimulantes e funcionais, expondo com clareza as soluções ao consumidor para o consumo na loja ou fora dela;
  • Oferta de serviços agregadores de valor como por exemplo delivery sendo feito por meio de transporte limpo ou geradores de receitas, como por exemplo serviços de catering e até programas de assinaturas;
  • Cultura digital na empresa integrada numa plataforma para programas de relacionamento, fidelidade, informação, promoção, serviços, além da presença nas redes sociais;
  • Rapidez no atendimento para contribuir positivamente na jornada de compra e não sendo um obstáculo, como por exemplo correspondente bancário;
  • Embalagens diferenciadas para o preparo e consumo na loja, no carro ou no trabalho;
  • Produtos frescos e saudáveis com preços justos;

Obviamente que existem outros pontos além dos mencionados acima que contribuem para o fortalecimento do posicionamento e diferenciais da loja. O fato é que caminhamos para o novo varejo e mudanças são bem-vindas e necessárias.

 

Conveniência é a bola da vez

Consumidores esperam que a tecnologia traga autonomia nas compras

A tecnologia mudou o comportamento do consumidor, que ficou mais exigente. De acordo com pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 41% dos brasileiros esperam que a tecnologia proporcione mais autonomia no consumo e 26% mais prazer ao realizar as compras.

Por outro lado, 28% dos entrevistados afirmaram que se sentem desconfortáveis com essas novas ferramentas porque preferem o contato com atendentes e vendedores e 17% acreditam que os produtos ficaram mais caros devido à tecnologia.

Entre as novidades tecnológicas mais utilizadas para a realização de compras estão os aplicativos, com 67% da preferência; seguidos pelos pagamentos com máquinas portáteis, utilizados por 65%, e o atendimento por meio de chatbots e assistentes automáticos, com 62%.

Segundo o estudo, outras tecnologias como a realidade aumentada, que por meio de QR code fornece informações detalhadas sobre produtos ou serviços; os pagamentos feitos por aproximação de celular, smartwatch ou pulseiras; provadores virtuais em sites, lojas físicas ou aplicativos e a realidade virtual que simula o uso de um serviço (são menos conhecidas e utilizadas, com, respectivamente, 27%, 22%, 19% e 12% de uso.

Os resultados da pesquisa também mostram que os consumidores concordam que a tecnologia proporciona economia de tempo (67%), facilita o acesso à informação (65%), simplifica as compras (61%), a conexão com outras pessoas (58%) e o deslocamento pela cidade (58%).

Além disso, nem todos os pesquisados concordam com a existência de alguns pontos negativos. 65% dos respondentes discordam que a tecnologia faça eles se sentirem vigiados ou sem privacidade, 72%  não acreditam que ela os façam gastar mais dinheiro e 71% que cause estresse pela exposição intensa a e-mails e redes sociais.

“As novas tecnologias impactam de muitas maneiras o cotidiano das pessoas. O consumidor espera que elas tragam autonomia, rapidez e segurança em suas compras. Cabe às empresas repensarem suas estratégias e se adequarem a esse novo cliente conectado”, afirmou José César da Costa, presidente da CNDL.

Com o digital, os consumidores esperam mais agilidade e qualidade no atendimento. Sendo assim, as empresas precisam investir em ferramentas capazes de tornar os processos mais rápidos e eficientes. 63% dos entrevistados acreditam que agilidade no atendimento é o principal diferencial de uma companhia. Para 55% dos consumidores, a experiência omnicanal é o principal, já que contam com a opção de fazer uma compra online e retirar o produto em uma loja física.

Já 42% dos consumidores desejam que as lojas tenham WiFi grátis, 42% querem a disponibilização de catálogos virtuais e 38% anseiam por um atendimento personalizado, considerando gostos e interesses pessoais.

Neste processo de transformação digital, o smartphone é principal dispositivo usado para conexão com a internet, indicado por 86% dos entrevistados. De modo geral, 96% dos entrevistados possuem ao menos um aplicativo instalado no seu smartphone. Os mais baixados são os aplicativos de mensagens (82%), seguidos pelas redes sociais (77%) e aplicativos para compartilhamento de vídeos (66%). Em seguida aparecem os buscadores de informações (62%), serviços de transporte (61%), aplicativos de bancos (59%) e de geolocalização (58%).

Tecnologias como realidade virtual, inteligência artificial, sensores biométricos e dispositivos de geolocalização são percebidas como benéficas, uma vez que 20% dos entrevistados consideram que elas facilitam a vida das pessoas, 14% dizem que trazem agilidade e 14% que elas ajudam em momentos de necessidade.

Mas a tecnologia mais unânime entre os que testaram é a realidade virtual, já que 90% indicam que ela contribui em alguma medida para a decisão de compra de um produto ou serviço. É importante observar que ela tem grande potencial para crescer, pois apenas 12% dos pesquisados tiveram alguma experiência com ela.

Para 49% dos entrevistados a possibilidade de vivenciar ou simular o item é que mais os auxiliam a comprar ou se interessar por um produto, enquanto 34% citam a possibilidade de poder experimentar vários produtos e situações diferentes.

“Quanto mais os consumidores tiverem a oportunidade de experimentar essa tecnologia, maior a chance de perceberem todos os benefícios que os produtos oferecem. As empresas têm um papel essencial para explorar as diversas aplicações da tecnologia a fim de ajudá-las a se manter cada vez mais conectadas com os clientes. Uma experiência de realidade virtual imersiva com uma simulação de compra pode ser capaz de potencializar a capacidade de vendas de uma empresa”, disse Costa.

A pesquisa mostra que 78% da população possuem pelo menos um aparelho com sensores inteligentes, como Smart TVs (67%), aparelhos para cuidados com a saúde (31%), impressoras e scanners sem fio programadas à distância (21%), luzes com sensores de presença (18%) e câmeras de segurança com conexão ao celular (14%).

As principais razões apontadas pelos entrevistados para a posse desses itens são a comodidade, por tornar a vida mais fácil e produtiva (51%), a melhora na qualidade de vida (46%), a segurança (42%) e a economia de tempo (32%).

“A chamada ‘Internet das Coisas’ é um caminho sem volta e impacta diferentes territórios da vida humana, e não somente as relações de compra e consumo. No Brasil, o interesse das pessoas em produtos deste segmento cresce a cada ano. Uma única pessoa terá dezenas de dispositivos à sua volta, e o consumidor quer segurança e preço competitivo”, esclareceu Costa.

Por outro lado, apesar do aumento da utilização desses dispositivos no dia a dia da população, algumas barreiras ainda dificultam a aquisição e a utilização dos chamados aparelhos inteligentes nas residências. Os principais entraves apontados pelos entrevistados são o alto custo (63%), despesas com manutenção (40%), além da preocupação com a privacidade dos dados (22%) e o risco de serem atacados por hackers criminosos (21%).

Transformação digital mudando comportamentos e a dinâmica do varejo e consumo

Que nenhuma outra indústria é tão afetada pela demanda do cliente quanto o varejo é óbvio. Sabemos que os clientes de hoje querem experiências de compras imediatas e fáceis, 24×7 – e querem isso para ontem.

O consumidor está cada vez mais conectado, comunicativo e rápido. Segundo uma pesquisa americana, o tempo médio para a população americana adotar uma nova tecnologia após o ano de seu lançamento no mercado tem diminuído rapidamente. Para se ter uma ideia, o televisor levou 26 anos. Já o PC, 16 anos, e a Web levou somente 7 anos, ou seja, menos de 1/3 do tempo do televisor. Ainda em relação aos americanos, a Web já está presente para 88% da população entre 16 e 64 anos. O Brasil não está “feio na foto”, aqui ela está presente em 67% da população desta mesma faixa etária.

A outra boa notícia é que os brasileiros conectados estão entre os mais ávidos usuários da internet, ficando nela aproximadamente 9h por dia, sendo 5h no PC e 4h no mobile. É claro que as redes sociais e o ambiente de trabalho têm influência direta nisso. Porém, segundo dados do Ebit, na categoria de bens de consumo houve um crescimento de vendas no e-commerce na ordem de 12% em 2018 e a previsão para 2019 e 2020 são de 19% e 18%, respectivamente.

Alguns movimentos chamam atenção em relação aos brasileiros no uso de tecnologia em suas jornadas de compra, tanto no digital quanto no físico. Destaco alguns:

  1. Experiência total: mais interação com o produto físico explorando o uso de realidade virtual, realidade aumentada e 3D. São as tecnologias que devem crescer em importância e relevância nos próximos anos.
  2. Tudo que vai, volta: mais facilidade no processo de devolução, tanto nas compras feitas pela internet, quando naquelas feitas pelos clientes em lojas físicas com entrega em domicílio. Neste tópico quero compartilhar uma recente experiência pessoal. Fiz uma compra no site de uma empresa americana de cosméticos e fiquei muito satisfeito com o lead-time de entrega, mas o que mais me chamou a atenção foi que junto com o produto veio um formulário para preenchimento caso tivesse algum problema com a compra, além das etiquetas já preenchidas com o endereço para a devolução e meu remetente. Simples e funcional.
  3. Descomplicado: mais facilidade no processo de compra, seja no digital – “one click” ou na redução da fricção em lojas físicas – equipes “multiskills”, autosserviço e, principalmente, agilidade no processo de pagamento. Uma das coisas mais frustrantes nos dias de hoje é chegar ao caixa e descobrir que eles não aceitam pagamentos com carteiras digitais, tais como ApplePay e SamsungPay.
  4. Na palma da mão: aumento de vendas via aplicativos de compras, principalmente se oferecerem algum benefício adicional para os consumidores, tais como frete reduzido ou grátis, descontos e programas de relacionamento e fidelidade.
  5. Especial para mim: consumidores ainda mais estimulados por promoções, desde que direcionadas e não massificadas.
  6. Inteligência artificial: atendimento e interação com consumidores humanizados, porém com suporte de robôs para aumentar a eficiência operacional e SLAs. Destacam-se aqui os conhecidos Watson, Leonardo, Siri, Carol e a Bia!

Segundo dados da Sales Force, o uso de inteligência artificial em vendas de produtos tem forte impacto. 83% das empresas reportaram aumento da retenção de clientes e, para 74%, a velocidade de vendas aumentou.

Do outro lado, também aumentam a expectativa dos clientes. 55% dos consumidores já esperam receber ofertas e serviços personalizados, 58% afirmam que a tecnologia mudou o que esperam das empresas e 51% acreditam que até 2020 as empresas vão antecipar as necessidades dos clientes.

A transformação digital também altera a forma que as empresas devem se comunicar com o mercado. As redes sociais, sites de comparação de preço e de varejistas monomarca são os mais representativos para inspiração de compras. No lado oposto, os mais insignificantes são e-mails marketing, imprensa e revistas digitais. Destaca-se a importância dos Youtubers, digital influencers e blogueiros “especializados”.

Os movimentos da transformação digital são bem-vindos e ninguém tem dúvida. Mas tenho que confessar que o lado esquerdo do meu cérebro me diz que as grandes tendências e mudanças no processo de compra devem estar mais na direção da eficiência operacional do que em experiências que não convertam em vendas.

Obviamente, os esforços omnichannel já existem há algum tempo, mas não posso dizer que todos tenham sido bem-sucedidos. A experiência de comprar online, optando por pegar o produto na loja, e chegando lá ninguém saber do pedido, ou de onde se encontra o pacote pode parecer cômico, mas é trágico e ainda muito presente em terras brasileiras.

O omnichannel funcional pode não ser uma das tendências mais sexy de transformação digital no varejo, mas é definitivamente a mais necessária no curto prazo.

Vamos fazer um wrap-up:

  • Consumidores estão deixando de comprar em muitas lojas físicas e abrindo espaço para os canais digitais. Eles não entram mais nas lojas apenas para conhecer produtos que não sabem se querem. Eles entram para viver a experiência ao redor daquele produto e comprar aquilo que já sabem que querem. A loja física precisa se reinventar.
  • Os diferenciais do varejo digital além do preço são aqueles que os consumidores mais buscam e quase nunca são entregues pelas lojas físicas. Atendimento e hospitalidade continuarão sendo o fiel da balança. E tudo isso acontecendo em um novo ponto de venda com muito mais diferenciais e opções para os consumidores. Essas transformações no varejo e no consumo já estão sendo trabalhadas em escalas globais.
  • A loja do futuro, ou futuro da loja, passa pela transformação do POS tradicional em PDX. E, o mais importante, com baixíssimo atrito e muita experiência para o consumidor.
  • A integração de canais e a ativação digital na loja possibilita adequar a jornada de compras do consumidor e com isso entregar uma experiência única. Porém, ainda existem barreiras culturais e econômicas para implantar todas as iniciativas e precisamos estar preparados para isso.
  • Lojas estão repensando seus formatos por conta da integração com o digital, custos, produtividade e necessidade rápida de expansão. As lojas inteligentes têm papel fundamental nesta estratégia. Porém é primordial que essas marcas de varejo sejam consistentes em suas propostas de valor e entreguem atributos relevantes para o consumidor para se diferenciar da concorrência.
  • O consumidor é digital, ele exige respostas rápidas, quer falar e ser ouvido.
  • As mídias sociais são, atualmente, as principais plataformas para uma comunicação efetiva com o seu cliente (relacionamento de marca, promocional, feedbacks, fans etc.).
  • A internet tende a estar cada vez melhor distribuída, em um futuro próximo, a todos e de graça.
  • Cultura de captura de dados é importante, mas o mais importante é ter a cultura de gestão e tomada de decisões baseadas em dados, conhecendo cada vez mais o seu cliente, e utilizando-os para buscar sempre a oferta mais assertiva. Lembre-se: dados vencem qualquer opinião.
  • Ousar e testar novos modelos para os negócios é importante para alcançar esse consumidor.

iFood faz parceria com a Amazon para realização de pedidos via Alexa

O iFood firmou parceria com a Amazon para que seus pedidos também possam ser realizados por comando de voz. Neste mês, a assistente virtual Alexa está chegando ao Brasil e deve mudar a forma de fazer pedidos e compras.

“O iFood desenvolve projetos para possibilitar que cada vez mais pessoas tenham acesso à revolução que está acontecendo a partir da inteligência artificial. Essa inovação com a Amazon vai exatamente ao encontro do nosso objetivo de facilitar a jornada de consumo e torná-la mais prazerosa. Sabemos do importante papel que serviços virtuais por voz, como Alexa, terão nos próximos anos e queremos levar mais essa inovação ao dia a dia dos nossos usuários”, disse Bruno Henriques, vice-presidente de Inteligência Artificial do iFood.

A partir do comando de voz, a Alexa irá direcionar o usuário para a escolha de restaurantes e opções de pratos entre os mais de 30 tipos de culinária disponíveis na plataforma do iFood. Para usar o tecnologia, o cliente deverá dizer o comando “Alexa, falar com o iFood” ou “Alexa abrir o iFood” e poderá obter informações sobre pedidos e também acompanhar o status, como tempo de preparação do restaurante, estimativa de entrega e chegada.

Para Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP, a tecnologia deverá trazer muitas mudanças para os hábitos de consumo do país: “Há alguns anos, nós víamos isso em filme e parecia um sonho. Pensava “que legal, espero que venha algum dia para o Brasil” e agora está se tornando uma realidade”.

O recurso do aplicativo de delivery será compatível com todos os dispositivos Alexa que estão chegando ao Brasil e funcionará com comandos de voz para fazer e rastrear pedidos. Com a assistente virtual, a Amazon mostra que a Internet das Coisas (IoT) é uma realidade no dia a dia das pessoas.

“Estamos empolgados em trabalhar com o iFood para aprimorar a experiência de seus clientes via Alexa”, disse Jose Nilo Martins, gerente nacional da Alexa Skills Brasil. “Acreditamos que a voz é o futuro, e o recurso compatível com o iFood é um exemplo de como a voz facilita a vida – permitindo que você gerencie e obtenha informações sobre seu pedido no aplicativo, apenas perguntando.”

A empresa de delivery está investindo em Inteligência Artificial para desenvolver todo o ecossistema de food delivery. A companhia anunciou, em abril deste ano, investimentos de US$ 20 milhões para os próximos meses para fortalecer sua área de AI, o que inclui a criação de uma Academia de Inteligência Artificial para desenvolver pesquisas nas áreas de deep learning, machine learning e eficiência logística.

Camargo acredita que as compras e serviços de conveniência deverão mudar. “Tem a opção de fazer compras de supermercados e itens básicos. Isso facilita muito o dia a dia! Já outras áreas como moda e eletrônicos não devem ser tão impactadas, porque não são itens que você vai comprar sem olhar”, afirmou.

A realização de compras não pode ser realizada no momento por meio da Alexa no Brasil. A tecnologia deverá ser implementada futuramente. No momento, é possível montar o carrinho de compras e acompanhar pedidos já realizados.

Uso do smartphone para compra e pagamentos cresce no Brasil

O uso das conveniências dos smartphones vem crescendo entre os brasileiros. Segundo a pesquisa sobre Comercio Móvel no Brasil, realizada por Mobile Time e Opinion Box, com mais de 2 mil pessoas, 85% dos consumidores que possuem smartphone já fizeram compras pelo celular. A quantidade de pesquisados que já chamaram motoristas particulares ou táxis por aplicativo subiu de 66% para 75%.

A pesquisa mostrou a entrada dos aplicativos Uber Eats, Rappi e Amazon no ranking dos apps de m-commerce mais usados no Brasil. No segmento de delivery de comida, iFood e Uber Eats crescem, enquanto apps menores perdem terreno. Entre os apps de corrida, o 99 registra recuperação, enquanto Uber perde espaço entre os usuários. Entre as novas opções de meios de transportes, 9% dos internautas brasileiros já alugaram uma bicicleta via app e 4% optou por um patinete elétrico.

Outra mudança é o crescimento do pagamento por aproximação. Agora, 17% dos internautas brasileiros que possuem smartphone já experimentaram realizar um pagamento por aproximação com o aparelho. O pagamento por aproximação usando as tecnologias NFC ou MST (no caso dos aparelhos da Samsung) está disponível no Brasil há muitos anos, mas somente agora começa a ganhar adesão.

Para Fernando Paiva, editor do Mobile Time, e coordenador da pesquisa, “há algum tempo, os lojistas tinham até medo de aceitar essa forma de pagamento por não a conhecerem, mas, agora, pelo menos nos grandes centros urbanos, os funcionários nos caixas já estão acostumados com o procedimento que deve ser feito para receber um pagamento desta forma. Com a maturidade dos lojistas e seus balconistas, a tendência é que esta modalidade venha a crescer.

Um resultado curioso foi que a proporção de homens (21%) que utilizaram pagamentos por aproximação é maior do que a de mulheres (13%). A maior diferença está entre pessoas das classes A e B (23%) do que entre aquelas das classes C, D e E (15%), diferença que se explica pela necessidade de ter um smartphone moderno e um cartão de crédito.

Essa forma de pagamento é mais popular entre donos de iPhone (25,8%) do que entre aqueles com smartphones Android (16,6%). Há ainda uma diferença por faixa etária. Quanto mais jovem, maior a probabilidade de já ter usado o smartphone para pagar por aproximação. No grupo entre 16 e 29 anos, 21% já testaram essa tecnologia. A proporção cai para 16% no grupo entre 30 e 49 anos, e é de 12% naquele com 50 anos ou mais.

A utilização do smartphone como meio para a realização de compras online de produtos físicos segue crescendo no Brasil. Em quatro anos, de setembro de 2015 a setembro de 2019, a proporção de internautas brasileiros que já experimentaram o comércio móvel passou de 41% para 85%. Ou seja, a proporção de consumidores móveis, como pode ser chamado esse grupo, mais que dobrou, com um ganho de 44 pontos percentuais.

O uso recorrente do m-commerce também cresce. Outros 77% dos consumidores móveis afirmam que hoje fazem mais compras pelo celular do que seis meses atrás. E 75% deles fizeram alguma compra nos últimos 30 dias – um ano atrás essa proporção era de 71%.

“Além disso, quem experimenta o smartphone para compras acaba deixando de lado o desktop”, comentou Fernando Paiva. 73% dos consumidores móveis declaram que preferem comprar pelo celular que pelo computador. Isto está relacionado ao alto grau de satisfação para com a experiência em m-commerce: 88% dos consumidores móveis dizem que estão satisfeitos ou muito satisfeitos com ela. “Vemos aqui uma consolidação do m-commerce no país”, destacou o coordenador da pesquisa.

Cerca de 70% das pessoas substituirão ida às lojas por assistentes de voz

Cada vez mais, os consumidores preferem interagir com assistentes de voz e chatbots do que com humanos, principalmente quando pesquisam produtos ou respondem a perguntas de atendimento ao cliente após fazer uma compra. Cerca de 70% das pessoas usarão gradualmente assistentes de voz para substituir visitas a uma loja ou banco nos próximos três anos, segundo uma pesquisa do Capgemini Research Institute.

A satisfação do consumidor com os assistentes de voz também aumentou nos últimos dois anos. A porcentagem de pessoas que disseram que estavam satisfeitas com um assistente de voz como Alexa ou Siri em seus smartphones aumentou para 72% este ano, ante 61% em 2017.

A satisfação com um alto-falante inteligente com voz como o Google Home ou Amazon Echo subiu para 64% este ano, ante 46% em 2017. Para telas inteligentes ativadas por voz como o Amazon Echo Show, a satisfação do consumidor saltou para 57% este ano, de 44% em 2017.

A porcentagem de pessoas que usaram assistentes de voz para comprar produtos aumentou para 53% este ano, ante 35% em 2017, enquanto os pagamentos virtuais aumentaram 20 pontos percentuais no mesmo período. As interações com o atendimento ao cliente após a compra aumentaram passaram de 37% para 52%, de acordo com a pesquisa.

Os chatbots e assistentes de voz foram ridicularizados por fornecer funcionalidade limitada e conversas frustrantes para os consumidores. A pesquisa da Capgemini indica que os assistentes de voz percorreram um longo caminho nos últimos anos para melhorar a satisfação do cliente e estão a caminho de economizar dinheiro para as empresas, automatizando uma gama mais ampla de serviços agora tratados por humanos.

Mais de três quartos das empresas (76%) obtiveram benefícios palpáveis com o uso de assistentes de voz ou bate-papo, enquanto 58% disseram que os benefícios haviam atendido ou excedido suas expectativas, de acordo com a pesquisa da Capgemini.

Algumas empresas conseguiram reduzir seus custos de atendimento ao cliente em mais de 20%, à medida que os consumidores se voltaram para os assistentes de voz em vez de humanos, mas esse benefício não se traduziu em adoção mais ampla entre as empresas.

Menos de 50% das 100 principais empresas do setor automotivo, de bens de consumo e varejo e os setores bancário e de seguros têm assistentes de voz ou chatbots, segundo a pesquisa da Capgemini.

Outro estudo constatou que os chatbots e a inteligência artificial (IA) são usados ​​atualmente por uma pequena fração dos varejistas, mas 76% dos comerciantes planejam lançar a tecnologia ou consideram uma implementação para os próximos dois anos.

O custo do desenvolvimento da tecnologia continua sendo um impedimento, sugerindo que as empresas de tecnologia precisam desenvolver soluções que tornem o desenvolvimento do chatbot e da IA ​​mais acessível.

A Capgemini recomenda que as empresas encontrem o equilíbrio entre interações humanas e robóticas. À medida que os consumidores passam a confiar na tecnologia, eles podem estar mais dispostos a ampliar seu envolvimento com assistentes de voz e chatbots.

Mais de dois terços (68%) dos consumidores disseram o uso do assistente de voz permite a realização de múltiplas tarefas e sem usar as mãos, enquanto 59% disseram que a personalização dos assistentes de bate-papo melhorou.

A Capgemini também recomenda que as empresas equipem os assistentes de voz com recursos adicionais, como imagens e vídeos, que possam ser vistos em dispositivos móveis ou monitores inteligentes, já que quase dois terços dos consumidores disseram que a experiência de voz seria melhorada com a adição de imagens, vídeos ou mais informação textual.

Com informações do site Retail Dive – Por Imprensa Mercado & Consumo – 

Cerca de 70% das pessoas substituirão ida às lojas por assistentes de voz